Cinco curiosidades sobre "Killing Is My Business…", o primeiro disco do Megadeth
Por Mateus Ribeiro
Postado em 13 de junho de 2024
A banda de Thrash Metal Megadeth iniciou sua caminhada há 40 anos, depois que o talentoso guitarrista Dave Mustaine foi expulso do Metallica. Mustaine, que se tornava uma pessoa muito agressiva quando consumia álcool (o que ele fazia com certa frequência, por sinal), foi demitido em abril de 1983, durante as gravações do primeiro disco do Metallica, "Kill 'Em All".
Enquanto viajava (de ônibus) de Nova York até a Califórnia, o raivoso Dave Mustaine decidiu que era hora de montar a sua banda e "se vingar" de seus ex-companheiros.
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"Eu nunca quis machucar aqueles caras [do Metallica]. Em retrospecto, eu entendo: se você tem um cara que fica violento quando fica bêbado, e ele fica bêbado 24 horas por dia, 7 dias por semana, então tê-lo perto de você o dia todo provavelmente não é bom para os negócios. Eu teria feito a mesma coisa [que eles fizeram]. Eu tinha um problema com álcool, e isso me custou meu emprego e dois amigos muito queridos. Mas eu não tinha um plano B. Ser um músico de sucesso era tudo o que eu sempre quis e não ia deixar esse sonho morrer", disse Mustaine, em matéria especial publicada no site da revista Metal Hammer.
Com sangue nos olhos e muita vontade de vencer, Mustaine se juntou ao baixista David Ellefson, ao guitarrista Chris Poland e ao baterista Gar Samuelson. As peças do quarteto se encaixaram e então, no dia 12 de junho de 1985, foi lançado "Killing Is My Business… And Business Is Good!", primeiro disco de estúdio do Megadeth.

Rápido, cru e pesado, "Killing Is My Business…" apresentou ao mundo uma banda furiosa e promissora. O álbum conta com boas músicas, como a faixa-título, "Mechanix", "Looking Down The Cross", "Last Rites/Loved To Deth" e "The Skull Beneath The Skin". "Killing Is My Business…" também rendeu algumas histórias interessantes, como você pode conferir na lista abaixo.
Aperte o play e confira cinco curiosidades sobre "Killing Is My Business…", o primeiro disco de estúdio do Megadeth.
Mustaine não foi com a cara do baterista e do guitarrista que gravaram o disco
O talentoso baterista Gar Samuelson foi peça fundamental para o funcionamento do Megadeth. Dotado de técnica e precisão, Samuelson ajudou a moldar o característico som rápido e intrincado do quarteto.
"Dave tirou a sorte grande quando conheceu Gar. Ele tinha swing. Ele era um grande fã do Who e do Zeppelin, mas era um cara do Jazz: ninguém mais naquela cena ouvia bateristas de Jazz. Ele trouxe um elemento para aquela música que ninguém mais trouxe para o Metal até hoje", declarou Chris Poland, que entrou no Megadeth junto de Samuelson.
"Gar me contou que estavam procurando outro guitarrista e disse que eu deveria ir até os estúdios Mars, alugar uma sala, montar meu material e tocar bem alto. Foi o que fiz, Dave chegou e me convidou para entrar na banda. Ele estava bêbado", complementou o guitarrista.
Curiosamente, o líder do Megadeth não foi muito com a cara de Gar, por conta do visual do baterista. Mustaine não se empolgou com Poland, porém, ele (felizmente) mudou de opinião.
"No início, não gostei do Gar porque ele não parecia metaleiro, mas quando ele começou a tocar, pensei: ‘Uau, isso realmente destaca as complexidades dos meus riffs e do meu estilo de tocar’. Começamos a tocar como uma banda de três integrantes, e então Jay [Jones, primeiro empresário do Megadeth] nos apresentou ao Chris. Eu também estava apreensivo com ele, mas quando o ouvi tocar, pensei: 'Ele é um músico brilhante'", relatou Mustaine.
Boa parte do orçamento foi gasto com drogas
A Combat Records cedeu 8 mil dólares para o Megadeth gravar o seu primeiro álbum. Uma boa parte do dinheiro foi gasto com drogas e comida, como Mustaine contou à Metal Hammer.
"Um dia, cheguei ao estúdio e Jay me disse que os outros [músicos] haviam gastado 4.000 dólares em cocaína, heroína e hambúrgueres. Eu pensei: 'Você está louco?'", relembrou o frontman.
