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Ghost: Nova vibe sem perder a essência em "Impera"

Resenha - Impera - Ghost

Por Guilherme O. Guimarães
Em 13/03/22

Ghost (leia-se Tobias Forge, mentor e idealizador da parada toda) sempre teve a capacidade de provocar seu ouvinte. O grupo não se acomoda, não permanece estagnado e sempre tem a capacidade de reinvenção, fazendo, assim, com que seu "teatro satânico" permaneça sempre interessante e instigante. De uns tempos para cá, porém, seu líder vem deixando o clichê "metal falando sobre o diabo" de lado, preferindo utilizar, liricamente, de metáforas para descrever situações que abrangem problemas pessoais e do mundo, conectando as crises e catástrofes atuais com as do passado, o que nos faz perceber que o que aconteceu séculos atrás não difere tanto do que está acontecendo agora, seja na sociedade como um todo ou dentro de nós mesmos, como seres humanos.

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Com Impera, novo álbum dos caras, o tema que paira é a ascenção e queda dos impérios na terra. Não se trata de um álbum conceitual, porém: como já explicado por Tobias, Impera não conta uma história linear e nem todas as músicas falam sobre o mesmo tema. O que elas fazem – e muito bem, diga-se de passagem – é abrir espaço para interpretações, e você pode ler as letras e enxergá-las por um viés totalmente diferente do que eu enxerguei, por exemplo.

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O play começa com Imperium, tema instrumental que serve para estabelecer o clima que vem pela frente, gerando expectativa e ansiedade pelo que vem nos próximos 40 e poucos minutos.

A primeira canção (ou segunda), é Kaisarion, que a banda já vem apresentando como música de abertura dos shows na nova turnê. Percebi toques de Iron Maiden, Rush e até umas pitadas meio Ramones nessa abertura sensacional. Forge tem uma inteligência como compositor fora do padrão, conseguindo adicionar camadas de instrumentos, vozes e coros com muita elegância dentro das músicas, preenchendo todos os espaços e prendendo a atenção de quem ouve.

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Depois vamos para Spillways, que bebe na fonte de "Cold As Ice" do Foreigner e "Poison" do Alice Cooper. Esse som me gerou um sentimento um tanto incomum para uma canção do Ghost: felicidade! A canção é leve, gostosa de ouvir e, sem dúvidas, será um momento marcante nos shows ao vivo se decidirem incluí-la no setlist.

Nosso querido Papa Emeritus, como seu alter ego é conhecido, fez questão de priorizar uma coisa em particular nesse álbum: as melodias vocais. Todas as músicas, sem exceção, possuem trechos que grudam na cabeça e só saem para dar espaço a um trecho da canção que vem depois.

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Se eu pudesse estar no lugar de Tobias por uma noite, certamente ficaria emocionado ao ver um estádio inteiro cantando junto comigo "You will never walk alone, you can always reach me" de Call Me Little Sunshine. Que música incrível!

Depois dela, vem Hunter’s Moon, que foi lançada há algum tempo como música tema do filme Haloween Kills (cabe mencionar que a versão que aparece nos créditos do filme é ligeiramente diferente da apresentada no álbum, e eu, particularmente, gosto mais dessa "nova"). Os sintetizadores que tocam o tema principal da música durante o refrão são contagiantes, assim como as melodias dos vocais nos versos...é sensacional a forma como todas as canções funcionam nesse álbum e como elas ganham mais corpo ainda dentro do contexto do álbum, quando você as ouve na ordem em que estão propostas.

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Watcher In The Sky! A primeira vez que ouvi, veio na cabeça o Ozzy da fase The Ultimate Sin até No More Tears. Que riff sensacional. Riffzisticamente falando, é a mais pesada do álbum, mas sem perder aquela característica que já mencionei de melodias facilmente assimiláveis. O refrão é repetido à exaustão, e não ache que isso foi por falta de criatividade. Tobias, entendedor da psicologia que envolve uma composição, sabia muito bem o que estava fazendo. Eu estou cantarolando esse refrão sem parar desde que ouvi a música e já estou começando a ficar com raiva do cara (kkk).

Depois vem um pequeno interlúdio com Dominion, uma composição só com instrumentos de corda pra dar o tom da coisa mais estranha que o Ghost já fez: Twenties.

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Twenties seria o resultado de um musical sobre a obra "1928" de George Orwell se fosse feito pelo Tim Burton. Tem muito cinismo na letra e na interpretação vocal, um riff de guitarra nervoso (para padrões do Ghost) e uma levada de Reggaeton na batera. Sim, é isso mesmo. E o pior é que deu super certo. A ideia da letra é quase profética, já que, teoricamente, Forge está falando sobre os anos 20 do século passado. Mas pegue a letra, compare com o que está acontecendo no mundo atualmente e veja se ela não cabe tranquilamente nos anos 20 de agora. O cara é ligeiro. Confesso que, musicalmente, foi a que menos me agradou, mas isso não significa que ela é ruim, longe disso. É só que o álbum vinha seguindo um ritmo forte até agora, e essa canção dá uma "quebrada" no fluxo. Mas que é uma composição muito criativa, isso é fato!

