Jimi Holy: Banda de stoner rock lança "Sublimação", seu primeiro EP
Resenha - Sublimação - Jimi Holy
Por André Garcia
Postado em 30 de janeiro de 2022
Jimi Holy é uma banda de stoner rock de Cabo Frio/RJ, formada por Kal Oak (bateria e vocal), Alex Flinher (baixo) e Fhelipe Pazuzu (guitarra). Na estrada pelo underground fluminense desde 2017, o grupo já abriu show para nomes como Lâmmia e Surra.
Só que com a chegada da pandemia tudo parou. O power trio lidou com o momento se trancando no estúdio para tocar por horas, dias, semanas, meses. Daquelas sessões surgiram letras e arranjos, cujo resultado foi produzido por Davi Baeta e lançado no final de 2021 como "Sublimação", seu primeiro EP.

"Sublimação" é fruto das diferentes influências de seus integrantes, trazendo elementos de vertentes de metal como doom e thrash, bem como outras referências como jazz, blues, hardcore, grunge e, claro, stoner rock.
Mais do que um mero apanhado de músicas, esse EP é o manifesto da banda. Nele está gravado sua visão de arte enquanto refúgio para as aflições de quem chegou aos vinte e poucos anos em meio a tempos tão turbulentos e pesados.

Isso pode ser visto em letras como "Sleeping Mind", "Disappear" e "Human Demons", que falam sobre "o inferno e céu de todo dia", como escreveu Cazuza. Amor ou ódio, sonho ou pesadelo, guerra ou paz, humano ou demônio… tudo é relativo ao universo pessoal de cada um.
"Running" e "War Machine" já falam, respectivamente, sobre superar obstáculos na busca por seus ideais e uma crítica à nossa "tecno-dependência" das redes sociais. Fica a reflexão: o quanto e como isso afeta a humanidade como todo?
A escolha do veterano do underground Davi Baeta para a produção foi reconhecida pela banda como fundamental. Afinal de contas, sob sua batuta e orientações, mesmo com pouca experiência em estúdio os integrantes conseguiram registrar o som como ouviam em suas cabeças.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | O versátil produtor permitiu ao trio dar atenção à atmosfera de cada música. "Running" começa com um baixo bem marcado e bateria sólida, permitindo à guitarra "correr" pela harmonia. Já "War Machine", por outro lado, aposta no peso de bandas como Black Sabbath misturado com guitarras cacofônicas inspiradas no guitar hero Tom Morello.
1. "Running"
Após a banda se apresentar ao ouvinte em seu minuto inicial, com a entrada do vocal ganha ares de hard sententista galopado, estilo Thin Lizzy. A quebrada no ritmo logo a seguir já alerta que surpresas aguardam.
2. "Disappear"
É mais sombria e intimista, e mais complexa também, a que exigirá mais da atenção do ouvinte. Na minha opinião, se trata da faixa mais ousada. Acredito que um dia a banda explorará mais a fundo essa direção.

3. "Sleeping Mind"
Mais simples e alegre, como os momentos mais alto astral do começo da carreira solo de Ozzy. Ela também traz um riff em seu verso que me lembrou o do refrão de "For Whom the Bell Tolls" (mais uma vez os anos 80). Essa faixa parece compensar anterior sendo mais simples e palatável.
4. "Humam Demons"
Uma inesperada homenagem a duas escolas diferentes. Na primeira parte lembra "Slaves and Bulldozers", do Soundgarden, tanto pela introdução quanto pelo vocal arrastado, deslizando entre o grave e o médio, remetendo ao saudoso Chris Cornell.
A segunda metade faz uma transição para uma levada que remete aos primórdios do Metallica — mais especificamente seu disco de estreia. É interessante a queda no ritmo que leva de volta ao começo.

5. "War Machine"
Abre com o riff mais stoner do EP, mas se revela uma declaração de amor aos primórdios do hardcore. Uma música que imagino ser o momento da roda punk nos shows. A segunda parte traz um instrumental que parece ter sido composto pensando no palco.
Com o fim brusco, a última faixa nem parece ser a última — parece que tem mais. E com certeza terá, mas em seus próximos lançamentos. Afinal, em "Sublimação" Jimi Holy planta sementes, abre portas e apresenta ideias. Mais que isso, a banda dá seu recado, passa seu discurso.
Será interessante ver como ela se desenvolverá em seus próximos trabalhos. Confiramos as cenas dos próximos capítulos!
"Sublimação" foi lançado pela Ditto Music, e está disponível em todas as plataformas digitais. Conheça Jimi Holy no link abaixo.

Confira o clipe de "Running".
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