Danzig: disco de estreia é um clássico absoluto
Resenha - Danzig - Danzig
Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
Postado em 02 de novembro de 2017
Bom, geralmente quando vou resenhar algum álbum, começo fazendo todo um rodeio sobre os antecedentes do mesmo, as histórias curiosas que existem por trás do lançamento, uma ou outra curiosidade, enfim, uma série de contextualizações com o objetivo de posteriormente dizer se a escuta vale realmente a pena ou se é melhor investirmos nosso tempo e dinheiro em alguma outra coisa. Dessa vez, contudo, vou direto ao ponto. Na verdade, 2 pontos.
Primeiro: Esse disco é bom, muito bom, tão bom quanto um disco de rock deve ser.
Segundo lugar: Você precisa ouvi-lo; agora mesmo, caso você ainda não conheça essa obra.
Feito isso, agora sim posso tranquilamente desenvolver minha resenha.
Lançado no longínquo ano de 1988, "Danzig" marca a estreia da banda do vocalista Glen Danzig, após seus anos de Misfitis e de Samhain. O baixinho do rock teve a ideia de unir o horror rock que praticara no passado com uma série de outras influências, como o Blues, o Hard rock, o gótico e o doom metal, dando origem à uma obra - cuja qualidade é de maneira geral reconhecida como tendo se estendido pelos próximos 3 lançamentos da banda – extremamente original e criativa, ainda que simples e direta.
Podemos dizer, sem medo de cometer alguma heresia, que o que temos aqui é rock/metal, em sua essência mais pura. Servindo-se de um conjunto cuja formação aposta no básico, Danzig conseguiu criar algo extremamente agradável de se escutar e de se encantar. Como prova disto, temos o sucesso da música "Mother", que lançou o nome do músico (e da banda) em lugares até então impensáveis para ele, que na época era apenas o vocalista de uma obscura banda de punk (o Misfits nessa época ainda não tinha atingido o status que alcançou posteriormente).
Não há exageros no disco. Os riffs são simples e repetitivos, a guitarra passa praticamente todo o disco usando apenas um tipo de distorção, os solos são diretos, com uma pegada totalmente bluesística, a bateria e o baixo fazem o que deve ser feito sem afetações. Mas, após afirmar tudo isso, podemos nos perguntar: Como então esse som tão simples pode ter alcançado tanto? Como pode ser tão bom com tão poucos elementos?
Simples. Uma coisa que pode ser resumido em uma única palavra: "Honestidade".
"Danzig" transpira honestidade. É claramente o trabalho de um grupo de músicos que cultivavam, naquele momento, um desejo intenso de fazer rock and roll, metal, qual rótulo você queira colocar. Pegaram um caldeirão na qual misturaram o clima sombrio de bandas como Black Sabbath, a atmosfera de estrada que vinha do blues, letras que eram descendentes diretas do Misfits...vendo em retrocesso, fica claro que de isso tudo só poderia surgir algo no mínimo interessante. Mas o disco vai além.
O que temos aqui é uma sucessão de clássicos da música pesada. 10 clássicos reunidos, todos com seus pontos altos. Trata-se de um álbum que começa e termina bem. Até mesmo a duração individual de cada canção, bem como a duração total do disco, contribue para criar essa obra prima: músicas curtas, sem enfeites desnecessários, que dizem logo de cara à que vieram.
Apesar dos lançamentos seguintes terem mantido a qualidade das composições, creio ser este o melhor e mais emblemático lançamento da banda.
Após o 4°disco de estúdio, a banda redirecionou o seu som para algo mais voltado para o industrial (nos álbuns "Blackacidevil" e "Satan’s Child"), com pouca aceitação de crítica e fãs. A partir do disco "I Luciferi", de 2002, a banda procurou resgatar aquele som mais cru e rockeiro dos primeiros lançamentos, tendo atingido bons resultados, mas contudo sem atingir a aura de identidade e originalidade presente nesse debut.
Gostando ou não, aqui está um disco que deve ser escutado por todos aqueles que querem conhecer de fato a história do metal/rock, tamanho impacto que esse causou e ainda e capaz de causar.
Faixas:
1. "Twist of Cain" – 4:17
2. "Not of This World" – 3:42
3. "She Rides" – 5:10
4. "Soul On Fire" – 4:36
5. "Am I Demon" – 4:57
6. "Mother" – 3:24
7. "Possession" – 3:56
8. "End of Time" – 4:02
9. "The Hunter" – 3:31
10. "Evil Thing" – 3:16
Banda:
• Glenn Danzig - Vocal
• Eerie Von - Baixo
• John Christ - Guitarra
• Chuck Biscuits - Bateria
E aí? Concorda? Gosta dos outros discos da banda? Dê sua opinião! Concorde. Discorde.
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