"Todos sabiam que eu estava fazendo isso antes de entrar. Todos nós consumíamos de 80 a 100 dólares de heroína por dia. Estava fora de controle, mas não me lembro de ter ficado doente demais para tocar", justificou Chris Poland, que foi demitido em 1987, justamente por conta de seus vícios.
"Mechanix", a música de Mustaine que o Metallica gravou antes do Megadeth
Uma das músicas mais populares de "Killing Is My Business…" é "Mechanix", que foi escrita por Mustaine antes do Megadeth existir.
"Escrevi ‘Mechanix’ muito antes de entrar para o Metallica. Quando entrei no Metallica, não tínhamos muitas músicas. Nós tocávamos covers de Killing Joke, Sweet Savage, muito Diamond Head, e tocávamos minhas músicas originais.
A letra é sobre um frentista de posto de gasolina excitado, porque eu era um frentista de posto de gasolina excitado. Eu era um adolescente que morava no porto de Huntington Beach [Califórnia, EUA] e as garotas entravam no posto de gasolina dirigindo carros caríssimos e de biquíni. Porra, está brincando comigo? E isso foi na época em que havia serviço completo, então você lavava os vidros, elas ficavam sentadas de biquíni e você podia dar uma olhada nelas enquanto estavam sentadas em seus carros (...). Então, foi assim que a música ficou", disse Mustaine, em entrevista concedida à Rolling Stone.
No fim das contas, o Metallica gravou a sua versão de "Mechanix", que conta com uma pitada da maior banda da história do Southern Rock.
"‘Mechanix’ era uma música que tocávamos e, um dia, fui ensaiar com Cliff Burton [finado baixista do Metallica] e Lars [Ulrich, baterista] disse: ‘Que droga, cara, temos que mudar essa parte’. Eu estava ouvindo Lynyrd Skynyrd no carro com Cliff e pensei: ‘OK, vou tocar Sweet Home Alabama, ele nunca vai saber. E ele [Lars] disse: ‘Porra, cara, essa é a melhor parte de todas’. E eu disse: ‘Oh, meu Deus. Você está brincando, certo?’. Então, ‘Mechanix’, com o início de ‘Sweet Home Alabama’, é o que hoje conhecemos carinhosamente como ‘The Four Horsemen’", contou o líder do Megadeth, que escreveu outras três faixas do primeiro álbum do Metallica ("Jump In The Fire", "Phantom Lord" e "Metal Militia).
As drogas guiaram as mudanças de andamento
As músicas do primeiro disco do Megadeth apresentam estruturas complexas e mudanças de andamento. De acordo com o baixista David Ellefson, as mudanças foram guiadas por substâncias ilícitas.
"Fizemos as tomadas rapidamente, com Dave, Gar e eu em uma sala, tocando juntos, sem faixas de clique. Você pode ouvir os tempos [das músicas] mudando, dependendo se era um 'take de heroína' ou um 'take de cocaína'. É engraçado agora, mas eu não recomendaria essa abordagem."
A capa horrorosa que decepcionou os membros da banda
A capa original de "Killing Is My Business…And Business Is Good!" deveria ser assustadora, porém, a arte final ficou simplesmente horrorosa.

"A inspiração original para o Vic [Rattlehead, mascote do Megadeth] veio de um pequeno modelo dos macacos ‘Speak No Evil, See No Evil, Hear No Evil’ que minha mãe tinha. Achei que seria legal traduzir isso para o metal, então o desenhei e pedi ao meu amigo Peyton Tuttle que o pintasse para a nossa primeira camiseta. A capa deveria ser baseada em sua pintura, com um escudo, facas, correntes, uma caveira e ossos cruzados", afirmou Mustaine, que recebeu um trabalho diferente do que ele havia previsto.
"Era uma caveira de plástico com papel alumínio e ketchup. Era uma merda."
"Então, essa caixa apareceu, nós a abrimos e lá estava o disco. Dave imediatamente ligou para a Combat e perguntou: 'Que porra é essa?’", recordou Ellefson. "Ficamos mortificados. Aquela arte deveria ser o DNA de tudo o que era o Megadeth. Mas ela fez uma coisa: nos fez perceber que éramos realmente nós contra o mundo", complementou o baixista.
Agora que você sabe um pouco mais sobre "Killing Is My Business…And Business Is Good!", é hora de curtir esse grande play, que foi o início de uma das trajetórias mais intensas e movimentadas da história do Metal.
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