Ghost: o metal encontra o pop em um disco perfeito

Resenha - Prequelle - Ghost

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
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Em seu quarto disco, o Ghost intensifica uma característica que sempre esteve presente em sua música: o apelo pop. E isso não é demérito algum, pois ele é construído através de melodias fortes, refrãos pegajosos e uma aura de acessibilidade que contrasta de maneira direta com o discurso presente nas letras, que seguem explorando temas sombrios e demoníacos.

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"Prequelle" foi lançado dia 1 de junho de 2018 e é o sucessor de "Meliora" (2015). A mudança de direção, que não foi brusca, já havia sido antecipada nos dois EPs liberados anteriormente pela gangue de Papa Emeritus (agora rebatizado como Cardinal Copia), os ótimos "If You Have Ghost" (2013) e "Popestar" (2016), que trouxeram covers de nomes como ABBA, Depeche Mode, Echo & The Bunnymen e Eurythmics, além da inédita "Square Hammer". Ao trazer o pop para a sua música, o Ghost apenas resgata uma característica inerente ao heavy metal. Ou você não lembra de hits grudentos como "Paranoid", "Enter Sandman" e "Fear of the Dark"?

O fato é que "Prequelle" é um dos trabalhos mais sólidos do Ghost e talvez seja o que contém o tracklist mais redondo. As dez músicas do disco mostram um desfile de ótimas ideias, com tudo no lugar e nenhum exagero, bem como nenhuma delas soa desnecessária. Há os destaques imediatos, como as grudentas "Rats" e "Dance Macabre", que desde já devem marcar presença permanente nos shows do sexteto. O aspecto mais contemplativo da banda vem à tona com a bela "Pro Memoria", dona de uma linha de piano de arrepiar, e o encerramento com a igualmente transcedental "Life Eternal".

E no meio do processo ainda há espaço para o metal bem NWOBHM de "Faith" e para duas faixas instrumentais absolutamente sensacionais. "Miasma" é um exemplo da extrema musicalidade da banda sueca, com direito até a um improvável solo de sax Gavin Fitzjohn. E em "Helvetesfonster" temos a presença ilustre de Mikael Akerfeldt, do Opeth, na guitarra acústica, em mais um exemplo de como Cardinal Copia e sua turma são bem relacionados com a nata da música pesada. Além disso, a passagem de piano que essa composição contém demonstra a qualidade acima da média dos instrumentistas da banda.

"Prequelle" mostra o Ghost dando um grande passo para fora do nicho do heavy metal, em uma decisão inteligente, muito bem executada e, ao que tudo indica, permanente. Em todos os aspectos trata-se de um disco excelente, com qualidade de sobra para transformar a banda em um fenômeno de popularidade em todo o mundo. E o que é melhor: isso irá acontecer embalado por música de inegável qualidade.


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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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