Pitty: Em 2005, a hora de mostrar o segundo álbum

Resenha - Anacrônico - Pitty

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Por Marcio Machado
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Nota: 8

Pitty despontou para o Brasil em 2003 com seu "Admirável Chip Novo", trazendo um som que de início parecia algo voltado aos mais jovens, mas não vendo isso como algo que faça o trabalho ser ruim, longe disso, mas ao mesmo tempo um potencial era visto ali. A baiana conquistou sua leva de fãs, deu as caras em rádio e televisão e em 2005 era chegada a hora de mostrar qual seria o resultado desse sucesso e chegar o segundo álbum. Aqui aquele potencial que era visto lá no primeiro trabalhado é finalmente escancarado, Pitty e sua trupe trazem um som mais amadurecido, incendiado de influências e uma banda mais afiada, sem perder a marca que a cantora construiu até ali, de personalidade forte e se usando de certos clichês para alcançar seu público, assim é "Anacrônico"

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"A Saideira" abre o disco com uma guitarra bem crua, mostra uma certa diferença, ali já vemos que as melodias seguem para algo que prende de cara o ouvinte, ao mesmo tempo que o som mais sujo aparece. Pitty mostra um vocal mais "encorpado" quando surge e vemos que suas letras dessa vez seguirão para um algo mais melancólico que no álbum anterior.

A segunda faixa já traz o peso cadenciado de outrora, mas logo cai em um ritmo mais lento. O tema título, "Anacrônico" é um tanto intrincado, tem um trabalho da banda fantástico, seu refrão é um nó nos ouvidos do expectador e esse loop alternando entre o pesado e o lento cria uma faixa um tanto hipnotizante. Existe uma passagem na metade da música que é uma delícia de se ouvir, destaque para a bateria de Duda Machado. Uma das faixas que mais se sobressaem no trabalho.

"De Você" começa com um riff de guitarra que vagamente vai remeter à algo do mundo do Heavy Metal um tanto conhecido, mas logo descamba pra um andamento mais punk com refrão forte. A letra é um destaque que há de se falar aqui, sobre um auto conhecimento e tratando daquela mesma alienação do primeiro disco. Quando se pensa que as coisas acabaram, um andamento arrastado com cara de grunge da as caras e deixam as coisas um tanto pesadas e sombrias, mostrando que não há brincadeira.

A introdução de baixo em "Memórias" traz um começo um pouco mais calmo, mas logo Peu Sousa da as caras com uma guitarra um tanto suja e leva tudo num ritmo agitado, pra cair em outro refrão intricado como na faixa título, mas dessa vez mais chiclete e pega fácil. Acaba se repetindo um pouco, mas nada que estrague a qualidade da audição.

"Deja Vu" é um dos símbolos deste álbum, fez um sucesso enorme, virou single e gastou de tanto tocar nas rádios e aparições da moça na TV, ganhou um clip bonitinho, e isso é ruim? Não! A música é muito boa, mesmo os mais xiitas torcendo a cara pra sua temática mais "adolescente". A música é muito bem construída, dosa bem entre peso e melodia, banda super entrosada,tem uma Pitty cantando de forma natural e com qualidade, entra na roda das melhores por aqui.

Levando as coisas pro hardcore e sair da vibe deprê, "Aahhh...!" leva seu nome a fundo, é uma música pra se abrir as rodas nos shows, bater cabeça em casa na frente do som e berrar ao se cantar, rápida, direta e simples.

"Ignorin'u" faixa cantada em inglês, e que faixa é essa?! Flerta com o rock tradicional e o blues e que coisa maravilhosa de se ouvir! Pitty coloca um feeling gigante aqui, cantando partes horas gritados, hora com a melancolia de alguém vindo de Seattle e tem um solo muito bacana, mesmo que simples, casa perfeitamente com a proposta do seguimento.

"Brinquedo Torto" é uma faixa bacana, apesar de achar meio fraca perto das demais, mas ainda apresentando passagens instrumentais interessantes. Em seguida temos outro hit do álbum, "Na Sua Estante" é outra das faixas que secaram de tanto rodar. Porém, nesse caso não se trata de algo tão interessante, longe de ser ruim, mas é um pouco enjoativa devido à suas poucas mudanças, ainda assim tendo uma Pitty mandando muito bem no vocal.

"No Escuro" parece algo diretamente saída de um disco do Nirvana, e isso é um tanto legal de se ouvir e reconhecer, mas a pobreza da letra parecida escrita por um adolescente que vai tocar no festival da escola impede que a faixa seja maior. Vale mesmo a intenção de reproduzir uma das bandas que mais influenciam Pitty em sua trajetória, até seu vocal se arrisca a se aproximar dos berros de Kurt Cobain.

"Quem Vai Queimar" é bastante interessante, fala sobre a inquisição e seus costumes de outrora. O andamento instrumental lembra algo do Rage Against The Machine, tem uma bela levada de baixo. A letra como falado é um tanto forte e tem um belo refrão, bastante melódico e pega muito rápido. Minha favorita no disco.

Num ritmo mais agitado, "Guerreiros São Guerreiros" é pesada e cadenciada, numa espécie de vocal mais voltado pro ska, e assim se constrói uma faixa muito boa, das mais viciantes aqui. De novo se destaca o trabalho da banda e seu groove, fora a mudança de ritmo em sua metade, onde nos levam pra algo bem atmosférico. E seu final já dá gancho para o encerramento de "Anacrônico", "Querer Depois", é uma faixa instrumanel bem rápida que finaliza o trabalho com um som de notas de piano acompanhadas pelo resto da banda, onde surgem algumas vozes em seu fim.

Pitty se afirmava aqui como um nome forte da cena rock nacional, trouxe dois trabalhos um tanto satisfatórios e de boa qualidade, mesmo muitos torcendo a cara para aceitar isso, a baiana que podia ser mais uma enveredada pelo caminho do axé optou pelas distorções e soube muito bem conduzir essa escolha, pelo menos até aqui, escolhendo alguns momentos duvidosos na carreira adiante, mas não é o caso pra se falar aqui. "Anacrônico" é sim um ótimo álbum daquela geração dos anos 2000, em meios à alguns preconceitos, se sai acima disso e mostra qualidade.


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Sobre Marcio Machado

Estudante de história, apaixonado por cinema e o bom rock, fã de Korn, Dream Theater e Alice in Chains. Metido a escritor e crítico.

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