Genesis: O álbum-embrião da sonoridade da banda

Resenha - Trespass - Genesis

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Eu já havia falado sobre o Genesis no passado, confira aí no site. Hoje vamos pegar nossa máquina do tempo e voltar lá no início dos anos 70, bem no iniciozinho mesmo. Uma banda ainda obscura, com um produtor que adorava os Bee Gees, havia convencido um grupo de estudantes de música a gravar um disco com a sonoridade dos Bee Gees. Não deu certo; ganharam o apelido sarcástico de "Genesnooze". No entanto, não se deram por vencidos. Assinando contrato com a Charisma Records, e assumindo as rédeas de suas carreiras musicais, agora oficialmente profissionais, o grupo resolveu procurar o seu rumo. E se encontrou.

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Trespass pode ser considerado o álbum-embrião da sonoridade do Genesis como viemos a conhecê-la em sua era mais progressiva. Todo disco é adornado com melodias clássicas e arranjos sensacionais de música folk que nos fazem viajar e entrar em contato com algumas das mais belas melodias já escritas. É um disco realmente muito subestimado do grupo inglês e que tem que fazer parte de sua discografia, se você é um fã de música progressiva.

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Tudo aquilo que o grupo não conseguiu fazer no primeiro disco para poder agradar o produtor, eles conseguem realizar aqui neste segundo. O álbum é realmente uma verdadeira aventura sonora. Começa abrindo com a longa "Looking for Someone" e suas complexas estruturas melódicas e rítmicas, bem como a sua letra enigmática de um homem tentando encontrar seu lugar. Podemos considerar esta faixa como o perfeito momento de transição sonora do grupo; eu tenho certeza que a surpresa dos poucos que ouviram esta mudança de sonoridade foi bem grande, e considerando que o primeiro disco teve parca distribuição e foi um fracasso de vendas e crítica, creio que muita gente nesta época teve seu primeiro contato com o grupo a partir deste álbum.

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Quando o grupo começou, eles não tinham baterista, tratava-se de um quarteto que tocava músicas folk. John Silver e Chris Stewart davam uma mãozinha com o ritmo. Com a vontade de alçar voos mais altos, a necessidade de um baterista fixo se fez imediata, então John Mayhew foi o primeiro baterista fixo, embora fosse o terceiro ritmista a passar pela banda; mas não durou muito. Mayhew era bem limitado tecnicamente, e a banda precisava de alguém mais qualificado para assumir as baquetas e produzir as passagens complexas e quebradas escritas para os épicos. Foi aí que, tentando preencher rapidamente a vaga após a gravação do disco, a banda encontrou Collins, e Mayhew pediu as contas; então o disco foi lançado e eles saíram em uma pequena turnê. Mas o que Mayhew conseguiu fazer neste disco apenas foi o suficiente para que a banda finalmente despontasse, muito embora ainda não tenha sido a consagração do grupo.

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É o que novamente podemos observar em uma composição ótima e bastante sentimental como "White Mountain", com passagens bastante mutáveis e complicadas, e uma letra bem alegórica, que apresenta futuros elementos lúdicos que Peter Gabriel irá abordar em futuras incursões do grupo. Esta faixa destaca muito bem as grandes influências em obras surreais como as de William Blake e de Lewis Carrol, das quais a banda trazia inspiração para compor seus números. Já "Visions of Angels" remete de novo à elementos da Bíblia, como foi no primeiro álbum, mas agora com uma aproximação totalmente diferente, e um tratamento musical diferenciadíssimo.

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Aí nós chegamos naquele que eu acredito com toda certeza do mundo, ser o momento máximo deste disco. Pessoalmente, se tem uma música que eu destacaria para nos lembrarmos de Trespass, seria a próxima, "Stagnation". Eu coloco este épico maravilhoso em uma lista pessoal das melhores composições do grupo em qualquer momento. Ela começa delicada, com um tímido arranjo de Phillips acompanhando Banks aos teclados, e após algum tempo, fica andante, furiosa, e termina épica. A música tem uma pequena introdução no encarte original do disco, que diz "To Thomas S.Eiselberg, a very rich man, who was wise enough to spend all his fortunes in burying himself many miles beneath the ground. As the only surviving member of the human race, he inherited the whole world." A faixa é uma obra melancólica, pois trata da guerra nuclear e do fim da humanidade, mas também é dona de uma beleza harmônica ímpar, sem precedentes.

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"Dusk" remonta, de uma certa forma, a sonoridade do primeiro disco, mas de um ponto de vista totalmente diferente. A letra tem uma atmosfera sombria, acusada até pelo próprio título da faixa, o que representa um contraste interessante com a sonoridade acalentadora e calma, até mesmo sem a influência da bateria, o que faz mais ainda com que a associação com o disco de estreia seja feita. Só que aqui, os arranjos são infinitamente superiores; é uma faixa doce, com temática de transição entre luz e trevas, e que nos proporciona reflexão.

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O disco fecha com a épica, galopante e complexa "The Knife", uma composição que é tida como uma sátira de música de protesto. Ela conta sobre uma batalha que alguém está lutando, e que precisam vencer o inimigo a todo custo, trazendo suas cabeças para o palácio. Segundo o próprio Gabriel, ele queria escrever algo que soasse como um aviso sobre como que todo processo revolucionário violento fatalmente terminaria com um ditador no poder. Não sei se ele tem noção hoje sobre como ele estava certo com isso, mas a música em si tem uma melodia de marcha de exército que é bem excitante. É a música mais pesada do Genesis até aqui, uma vez que quebra muito com o estilo sonoro que eles vinham adotando até o momento, com melodias suaves e pastoris; é quase como uma música de heavy metal, considerando os padrões da banda, e fecha o disco de forma muito animada e eletrizante.

O segundo álbum do Genesis acabou ganhando uma repercussão bem maior do que o primeiro. Na verdade, a banda mesmo sempre disse que o Genesis começava de verdade ali no Trespass, até mesmo pela clara autenticidade e honestidade sonora, diferente do primeiro disco, em que os meninos fizeram o que o produtor mandou fazer. Após este segundo disco, Anthony Phillips também viria a deixar o Genesis para estudar mais violão clássico e fazer discos solo, mas sua contribuição para com a banda realmente é inestimável, e ela se estende até depois de sua saída, uma vez que a faixa "The Musical Box" do próximo disco do grupo, Nursery Crime começou como uma peça instrumental escrita por ele, e só depois retrabalhada e finalizada pela formação pioneira do Genesis.

Portanto, acredite em mim quando eu falo que este disco é uma gema subestimada, e necessário para se entender as origens do som progressivo que a banda desenvolveria e que influenciaria muita gente no futuro. Escute-o com atenção, deguste-o, lenta e pausadamente. É um trabalho realmente essencial e recomendado por mim.

Trespass (1970)
(Genesis)

Tracklist:
01. Looking For Someone
02. White Mountain
03. Visions of Angels
04. Stagnation
05. Dusk
06. The Knife

Selo: Charisma

Genesis é:
Peter Gabriel: voz principal, flauta, acordeon, tamborim
Anthony Phillips: guitarra e violão 12 cordas, voz
Mike Rutherford: baixo, violão 12 cordas, cello, voz
Tony Banks: órgão hammond, mellotron, pianos, violão 12 cordas, voz
John Mayhew: bateria, percussão, voz

Discografia anterior:
- From Genesis to Revelation (1969)

Site oficial:
http://www.genesis-music.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br

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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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