Nightwish: álbum excelente e abaixo da expectativa

Resenha - Human II Nature - Nightwish

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Por Victor de Andrade Lopes
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O título desta resenha parece absurdo, não? Ao final da sua leitura, prometo que você o compreenderá. Vamos lá: depois que o sexteto finlandês de metal sinfônico Nightwish lançou o ótimo Endless Forms Most Beautiful, um álbum que lidava com temas como biologia, evolução e natureza, deduzi que o próximo passo poderia ser abordar temas de fora da Terra - exploração espacial, vida extraterrestre, astrofísica, nosso lugar no universo, etc.

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Mas tolo fui eu de me julgar capaz de prever o tecladista, líder e principal compositor do grupo, Tuomas Holopainen - um dos poucos músicos vivos que eu me atrevo a classificar como gênio. Com Hvman. :||: Natvre. (Human Nature para os íntimos), ele expandiu temas do disco anterior ao mesmo em que aborda temáticas mais humanas.

A formação é exatamente a mesma de antes, com a diferença de que agora o baterista Kai Hahto empunha as baquetas de forma oficial - Jukka Nevalainen anunciou no ano passado que estava fora da banda definitivamente, ao menos enquanto músico.

A primeira coisa que devo falar sobre Hvman. :||: Natvre. é que ele fez o mínimo que se esperava dele: corrigiu os problemas do Endless Forms Most Beautiful Para quem não se lembra, embora ótimo, ele foi marcado pela subutilização da então nova vocalista Floor Jansen, que passou longe de mostrar todo o seu potencial, e o mesmo ocorreu com o também novo integrante oficial (mas antigo colaborador) Troy Donockley, que continuou dando as caras só esporadicamente com seus vocais e instrumentos exóticos.

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Neste lançamento eles finalmente liberam seus talentos sem amarras. No caso de Troy, deve-se mencionar ainda que Tuomas conseguiu aumentar sua dosagem sem que o sexteto virasse folk.

Mas parece que o ajuste teve um sacrifício: Marco Hietala, o baixista e também vocalista, quase não dá as caras - digo, as vozes. Fica restrito a vocais de apoio e ganha espaço digno em apenas uma faixa: "Endlessness". Há algum sentido em desperdiçar um talento desses?

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Falando especificamente das músicas, abrimos muito bem com "Music". O clima tribal que marca o pontapé inicial desemboca num trabalho típico e pesado - esta pegada tribal, agressiva, primitiva será não só resgatada, mas também aprofundada quase no final do CD 1, na empolgante e percussiva... "Tribal".

"Shoemaker" é outro destaque, não só pelo peso, mas por trazer um dos pontos altos de Floor, que ataca até com vocais operáticos - não por um acaso, ela teve de tentar vários takes até atingir o nível desejado, conforme explicou em vídeo no YouTube. E falando em peso, quem gosta deste aspecto do som do Nightwish vai se deliciar com "Pan".

"Harvest", o segundo single, também figura entre os pontos altos, sendo a faixa mais folk e a única em que a voz de Troy aparece em mais evidência, uma vez que no resto do álbum ele se limita a oferecer um belo contraponto a Floor. "How's the Heart" também traz uma boa dosagem celta e mais uma performance de gala da holandesa.

A primeira parte se encerra magnificamente com "Endlessness", um trabalho que reúne peso, emoção e toda a musicalidade característica do Nightwish. Faltou falar só da segunda faixa, "Noise", que é bem menos comercial do que se poderia esperar do primeiro single de um álbum, mas ainda assim não fica entre as melhores.

O CD 2 consiste em oito faixas que, juntas, formam uma peça extensa de 31 minutos. E é aí que reside a grande decepção de Hvman. :||: Natvre.. Esta segunda metade, que recebeu o nome "All the Works of Nature Which Adorn the World", é totalmente orquestral e instrumental (se não levarmos em conta as narrações e vocalises), fazendo dos integrantes coadjuvantes em sua própria música.

É um trabalho lindo? Não tenho a menor dúvida, chega a arrepiar em alguns momentos. Ele deu certo? Se fosse a trilha sonora de um filme ou mais uma aventura solo de Tuomas, com certeza. Mas não é. Fica a sensação de que ela foi toda criada tendo algumas imagens em mente. Imagens estas que só chegaram para o encerramento "Ad Astra" - que foi lançado como terceiro single.

Este segundo disco inteiro, atrevo-me a dizer, é descartável. Não no sentido de que seja ruim, mas no sentido de que ele não veio para somar, veio para fazer volume, o que é bem diferente. Por corresponder a praticamente 40% da obra, acaba impedindo que sua média seja alta.

Afinal, por que este é um álbum excelente que não atende as expectativas? Bom, o Nightwish é uma das melhores bandas do mundo (não só no metal, mas na música em geral), então eles teriam que se esforçar muito para fazer algo ruim. Daí o "excelente". Por outro lado, justamente por serem tão bons, esperava-se algo mais, especialmente de "All the Works of Nature Which Adorn the World", que não bate nem na trave se comparada a outras faixas épicas deles como "The Greatest Show on Earth", "The Poet and the Pendulum" e "Ghost Love Score".

Sem falar, claro, na relegação de Marco e Troy a segundo plano enquanto cantores. Gerenciar três vocalistas não é tarefa fácil, mas a matemática por sua vez não é tão complicada. No CD 1, são nove faixas: sete para Floor, uma para Troy e uma para Marco. Algo está errado nessa balança aí...

Abaixo, o lyric video de "Music"

Track-list:
Disco 1
1. "Music"
2. "Noise"
3. "Shoemaker"
4. "Harvest"
5. "Pan"
6. "How's the Heart?"
7. "Procession"
8. "Tribal"
9. "Endlessness"

Disco 2
1. "All the Works of Nature Which Adorn the World - Vista"
2. "All the Works of Nature Which Adorn the World - The Blue"
3. "All the Works of Nature Which Adorn the World - The Green"
4. "All the Works of Nature Which Adorn the World - Moors"
5. "All the Works of Nature Which Adorn the World - Aurorae"
6. "All the Works of Nature Which Adorn the World - Quiet As the Snow"
7. "All the Works of Nature Which Adorn the World - Anthropocene (inclui "Hurrian Hymn to Nikkal")"
8. "All the Works of Nature Which Adorn the World - Ad Astra"

Fonte: Sinfonia de Ideias
https://bit.ly/hvmannatvre


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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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