Whitesnake 1987 30 anos: um sinônimo para a palavra inspiração
Resenha - 1987 - Whitesnake
Por Rogerio Hamam
Postado em 22 de novembro de 2017
Nota: 9 ![]()
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Não é segredo pra ninguém que o Whitesnake tem um dono, e é Mr. Coverdale quem assina a autoria de alguns dos maiores clássicos da história do hard rock. Também não é novidade o rodízio de parcerias com guitarristas e o quanto alguns desses puderam turbinar suas inspirações. Daí, chegamos em John Sykes e no ano de 1987 . . . que fase! Como não celebrar esse momento com a versão Super Deluxe Edition, comemorativa do trigésimo aniversário desse álbum, que foi o mais vendido da banda e um dos 50 álbuns de rock mais vendidos em todos os tempos nos EUA? A tarefa de suceder "Slide It In" já era bem complicada, e assumir modernidade carregando peso maior nas músicas naquela já consagrada mistura de rock e blues, parecia até ousadia. Difícil saber o que passava na cabeça de David Coverdale quando decidiu demitir toda a banda antes da turnê, que contava também com Neil Murray no baixo e Aynsley Dunbar na bateria.
Começar o álbum da versão européia com "Still Of The Night" parecia proposital e idealizado por alguém com vontade de mostrar um novo cartão de visitas, surpreendente e sem nenhum medo de errar. Acertou em cheio! Depois vem "Bad Boys", em que Sykes decide mostrar toda sua técnica e monstruosa criatividade com a guitarra. Qualquer amante do instrumento deveria ter essa música em sua play list de cabeceira. Fantástica! Em seguida, o novo sucesso comercial da banda "Gimme All Your Love" que parece ter sido feita especialmente para comerciais de cigarros. Aliás foi a trilha sucessora de outro comercial que havia usado o maior clássico da banda até então, "Love Ain´t No Stranger", e arrisco dizer que grande parte da receita com a venda deste produto deve ser creditada à banda, já que não consigo imaginar alguém fumando a marca sem ouvir Whitesnake ao fundo, tamanha a identidade. Mais um ponto pra banda!
"Looking For Love" mostra o perfeito trabalho vocal, daquele que é um dos maiores de todos os tempos, com uma linda melodia e que parece ter vindo diretamente do inspirado coração de Coverdale. Em mais uma iniciativa curiosa, decidem resgatar e dar nova roupagem para "Crying In The Rain", originalmente gravada em 1982. E quando os Deuses do rock conspiram, parece que tudo é feito pra dar certo . . . outro ponto pra banda! E justo o Whitesnake, mundialmente conhecido por colocar "Love" em 99% de suas letras, resolve questionar o amor em "Is This Love?" e criar aquele que talvez seja o maior de todos os clássicos em versão música lenta já lançada por uma banda de rock. E o que falar da modelo Tawny Kitaen, futura Sra. Coverdale, escolhida para estrelar o vídeoclip da música e fazendo milhares de jovens questionar se realmente a mulher era de verdade, tamanha a perfeição de suas curvas?
Em seqüência, "Straight For The Heart" é daquelas músicas que traz uma energia contagiante, como se todos no estúdio estivessem realmente empolgados e vibrando durante as gravações. "Don´t Turn Away" parece mais uma música que veio apenas para compor repertório e acabou tornando-se essencial no contexto do álbum. Precisa de algum comentário para o riff de "Children Of The Night"? Para o solo devastador? E a bateria, então? O desafio é não estourar as caixas de som ao aumentar o volume e se segurar para não berrar junto com refrão. Um verdadeiro hino!
E Coverdale deve ter pensado: aqui vou eu de novo regravar outro clássico de 1982, "Here I Go Again". Deve ter sido a primeira vez que uma mesma música vira clássica por duas vezes, nessa versão com um pouco mais de teclado ao fundo e sonoridade mais rock, ficou simplesmente maravilhosa! Hora da despedida? Sempre achei que "You´re Gonna Break My Heart Again" tenha sido uma música subestimada, pois além de ser a última faixa da versão européia do álbum, não consta na versão americana.
É o Whitesnake com o que tem de melhor, mas talvez extasiado por todo o repertório, deixaram essa música com menos destaque. Ótimas composições, músicos inspirados, reconhecimento dos fãs com recorde em vendas, o que mais precisa um álbum para ser chamado de clássico? O número de exclamações do texto e traduzir inspiração como um conjunto de ideias normalmente geniais, ajudam a entender um pouco mais essa resenha.
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