Evadne: O revitalizante som do pesar mortuário
Resenha - A Mother Named Death - Evadne
Por Marcelo Hissa
Postado em 26 de fevereiro de 2018
Nota: 7 ![]()
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De Valência na Espanha, Evadne lança o terceiro álbum de estúdio que recorre ao doom metal melancólico. A Mother Named Death segue a norma padrão da banda de propagar músicas longas, cadenciadas, submersivas e com frugal apelo gótico na melodia.
O Evadne vai chancelando a assinatura em cada lançamento. O vocalista Albert com seus vocais guturais distorcem a sonoridade para uma vocação mais death metal, mas sem exagerar no extremismo e sob cadência morosa doom . O gótico surge nas incursões de serenidade vocal e de cordas associado ao piano sutil. Quando o Abode of Distress limpo e atmosférico evolui rapidamente para o o peso deturbado opressivo a primeira coisa que se percebe é a melodia consonante com a temática amargurante doentia. Em nada isso é purificado pela influência gótica, pelo contrário escancara a fragilidade da facinação pela sombriedade funerária.
A alternância de pulso distorcido doom com o desanuvido climático em cada música é feita de forma sutil, respeita a submersão hipnótica do ouvinte evitando sobressaltos, vide a construção Heirs of Sorrow, simplesmente espetacular. Na instrumental 88:6 a teatralidade atinge seu clímax com a atmosfera criada no piano crescente, abre terreno para para o encerramento com a pesada mas ainda sentimental Black Womb of Light e a lúgubre The Mourn of the Oceans.
Ouvir Evadne é adentrar um belo jardim pútrido, pútrido não no sentido de glamourizar o mórbido, honrar o macabro. A beleza pestilenta é pesarosa e impotente, esmagada sob a sensação de perplexidade no luto melancólico. Ouvir Evadne nos faz se sentir extremamente vivos.
TrackList
1.Abode of Distress 09:30
2.Scars that Bleed Again 08:27
3.Morningstar Song 09:34
4.Heirs of Sorrow 08:29
5.Colossal 08:42
6.88:6 03:27
7.Black Womb of Light 07:51
8.The Mourn of the Oceans 08:10
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