Stryper: Não é hora de se reinventar não?
Resenha - God Damn Evil - Stryper
Por Guilherme Santos
Postado em 06 de agosto de 2018
Já faz algum tempo que venho ensaiando escrever essa resenha para o novo disco do Stryper. Sou fã confesso da banda há mais ou menos dez anos e tenho acompanhado de perto a carreira dos estadunidenses nessa atual fase. Embora fã, não sou, entretanto, do tipo que aplaude qualquer coisa que Michael Sweet e companhia lançarem (vide minha resenha para "Fallen", último disco da banda, também postada aqui no Whiplash.net, do qual gostei, mas não me agradou 100 por cento).
Antes que o fã mais ovacionado venha me jogar pedras, achei lúcido abordar esse meu ponto de vista logo na introdução. Esclarecida a questão, vamos em frente. "God Damn Evil" foi lançado a cerca de três meses e após repetidas audições, acredito que estou preparado para escrever esta resenha e ser o mais justo possível em minhas conclusões. Você pode ou não concordar comigo e isso é que é o legal da coisa leitor.
Numa contextualizada rápida, o atual disco já causou certa polêmica pelo título (Deus condena o mal, em português) e algumas lojas, como a grande Walmart não concordaram em colocar o produto em suas prateleiras. Quanto a arte de capa, repete-se aqui o mesmo estilo dos dois últimos discos, aquela coisa colorida de que não gosto muito.
Deixando esses detalhes de lado, vamos à música que é o que interessa para nós. O álbum, assim como seu título abre de forma controversa, com a pesada "Take It To The Cross", que pegou todos de surpresa pelo seu refrão totalmente inesperado (mal esperado?). Apesar de ter ouvido o disco tantas vezes, ainda acho o refrão desconexo com o restante da música. Os falsetes à lá Judas Priest não me pareceram realmente impactantes (no bom sentido) e aquele gutural no final mostrou-se estranhamente ousado para os padrões do Stryper. Acho que a banda pensou: "vamos fazer algo bem diferente e impressionante". Diferente, nem tanto e o que era para ser impressionante ficou mais com cara de confuso.
Depois do baque nitidamente confuso do início, o Stryper que conhecemos dá as caras com "Sorry", faixa bem legal, com ótimas linhas de guitarra. "Lost" é a próxima e é para mim a melhor música do play. Os agudos precisos de Sweet e as guitarras do próprio com as de Oz Fox demonstram mais uma vez um entrosamento descomunal.
A faixa-título é outro grande momento, com um baita refrão e uma pegada mais clássica da banda, mesclada ao hard rock. A partir de "You Don’t Even Know Me", parece que começo a ouvir repetições do que o Stryper já fez antes, principalmente em seus trabalhos mais recentes. As músicas não são ruins, mas parecem não prender tanto a atenção. "Beautiful" parece ter saído do "Murder By Pride"; "The Valley" tem um riff similar a "Heaven And Hell" e parece ser a nova "Marching Into Battle"; "Sea of Thieves" e "Own Up" não convencem tanto, são interessantes e só. A balada da vez é "Can’t Live Without Your Love"e é talvez mais legal do que interessante.
O encerramento é o que sempre surpreende nos discos do Stryper, já que finalizam geralmente com músicas rápidas e matadoras. "Devil Doesn’t Live Here" cumpre bem o papel e é sem dúvida um destaque, embora sempre fique aquela impressão de que o Stryper já fez coisa melhor.
O cover, sempre presente nos discos da banda ficou de fora desta vez. Explica-se as 11 faixas então (a banda geralmente tem lançado trabalhos com 12 músicas). Pensaram em gravar um cover? Não se sabe.
A audição de "God Damn Evil", finalmente, me levou a duas constatações. A primeira, a de que o Stryper continua uma banda formidável, com músicos geniais, nunca antes vistos e dificilmente superados. A segunda, a de que todo o talento de Michael Sweet (vocal e guitarra), Oz Fox (guitarra), Robert Sweet (bateria) e do mais recente membro do time Perry Richardson (baixo) ficou aquém da originalidade, pois o disco soa extremamente repetitivo em vários momentos.
Talvez seja a hora de Sweet e cia pensarem em novos rumos e dar uma guinada na banda, experimentar algo diferente. Apesar da controvérsia de "Take It To The Cross", admiro a ousadia da banda em fazer algo inédito. E, acho que não precisa ser assim tão pesado como a banda tem se proposto a fazer. A música, e sobretudo o rock, é muito heterogêneo. Esses caras precisam se reinventar. O mais importante eles já têm, o talento; e este, literalmente abençoado.
Tracklist:
1. "Take It to the Cross"
2. "Sorry"
3. "Lost"
4. "God Damn Evil"
5. "You Don't Even Know Me"
6. "The Valley"
7. "Sea of Thieves"
8. "Beautiful"
9. "Can't Live Without Your Love"
10. "Own Up"
11. "The Devil Doesn't Live Here"
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