Timo Tolkki: em Return to Eden, o melhor trabalho em anos
Resenha - Return to Eden - Timo Tolkki's Avalon
Por Ricardo Seelig
Postado em 27 de julho de 2019
Os clichês expressam ideias já batidas, lugares comuns e fórmulas repetitivas. Dependendo de como são usados, podem ser aplicados como críticas ou elogios. Aqui, será o segundo caso. O clichê – ou ditado - em questão é "quem foi rei nunca perde a majestade", e ele resume com perfeição o que ouvimos em "Return to Eden", novo álbum do Timo Tolkki’s Avalon, a ópera metal do ex-guitarrista do Stratovarius.
Tolkki fundou a banda em 1984 e a liderou por mais de duas décadas, quando anunciou o seu afastamento do grupo. Durante este período, o Stratovarius se transformou em um dos principais nomes do power metal em escala planetária, gravando discos que são referências no estilo como "Episode" (1996), "Visions" (1997) e "Destiny" (1998). Em 2004, Timo foi diagnosticado como portador de distúrbio bipolar e sofreu um colapso nervoso, em um processo que o levou a deixar o grupo em 2008.
Os problemas de saúde não impediram o guitarrista de seguir na ativa com novos projetos como o Revolution Renaissance e o super grupo Symfonia (ao lado de Andre Matos e de Uli Kusch, ex-baterista do Helloween), porém nenhum destes trabalhos alcançou destaque. Gradualmente, Tolkki foi retornando ao universo do metal melódico com o Avalon, uma ópera metálica que estreou em 2013 com "The Land of New Hope", lançou a sua sequência "Angels of the Apocalypse" em 2014 e ganha a sua conclusão com "Return to Eden".
O capítulo final de Avalon chegou às lojas e ao streaming dia 14 de junho e, se você é ou um dia já foi fã de Timo Tolkki, deveria parar para ouvir o que o guitarrista fez neste disco. É aqui que a frase lá do início faz sentido e mostra o quanto é verdadeira. Tolkki foi uma peça central no desenvolvimento, evolução e popularização do power metal, e conhece o gênero como poucos. Essa experiência é retomada em "Return to Eden", em um trabalho de composição muito bem feito e que retoma elementos do Stratovarius e os insere no Avalon. Isso faz com que o disco possua um inequívoco apelo emocional para quem acompanhou o auge do estilo durante a década de 1990, fazendo com que a satisfação em ouvir o álbum seja instantânea.
"Return to Eden" conta com doze faixas e traz as participações dos vocalistas Todd Michael Hall (Riot V), Mariangela Demurtas (Tristania), Zachary Stevens (Savatage, Circle II Circle), Anneke Van Giersbergen (The Gathering, Ayreon) e Eduard Hovinga (Elegy), além de músicos de apoio. As canções variam entre o power metal com pegada clássica – ou seja: músicas rápidas, técnicas e agressivas – e outras onde a aproximação com o hard rock é evidente – caminho que a principal referência em se tratando de metal opera, o Avantasia de Tobias Sammet, também seguiu em diversos discos.
O guitarrista conseguiu entregar um álbum redondo e cativante, algo que há muito tempo não era sentido em um trabalho com a sua assinatura. A abertura com "Promises" já causa uma ótima sensação, fato que a voz de Hall intensifica. Seu registro é agudo e na linha do que se espera de um metal melódico de qualidade, e a forma como a música é construída, seus riffs e arranjos e timbres, imprimem uma aura contemporânea à canção. O lado épico do gênero bate ponto na faixa título, onde Hall ganha a companhia de Demurtas e Stevens nos vocais principais. A bela voz de Anneke coloca "Hear My Call" e "We Are the Ones", ambas bem acessíveis e amigáveis para ouvintes de fora do metal, em destaque. Outros ótimos momentos estão em "Now and Forever" (novamente com Todd Michael Hall), a rápida "Limits" (com Hovinga) - que conversa com os anos dourados do Stratovarius -, "Wasted Dreams" (com Stevens) e o encerramento com "Guiding Star" (com Demurtas).
Em relação ao trabalho de guitarra, os riffs e harmonias são bem feitos e mostram que Tolkki não ficou parado no tempo, enquanto os solos caminham sempre por escolhas mais melódicas e deixam de lado a abordagem fritadora do passado.
Esse disco transmite uma ótima sensação, pois resgata um dos grandes nomes da história do metal e mostra que, apesar dos problemas pessoais, Timo Tolkki ainda é um mestre no estilo que o consagrou.
Um belíssimo trabalho, e que espero que ganhe edição nacional.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A maior banda do Brasil de todos os tempos, segundo Andreas Kisser do Sepultura
Regis Tadeu esclarece por que Elton John aceitou tocar no Rock in Rio 2026
Guns N' Roses anuncia valores e início da venda de ingressos para turnê brasileira 2026
Para Edu Falaschi, reunião do Angra no Bangers Open Air será "inesquecível"
As 3 bandas de rock que deveriam ter feito mais sucesso, segundo Sérgio Martins
Nevermore só deve anunciar os novos integrantes em março do ano que vem
O disco do Dream Theater que Felipe Andreoli levava para ouvir até na escola
Os quatro clássicos pesados que já encheram o saco (mas merecem segunda chance)
James Hetfield deu o "sinal verde" para vocalista do Paradise Lost cortar o cabelo nos anos 90
Hall da Fama do Metal anuncia homenageados de 2026
Mantas convidou Cronos para reunião da formação clássica do Venom
"Estou muito feliz pela banda e por tudo que conquistamos", afirma Fabio Lione
A maior canção já escrita de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
Os melhores covers gravados por bandas de thrash metal, segundo a Loudwire
All Metal Stars BR: "É preciso manter os nossos ídolos vivos", diz Thiago Bianchi

Timo Tolkki - performance curta mas impecável em Porto Alegre


