Entre nostalgia, legado e recomeços, Beseech apresenta seu 7º álbum de estúdio
Resenha - Future. Present. Past - Beseech
Por Rafael Sales
Postado em 01 de setembro de 2026
"Future. Present. Past." é o novo álbum da banda sueca de Gothic Metal, Beseech, que põe fim no hiato de uma década desde seu último trabalho.
Lançado em 28 de agosto de 2026 pela gravadora independente Despotz Records, o sétimo álbum de estúdio consagra o retorno quase integral dos membros originais da era considerada dourada da banda (entre 2002 e 2004) incluindo a dupla vocal mais icônica de sua história, Erik Molarin e Lotta Höglin

Mesmo existindo desde 1992, formada em Borås na Suécia, conquistado uma base fiel de fãs pelo mundo, já ter saído em turnês e participado de festivais ao lado de Theatre Of Tragedy, Lacuna Coil, To/Die/For e Swallon the Sun, não me surpreenderia se você, leitor, não conheça Beseech ou a relevância deles para o Gothic Metal, afinal a banda sempre teve forte presença e reconhecimento no underground europeu, em especial na cena sueca, e ganhou certa notoriedade na América Latina – incluindo o Brasil – após seu 4º álbum de estúdio "Drama" lançado em 2004 pela Napalm Records, porém, não muito tempo depois do lançamento de "Sunless Days" em 2005 também pela Napalm Records, a banda decidiu encerrar as atividades, retornando somente em 2016 com uma formação completamente diferente, sendo a mudança mais notória, (ao menos para mim), a troca da dupla vocal.
"My Darkness, Darkness", lançado em 2016 pela Despotz Records, não é um trabalho ruim, muito pelo contrário, representa muito bem o Gothic Metal e traz composições interessantes e bem executadas para os fãs do gênero. Mantendo da formação clássica apenas os guitarristas Manne Engström e Klas Bohin, (passando a assumir exclusivamente os vocais neste álbum ao lado de Angelina Sahlgren Söder.), criando um certo elo com os trabalhos antigos da Beseech. Entretanto com uma mudança tão significativa na formação, a Beseech de 2016 conseguiu conquistar novos fãs e admiradores pela qualidade impecável do que entregaram neste álbum, porém para alguns fãs mais antigos (como eu, que a conheci há mais de duas década), a banda soava praticamente como outra, ainda que excelente.
Após o lançamento de "My Darkness, Darkness" e de cumprirem a agenda de promoção do novo álbum, a banda novamente entrou em um longo período de silêncio, deixando os fãs incertos se continuava na ativa ou novamente havia decidido encerrar as atividades. O anúncio veio após uma década informando não só o retorno e a promessa de material inédito como a volta de praticamente toda a formação clássica dos consagrados álbuns "Souls Highway"(2002), "Drama" (2004) e "Sunless Days"(2005), composta por Daniel Lindgren no baixo e Jonas Strömberg na guitarra (que também fizeram parte da banda no 2º álbum de estúdio intitulado "Black Emotions" de 2000), Manne Engström na guitarra, Christian Silver na bateria (responsável pela produção de muitos dos álbuns da discografia da banda, sendo agora oficializado como membro efetivo) e a volta dos vocais de Erik Molarin e Lotta Höglin

Consolidando esse retorno, por fim, a banda lança o atmosférico, autêntico e melancólico "Future. Present. Past.", já considerado por muitos fãs (eu incluso), como o sucessor digno de seus primeiros álbuns, pois, ao longo das onze faixas, a banda volta às suas raízes e referência seu passado musical sem soar uma cópia do que já fizeram, evocando nostalgia ao mesmo tempo que apresenta uma banda mais madura e ainda mais entrosada, mesclando riffs de guitarras pesados, com baterias ritmadas e o tom muitas vezes grave do baixo com as notas melancólicos de piano e doses na medida certa de sintetizadores, tudo isso criando o ambiente perfeito para a voz profunda e grave de Molarin com a emotiva e versátil voz de Höglin, deixando evidente que mesmo o tempo não foi capaz de acabar com a sinergia e de como suas vozes combinam juntas, sejam dividindo os versos ou cantando juntos em refrões poderosos.
"Future. Present. Past." mantém o conceito introspectivo nas letras que retratam principalmente a alma, o desespero e a dualidade da mente humana, traz um certo romantismo gótico e melódico, uma atmosfera sombria e densa com pequenos vislumbres de esperança, apostando no contraste de vocais masculinas soturnos e graves com vocais femininos dinâmicos, doces e emotivos, que muitas vezes se complementam e harmonizam, características da banda, responsáveis por destacar a Beseech de outras bandas do gênero, mas também trazem toda essa linguagem em uma roupagem contemporânea flertando com o dark pop em algumas passagens, respeitando o legado do passado que moldou o presente e certamente se projetará para um futuro ainda mais promissor.

Embora eu seja extremamente suspeito para dizer qualquer coisa dessa banda que admiro desde a minha adolescência, e pela incrível oportunidade de ter sido o designer responsável pela capa dos quatro singles de promoção do álbum, sendo eles "Boundless Space", "End This", "Hesitation" e a faixa título "Future. Present. Past.", ainda assim, o que escrevo aqui é apenas a minha mais sincera opinião, mas, acredito que vale a pena conferir esse lançamento se você gosta de bandas como Moonspell, To/Die/For, HIM, Lacrimas Profundere e Within Temptation, certamente não se arrependerá.
Beseech- Future. Present. Past.
2026/ Despotz Records
Faixas:
1. Ambiguous Mind
2. Hesitation
3. Boundless Space
4. End This
5. Future. Present. Past
6. You Bleed. You Dream. You Breathe.
7. Álamos Sunset
8. Melodies of Movement
9. Still Lost
10. The Sweet Hello, The Sad Goodbye (Roxette Cover)
11. Between Worlds
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