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Comando Etílico: valeu esperar anos por esse disco maldito atrasado

Resenha - Heavy Metal Réu - Comando Etílico.

Por Willba Dissidente
Em 19/11/19

Nota: 9

Você está pronta ou pronto para ser infectada ou infectado pelo Metal? Pois essa é a proposta do COMANDO ETÍLICO em "Heavy Metal Réu" (lesse Heavy Metal Hell), seu segundo trabalho completo. Esse disco marca 09 de ausência em relação ao debut auto-intitulado e já estava composto e gravado há 04 anos; porém por um erro de estúdio teve de ser inteiramente refeito! Ainda que tal "sorte no azar" seja rara, já acometeu, pelo menos, a dois pioneiros dos anos 1980 no Metal do Brasil: PLATINA e TROPA DE SHOCK. Siga nossa resenha e confira que tal qual um conhaque que ficou armazenado em barris de carvalho, a nova dose na adega etílica do COMANDO vem descendo queimando a garganta e botando VOCÊ para bater cabeça. Mesmo após 666 anos de espera, o Hell não decepciona!!!!

O COMANDO ETÍLICO é uma banda de Metal cantando em português que se proclama "resistência contemporânea à moda antiga"; ou seja, mantém vivo na atualidade o som e o visual dos anos 1980 no nosso estilo de som blasfemo, pesado e maldito. Por isso entendemos uma forma criativa de tocar Metal como nos anos 1980, com todos seus clichês, mas com o poder da produção moderna, sem se render a modismos. Caso essa descrição não o agrade nem precisa terminar de ler a resenha, mas caso você fique curioso ao ver o vídeo, sacar o texto e as músicas, seja bem-vindo a um som que mescla Heavy com Thrash, principalmente, além de pitadas de Power e até Doom com letras falando do capeta, do Mal, de beber e de histórias épicas.

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Com 43 minutos de duração, o Cd é produzido por Nilson Eloy (também o modelo de capa) do grupo de Rock Progressivo nordestino HARDWIND, que dividiu os trabalhos técnicos com Fernando Rebouças. Se o time laboral segue quase o mesmo dos trampos anteriores, o disco começa com uma faixa de introdução - algo novo para a banda. "A Queda do Martelo" não é instrumental, ainda que não tenha letra. Parece a "Anthares" do ANTHARES ou a "Transgressão" do VINGANÇA SUPREMA, no sentido de ser mais leve e prenunciar a porradaria. "Jonny Letal", que já havia sido liberada como single há anos, é aquela canção que nos deixa em dúvida se o COMANDO é um Heavy muito rápido e agressivo ou um Thrash por demais rebuscado. "Sacrificar" e "Vomitar" (em que a banda faz concursos de Vômitos no shows) corroboram com essa dúvida; o baixo galopante de David Praxedes é perfeito para os mosh pitts e stage divings. "Estação Antiga", que é do primeiro EP, mas foi regravada e virou clipe, também tem essa levada Thrash, ainda que com o refrão contrastando no dedilhado de guitarra com o bumbo duplo. Inclusive, a bateria de Kleber Barbosa é um dos destaques do disco, pois seja em andamentos rápidos ou cadenciados, o batera consegue encher o som com suas levadas inventivas. Logo no comecinho da audição do álbum se destaca também Hervall Padilha. Ele não só canta muito bem dominando os graves e agudos (sem ser apelativo), mas escreve letras preocupação estética e literária, o que é bem incomum no Heavy e no Thrash brasucas.

Estamos falando muito em Thrash, mas o COMANDO ETÍLICO não é exatamente uma banda de Thrash. Tanto que a faixa título (que tem o solo de guitarra mais notório do sempre inspirado Lucas Praxedes), "Maldição" (com sua introdução de bateria) e "A Gangue das Correntes" (cujo solo de guitarra é mais à la Ace Frehley do KISS) são bem JUDAS PRIEST ou ACCEPT entre 1982-84. Mas ainda assim, são temas que rolam de ficar no pogo durantes os shows. Importante frisar, para você que está reparando nos títulos dos temas, que esses números tem letras tratando do Mal e blasfêmias, que certamente vão incomodar ouvintes mais caretas e apegados à moral judaico-cristã.

