Vlad V: veteranos do Hard Progressivo seguem voando alto
Resenha - Stratovladis - Vlad V
Por Willba Dissidente
Postado em 03 de outubro de 2017
Nota: 10 ![]()
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Pronunciando-se Vlad Quinto, o grupo é referência nacional quando se trata de Hard Rock Progressivo. A banda mais velha de Rock pesado na ativa em Santa Catarina, e também com a reputação de fazer os melhores shows no estado barriga-verde, o VLAD V já se mudou para SP, fez tour pelo RJ e passou por altos e baixos e diversas mudanças de formação. Claro, afinal, 31 anos de banda não é para qualquer um. Após um hiato de sete anos sem registros, vem "Stratovladis", disco que prova e reforça que o VLAD V continua relevante e importante para o som pesado tupiniquim e mundial.
Não querendo desmerecer ou polemizar, mas antes que alguém pense em STRATOVARIUS, o nome do novo disco do VLAD V é uma referência às guitarras Stratocraster. Mensagens essa super acertada, pois "Stratovladis" é um disco guitar driven, mais direcionado ao instrumento de seis cordas. Apostando no formato de power trio, o veterano conjunto já abre o cdzinho apostando na força pesada de seu característico Hard Rock Progressivo. Mas que raios de estilo é esse? Hard Rock Progressivo não é o THIN LIZZY misturado ao KING CRIMSON. Também chamado de Neo Progressivo, esse estilo muito difundido à partir dos anos oitenta com nomes como SAGA, TERCER ACTO, PENDRAGON etc em que, falando vulgarmente, temos o Hard Rock clássico dos anos 1970 com convenções mais jazzísticas, trabalhadas e virtuosas. Alguns grupos usam muito o teclado para tornar o progressivo mais "pop", mas no caso do VLAD V, temos mesmo som pesado com uma cara progressiva e muitos solos de guitarra fenomenais.
Falando no multi-instrumentista Jean Carlo, seus vocais estão mais refinados, menos abusando dos agudos, daquele jeito que só que é fã de Alceu Valença a Bruce Dickinson poderia fazer. No grupo desde o segundo disco Flávio Theilacker continua surpreendendo nos andamentos na bateria, sempre com o auxílio do "cara novo" Pablo Demarchi em seus acompanhamentos de baixo só nas palhetadas. "Stratovladis" é um disco de três momentos distintos. Um mais pesado, outro mais viagem e a retomada para o peso. Falando em peso, os timbres de baixo e guitarra estão matadores e acentuados até pela bateria não estar com muito punch; criando assim um todo consistente.
A abertura com a trinca "Cidade Nua" mostra o lado mais porrada do VLAD V, seguida por "Estrada Vazia" e "Chuva de Outono". Esses dois Hard mais cadenciados como bandas do fim dos anos 60 para 70 como o canadense WARPIG ou estadunidense BLUE CHEER. "Chuva de Outono" tem, inclusive a interpretação vocal mais sentimental e melhor refrão do trabalho.
"Devaneio Blues", aquela balada chorosa que você respeita tem as letras mais belas do trabalho e abre a seção viagem do disco. "Ponta da Vigia" é uma base de bandolim à la LED ZEPPELIN com uma poesia de Ernesto Wenth Filho (que também acima "Estrada Vazia") sendo declamada. "Montanhas do Sul", uma regravação do "Viagens Acústicas" traz, finalmente, a flauta, instrumento marcante para o VLAD V. Essa versão com guitarras elétricas (que não tinham na original) mostra também o lado mais progressivo do grupo. O devaneio se fecha com a regravação de "Asas de um Louco", faixa do primeiro disco do Vladão que ganha sua terceira versão. Versão essa estendida em relação às anteriores e com o melhor solo de guitarra do trampo.
Vem um cover de THE ANIMALS, "House of the Rising Sun", num arranjo de Jean Carlo que faz a canção começar mais lenta que a clássica e ir ganhando peso no desenvolvimento. Muito legal! É a transição da viagem para os sons mais agitados. Na sequência, abre-se uma cerveja e vem ai "Dia Vagabundo", esse ode aos dias de de ir para um festival de Hard Rock que é single do trabalho e cujo vídeo-clipe precedeu "Stratovladis". Destaque do álbum, assim como a instrumental que é a faixa-título. Riffs e mais Riffs matadores e mais leads impressionantes de guitarra no melhor estilo MICHAEL SCHENKER GROUP. E não acaba ai; a canção ainda tem uma passagem mais blues no meio para sobressair a cozinha; sendo a melhor atuação da dupla no álbum.
Ao final desses 50 minutos percebemos que a espera de sete anos por um registro novo do VLAD V foi recompensada em cada segundo desse CD. Todo auto-produzido pela banda e cheio de bom gosto e finesse em cada detalhe, "Stratovladis" é aquele raro caso de um disco novo que irá agradar os fãs guerreiros que acompanham a banda desde os primeiros dias e também abrirá as Asas dos loucos às novas gerações para conhecer a extensa carreira do VLAD V.
Quem quiser adquirir o disco "Stratovladis" deverá contatar a banda nos sites relacionados ao final, ou, com os próprios membros do Vladão nos shows, ou ainda no Takio Rock Bar (em Timbó/SC) e também nas lojas Be Bop Discos e Bruneti Discos (em Blumenau/SC). O disco vêm em cd prensando em formato de lua cheia e a embalagem é um digipack sem encarte com uma foto bem legal do VLAD V (só não entendi o porquê do baixista estar segurando um pedestal de bateria com o prato de ataque). A arte computadorizado de "Stratovladis" é muito bonita e remete muito bem às paisagens noturnas nas estradas catarinenses.
Que a borboleta da noite, sétima filha de sabbath, bata eternamente suas asas!
VLAD V:
Jean Carlo - voz, guitarra, flauta, violões, bandolin
Pablo Demarchi - baixo e teclados
Flavinho Theilacker - bateria
Discografia:
Demo Tape (1990, K7)
Vlad V (1993, LP)
Espada e o Dragão (1996, CD)
O Quinto Sol (1999, CD)
Volume IV (2002, CD)
Viagens Acústicas (2005, CD)
Siga o Som (2007, CD)
Na Casa do Rock (2010, CD)
Stratovladis (2017, CD)
Stratovladis - Nacional - Independente - 50 min.
01 . Cidade Nua (05:15)
02 . Estrada Vazia (06:13)
03 . Chuva de Outono (06:30)
04 . Devaneio Blues (06:25)
05 . Ponta da Vigia (05:48)
06 . Montanhas do Sul (03:41)
07 . Asas de Um louco (05:00)
08 . House of the Rising Sun (04:47)
09 . Dia Vagabundo (03:19)
10 . Stratovladis (03:37)
Sites relacionados:
http://www.vladv.com.br/
https://www.facebook.com/vladvoficial
http://www.youtube.com/videosvladv
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