Blind Guardian: disco orquestrado surpreende pelo alto nível apresentado

Resenha - Legacy of the Dark Lands - Blind Guardian

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Por Ricardo Seelig
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É óbvio, mas precisa ser dito: esqueça o Blind Guardian convencional ao ouvir "Legacy of the Dark Lands". O novo álbum do grupo já mostra isso nos créditos, já que é creditado à Blind Guardian Twilight Orchestra e não à banda. Deu pra entender a diferença, certo? Na prática, temos os alemães acompanhados pela Orquestra Filarmônica de Praga, criando a trilha sonora para uma saga que é a sequência do livro Die Dunklen Lande (As Terras Escuras, em português), escrito pelo compatriota Markus Heitz, uma das novas forças da literatura de fantasia.

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Quem acompanha a carreira do Blind Guardian sabe que a banda sempre teve o desejo de gravar um álbum acompanhado por uma orquestra. "Legacy of the Dark Lands" é a concretização disso, um processo que demorou mais de vinte anos para ser finalmente realizado e que teve a sua origem ainda na década de 1990, alguns anos antes do magistral "Nightfall in Middle-Earth" (1998). Um ponto importante e que precisa ser mencionado é que este novo trabalho não traz a instrumentação característica do rock – guitarra, teclado, baixo e bateria. Pelo contrário: a parte instrumental é feita totalmente pela orquestra, com Hansi Kürsch postando-se à frente dos músicos e sendo amparado por coros. Logicamente, essa abordagem mostra o Blind Guardian aventurando-se por um terreno totalmente novo e que pode não agradar uma parcela dos fãs.

"Legacy of the Dark Lands", como toda obra de música clássica, orquestrada ou erudita – chame como quiser -, não foi feito para ser ouvido de maneira descompromissada e rápida. O trabalho demanda a parceria e a atenção do ouvinte para ser apreciado em sua totalidade. Contando com diversas narrações entre as músicas, que vão apresentando a história e os personagens – e cujos narradores, em muitos casos, são os mesmos de "Nightfall in Middle-Earth" -, o disco funciona como uma grande peça única.

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Lembro que muito se falou na época da adaptação cinematográfica da saga O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien, que o Blind Guardian deveria estar na trilha sonora, já que a banda alemã possui uma relação profunda com a obra de Tolkien. Pois bem: Hansi Kürsch e André Olbrich provam com "Legacy of the Dark Lands" que possuem capacidade para realizar um trabalho dessa magnitude. Em diversos momentos é possível imaginar as canções do álbum como trilha para as batalhas com orcs, para as cenas com Aragorn e Legolas, para a jornada de Frodo, para o retorno de Gandalf e diversos momentos marcantes da trilogia dirigida por Peter Jackson.

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"Legacy of the Dark Lands" é um trabalho criativo, grandioso e épico, sem igual na carreira do Blind Guardian. Mas, sobretudo, é um disco corajoso e destemido, que traz a banda indo por um caminho que nunca pisou de maneira tão profunda, abrindo mão de sua sonoridade clássica e explorando todas as suas aspirações em relação a um elemento que esteve sempre presente em sua música: as orquestrações. O resultado é um disco complexo e muito bonito, que não tem nada de power metal e mostra o Blind Guardian, principalmente Hansi, brilhando de uma maneira que poucos imaginariam.

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Vale a pena, e muito.

Lançamento nacional da Shinigami Records.


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