Um dos destaques do play é certamente "Infectado pelo Metal", com seus riffs e andamentos mais voltados ao Speed Metal e a linha de vocal mais bacana do atual trabalho. Rolam até uns "Ah, Ah Ah" no solo que ficará muito legal ao vivo, ainda mais pelo trampo massa de bumbo duplo.

"Atlântida" é o que poderíamos chamar de Heavy Metal Progressivo, SEM aquela coisa de progressivo com tempos quebrados à la DREAM THEATER. É uma novidade na carreira do COMANDO, pois tem uma andamento Speed / Power Metal que vira um Thrash no estilo MURO, da Espanha, que vai cair numa sequencia Doom Metal que agradará até os fãs de CANDLEMASS! Após o solo de guitarra, "Atlântida" entra num interlúdio de notas agudas no baixo, até mais cadenciado e lento que na introdução do play, parecendo até que vai parar a canção voltando à selvageria do riff inicial. É a canção mais comprida do disco e da carreira do grupo e vale cada segundo.

O terceiro destaque também tem a ver com Doom Metal, o tema "O Pacto". Essa música tem o refrão mais legal e criativo do disco, repetindo normal na primeira audição e na segunda com os background vocals. É outra candidata à campeã dos vindouros concertos.

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"Meia-Noite, seis-seis-seis, ao réu condenação"! "Heavy Metal Réu" mostra que ainda que combalido e fatigado, o fígado do COMANDO ETÍLICO segue vivo, saudável e ainda aguentando muita cachaça. Com temas e produção mais sombria em relação aos trabalhos anteriores (já que aqui NÃO se encontram letras sobre festas). O tempo que Réu ficou engavetado não o tornou enlatado, burocrático ou fez soar como datado e requentando. Temos, pois, uma banda desenvolvendo sua identidade própria dentro de seus próprios ditames. Para quem curte Metal em português, em especial o tradicional, mas não tem preconceito com outros gêneros do som pesado e não ficará ofendido com as letras não-cristãs, "Heavy Metal Réu" soa tão bem e prazeroso como aquela cervejinha no começo de noite de um daqueles dias quentes como o inferno!

"Meia-noite, seis-seis-seis", ao réu absolvição, pois é um dos candidatos e melhor disco nacional desse ano. E você? Consegue dizer seu veredito desse "Heavy Metal Réu"?

"Heavy Metal Réu" vem em disco prensado prateado e caixinha de acrílico. O encarte possui 16 páginas com arte gráfica feita pelo próprio Hervall Padilha, com sua própria visão do que seria o inferno que está acorrentado o padre. O disco físico pode ser adquirido diretamente com a banda por meio de suas redes sociais, links ao final da resenha, e ouvido digitalmente (não que o Rock Dissidente recomende isso) nos links pelo texto.

Indicado para os fãs de: COMANDO NUCLEAR, FLAGELADOR, BATTALION, HARPAGO, DORSAL ATLÂNTICA etc.

COMANDO ETÍLICO:

Hervall Padilha (Pança) – Voz
Lucas Praxedes (Boy)– Guitarra
David Praxedes (Dallas)– Baixo
Kleber Barbosa (Binho) – Bateria

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Discografia:

Metal e Prazer (EP, CD, 2007)
Comando Etílico (Full-length, CD, 2010)
Legado (Single, CD, Digital, 2011)
Amazônia Inferno Metal (participação em tributo, CD, 2013)
Jonny Letal (Single, Digital, 2015)
Heavy Metal Réu (Full-lenght, CD, 2019)

Heavy Metal Réu - 2019 - Nacional - Independente - 43:03.

01 . A Queda do Martelo (01:59)
02 . Jonny Letal (04:13)
03 . A Gangue das Correntes (03:39)
04 . Maldição (03:42)
05 . Infectado pelo Metal (04:11)
06 . Estação Antiga (02:58)
07 . Atlântida (06:16)
08 . Heavy Metal Réu (04:49)
09 . O Pacto (03:55)
10. Sacrificar (04:15)
11. Vomitar (02:59)

Facebook:
https://www.facebook.com/bandacomandoetilico/

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Sobre Willba Dissidente

Willba Dissidente é fã das bandas de hard rock dos anos 70 e 80 e de metal oitentista dos mais variados países. Quem quiser saber mais deve acessar seu canal no youtube. Obrigado! Stay Hard (True As Steel)!

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