Arctic Monkeys: certeza que é mais uma cria do Deus David Bowie
Resenha - Tranquility Base Hotel & Casino - Arctic Monkeys
Por Bruno Camargos
Postado em 21 de maio de 2018
Há quase duas semanas foi divulgado um dos lançamentos mais esperados do ano corrente, "Tranquility Base Hotel and Casino" do grupo inglês Arctic Monkeys, e desde então, diversas críticas foram dirigidas ao álbum. Por um lado, fãs ortodoxos têm demonstrado desapontamento pelo som mais "plástico" e sintético em relação aos outros trabalhos da banda. Por outro lado, os mais receptivos abraçaram a proposta experimental do trabalho e fazem elogios ao talentoso vocalista, guitarrista e principal compositor da banda, Alex Turner, pelo amadurecimento na composição das canções.
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Ao nos distanciarmos dessas opiniões que têm circulado nas redes sociais, se é que há essa possibilidade, notaremos, por autonomia, (i) uma melodia realmente mais "plástica", porém, menos pop que o último álbum ("AM", 2013) e, aliás, com uma erudição nunca antes vista no Arctic Monkeys, carregada de experimentações que nos remetem, principalmente, ao último trabalho do brilhante David Bowie ("Blackstar", 2016) e, até mesmo, às obras geradas da parceria deste com o Brian Eno (a chamada "Trilogia de Berlim", 1977-1979); (ii) uma atmosfera sonora letárgica e monofônica - já apelidada pelos haters de "Rádio Alpha FM" - que vinha sendo explorada pelo trabalho do Turner no supergrupo The Last Shadow Puppets; e, por último, (iii) uma riqueza literária infinitamente superior em relação aos álbuns anteriores, a qual se deve às novas influências, cinematográficas e literárias, sobre o Turner.
Tudo isso é, de fato, muito bom para quem está calejado com os trágicos deslizes das bandas que apostaram em canções pop para alcançar o sucesso comercial, como o Coldplay, e aguardava a transformação do Arctic Monkeys em mais um Twenty One Pilots após o sucesso do consagrado "AM". Por isso, a recepção vem acompanhada por surpresa, afinal, assim como disse Noel Gallagher (ex-Oasis), ninguém esperava experimentação do Arctic Monkeys. Não há mais nada a reconhecer senão que a discografia do grupo britânico continua intocável, porém, agora mais rica artisticamente, o que nos leva à ansiedade para o próximo álbum.
Por fim, "Tranquility Base Hotel and Casino" nos traz a certeza que o Arctic Monkeys é mais uma cria do Deus David Bowie. Por isso, ouçam-o se querem entrar no paraíso.
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