Rage: olhando para o passado em novo disco
Resenha - Wings of Rage - Rage
Por Ricardo Seelig
Postado em 12 de janeiro de 2020
"Wings of Rage" é o vigésimo-quarto álbum da banda alemã Rage e o terceiro com a atual formação, estabilizada desde 2015. Ao lado do icônico líder, baixista e vocalista Peter "Peavy" Wagner estão o guitarrista Marcos Rodriguez (Soundchaser, Torre de Marfil) e o baterista Vassilios Maniatopoulos (Refuge, Tri State Corner). O trio gravou os álbuns "The Devil Strikes Again" (2016) e "Seasons of the Black" (2017) nos anos recentes.

O Rage atual soa mais semelhante aos primeiros anos da banda alemã, onde o som era mais direto e agressivo. O refinamento técnico e a aproximação explícita com a música clássica vivenciados nos tempos em que a banda tinha na formação o guitarrista Victor Smolski e o baterista Mike Terrana (substituído pelo igualmente ótimo André Hilgers) deram lugar, na maior parte do trabalho, à uma sonoridade mais violenta mas que não abre mão das melodias sempre bem construídas por Peavy, o que torna o som do Rage ao mesmo tempo empolgante e acessível aos ouvidos de quem curte heavy metal. É até possível ouvir alguns vocais guturais aqui e ali, pra ser ter uma idéia.
A banda alemã mantém interessante a terceira fase de sua longa carreira – o grupo foi formado em 1984 – com um inteligente resgate de elementos do passado, o que equilibra a sua música ao mesmo tempo em que não abre mão da personalidade construída ao longo dos anos como é possível ouvir nas orquestrações presentes em "A Nameless Grave" e "Shine a Light", ainda que elas fiquem abaixo das aventuras pela música erudita vividas pelo grupo anteriormente. Destaques para a abertura com "True", "Let Them Rest in Peace" e a música título.

"Wings of Rage" não é um disco brilhante, porém é um trabalho digno e que mantém o Rage vivo, o que é algo a se comemorar em se tratando de uma banda com quase quarenta anos de estrada.
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