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Darkness At The Heart Of My Love bate de frente com Life Eternal como a canção mais bela da banda, em minha opinião. A atmosfera criada pela música é de melancolia, o dedilhado do violão é lindo e Tobias utiliza tons graves na voz que não me lembro de ter ouvido antes no Ghost. O final, com o coro de crianças cantando, levantou todos os pelos do meu braço, sem brincadeira. Que som!

Griftwood é o tipo de música que eu gostaria de ter composto: hard rock misturado com pop, com muito bom gosto. Consegui ouvir influências de Bee-Gees e outros grupos disco dos anos 70/80. A galera nos estádios gritando os vários "YES" da música no refrão também vai ser algo histórico. Composição primorosa.

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Nos encaminhamos para um grand-finale soturno e épico para esse ótimo álbum: Bite Of Passage traz passagens instrumentais sinistras que nos levam para o fechamento deslumbrante:

Respite On The Spitalfields. Composição que fala sobre Jack The Ripper, o famoso Jack Estripador, serial killer que aterrorizava as ruas de Londres em 1888. O assassino anônimo (Jack não era seu nome verdadeiro), assassinava e mutilava suas vítimas com precisão cirúrgica. Então, para falar dessa música, como diria o personagem principal da letra, vamos por partes (Não sei como ninguém usou esse trocadilho nos reviews desse álbum ainda).

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A canção começa tranquila, com um dedilhado de violão e vozes calmas por parte do Papa, com frases até poéticas como "Like salting the earth with tears of Jesus, He sliced and diced our dreams to pieces" (algo como "Salgando a terra com as lágrimas de Jesus, ele cortou e dilacerou nossos sonhos em pedaços"). Aí vem uma surpresa: acompanhado de frases de guitarra com dobras em terças (que dão aquela característica meio Iron Maiden, dramáticas), a ponte pré-refrão vem com vocais raivosos e muito bem interpretados, deixando a atmosfera carregada, para então desembocar num refrão digno de ser cantado por todos nos shows ao vivo. A beleza das sacadas mais simples que Tobias tem na hora de compor é o grande trunfo do Ghost, e a melodia que o cara fez para a parte que diz "I’ll be the shadow, you’ll be the light" é para aplaudir de pé. No segundo verso, flagrei uma inspiração de "Wonderful Tonight" de Eric Clapton. Escuta essa parte e depois coloca o primeiro verso da música do Bluesman e me diga se não estou certo! Pra fechar a música e o álbum, a criançada começa a entoar um coro familiar, e quando a guitarra vem pra acompanhar, tudo faz sentido: o álbum termina com o mesmo tema de Imperium, primeira faixa do disco. Círculo completo, história contada. E eu só tive uma reação no momento que a música, que acaba em fade-out, ficou em silêncio completo: tive que colocar para tocar tudo de novo, desde o começo.

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Entendo o porque de muitos torcerem o nariz para o Ghost. Entendo, mas não concordo! Você vê a imagem da banda com todos os integrantes misteriosos, padronizados (com exceção da figura principal), e tem um frontman vestido de "Papa morto-vivo", o que vêm à mente é que terá um som extremo, vocais guturais, blast-beats e toda essa pegada. O Ghost faz justamente o contrário: dá espaço para a beleza de composições que, por vezes, são mais simples, até pops, retrôs.

Uma característica que eu daria para Impera: dançante. Sim, tem sons nesse álbum que flertam até com disco music. E digo isso da melhor forma possível! Ficar preso na caixinha do Metal pra que? Nunca foi essa a proposta da banda. Observe todo o empenho dos caras pra apresentarem um trabalho coeso, bem composto, bonito. Você acha que isso é fácil? Admiro o empenho de Forge, o cara conseguiu criar um mini universo inteiro, contando várias histórias dentro de uma banda. Você não é obrigado a gostar! É só não destilar ódio gratuito por eles não serem o que a sua expectativa esperava que eles fossem. As outras bandas mais pesadas, mais extremas, estão aí também! Você pode ouvir elas, não ouvir o trampo do Ghost e tem espaço pra todo mundo.

Agora é esperar que eles venham para o Brasil e desfaçam aquela imagem que ficou do show no Rock In Rio 2013, época em que as composições da banda eram desconhecidas e o visual pegou todos de surpresa. A nova vibe da banda empolga mais ao vivo, as músicas são mais pra cima e funcionam melhor. Não tirando nada do mérito das canções dos dois primeiros álbuns, Opus Eponymous e Infestissuman, que acho sensacionais. Muitos fãs, inclusive, preferem mais a época inicial do que a de agora. Mas desde o lançamento de Meliora, o lançamento do incrível single "Square Hammer" e do álbum Prequelle, a banda tomou novos rumos, que particularmente me agradam mais!

Acredito que Impera ainda vai dar muito o que falar! Todo o sucesso para o Ghost e seu líder. Eles merecem.

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