O resgate sonoro do Shaman
Resenha - Rescue - Shaman
Por João Paulo Pimentel
Postado em 15 de maio de 2022
A expectativa com o novo disco do Shaman finalmente chegou ao fim. Com o lançamento de "Rescue", a banda retorna ao mesmo patamar da época de "Ritual" e "Reason" – entre os grandes do metal mundial!
Em poucas palavras, podemos dizer que "Rescue" é um disco coeso, bem produzido e repleto de boas melodias. O suficiente para agradar os ouvintes mais exigentes do gênero. Mas o que mais chama atenção (especialmente do fã da banda), é o que as músicas expressam, isto é, a poderosa mensagem que grupo quis deixar. Vejamos em partes.
"Rescue" é um disco autorreferente, ou seja, uma obra que dialoga muito bem com a história da banda e resgata a essência de seus dois discos de estúdio anteriores. Em termos musicais, as características dos trabalhos passados são patentes: a guitarra pesada do Hugo (bem mais pesada que nos trabalhos da banda solo do André), os sons que remetem a cultura latino-americana, a presença do Marcos Viana e do Sascha Paeth.
A parte lírica, por sua vez, encaixa nas músicas de forma irreparável. A temática indígena pode ser visualizada em "The ‘I’ Inside" e "The Spirit". Já canções como "Time Is Running Out", "Brand New Me" e "Resilience" parecem refletir sobre a própria situação atual da banda, que continua viva e criativa, mesmo sem a presença do inesquecível André Matos. E por falar no Maestro, não temos só uma música dedicada a ele, mas várias menções e homenagens. Partindo da ideia que a obra de arte não possuiu apenas o sentido dado pelo artista, mas se ressignifica pelo olhar do público, posso dizer (na condição de fã) que, em cada canto do disco, sentia a presença do André. Claro, temos momento mais explícitos, como nas letras de "Where Are You Now?", "Gone Too Soon" e "What If?". Por isso, é impossível não se emocionar ao final da audição de "Rescue". O sentimento que fica é o de homenagem a história da banda e de André Matos, mas também de continuidade e superação.
Deixando de lado a parte mais sentimental e focando nas músicas, merecem destaque especial as canções "Time Is Running Out", "The ‘I’ Inside", "Where Are You Now?" e "The Spirit". Músicas que mesmo após a divulgação do disco devem (ou deveriam, na nossa opinião) permanecer no repertório da banda. "Time Is Running Out" abre o disco com a mesma força de "Here I Am" e "Turn Away". A canção também aponta o que vem por aí: mais experimentação com efeitos de guitarras e solos de Fábio Ribeiro (elemento bastante aguardado pelos fãs). Vale destacar que a música possui três solos, sendo um deles Hugo simulando um violino. E se não bastasse a boa quantidade de solos, entre guitarra e teclado, há espaço ainda para um momento espetacular do Luís, que dá mais brilho ao conjunto.
"The ‘I’ Inside" possui vários méritos e talvez seja a melhor música do disco. Mas queremos aqui engrandecer a posição da banda que desde "Ritual" mergulha no universo dos povos tradicionais do nosso continente. Em um momento de violência no campo e total indiferença do governo atual com as questões indígenas, onde direitos são negados e aldeias são constantemente atacadas, o trabalho de bandas como o Angra, Sepultura (recentemente com "Guardians Of Earth") e Shaman, contribuem com a formação da consciência crítica e defesa dos povos ameríndios.
"Where Are You Now?" e "The Spirit" carregam momentos de força e emoção. O grande destaque são os vocais de Alírio Netto, que demonstra uma versatilidade tremenda. Em alguns momentos (como em "The Spirit"), até o timbre do vocalista parece se alterar para encaixar na canção. Alírio, com absoluta certeza, foi a escolha certa para a banda, por tudo que pode somar (além da técnica vocal) entre letras e composições.
Por fim, é preciso registrar que, assim como seus antecessores, "Rescue" não é um disco de power metal ou metal melódico. A bateria de Confessori dita um ritmo menos rápido para o estilo, mais cadenciado e atmosférico, que envolve o ouvinte nas temáticas apresentadas. Se levarmos em conta o cenário atual do metal brasileiro, é salutar essa diversidade musical que o Shaman representa. Enquanto Edu Falaschi entrega o mais puro power metal e o Angra já caminha para um som mais progressivo, o Shaman oferece um contraponto original, pois tem uma sonoridade única, mais pesada, menos rápida e sem tantos floreios "progressivos". Neste aspecto as características musicais combinadas de Hugo, Luís e Ricardo fazem a diferença, principalmente a guitarra pesada do Hugo, que já surpreendia (positivamente) desde o lançamento do "Ritual".
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