Steven Wilson: Música pop moderna com raízes vibrantes
Resenha - To The Bone - Steven Wilson
Por Tiago Meneses
Postado em 02 de setembro de 2017
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Antes que o seu mais novo disco, To The Bone, fosse lançado de fato, STEVEN WILSON pré-lançou quase metade das faixas, provavelmente uma ideia pra maximizar a discussão antes do lançamento e até mesmo "vacinar" aqueles que estavam por fora de suas declarações acerca de sua nova empreitada, que é a de celebrar trabalhos dos anos 80 que ele gosta e o influenciou aqui como So de PETER GABRIEL e Hounds Of Love de KATE BUSH. Não se trata de um disco conceitual como os anteriores e as linguagens são mais amenas, suaves, um "pop progressivo", um seguimento mais comercial e ainda inédito na carreira de STEVEN WILSON.
O álbum abre com a faixa título, uma voz feminina falando algo sobre o fato de todos terem uma percepção do que é ou não verdade. Um momento atmosférico antes das primeiras frases na voz clara de Steven Wilson. É cheia de ritmo funky e possui um trabalho de harmônica que é maravilhoso. Um começo bastante animador.
"Nowhere Now" é o primeiro momento mais pop do álbum, mas a vejo também como uma faixa que poderia entrar facilmente em alguns discos do PORCUPINE TREE. Melancólica e de introdução minimalista, tem um coro cativante e memorável, além de um excelente trabalho de guitarra que dá o toque especial à canção.
Em "Pariah" STEVEN WILSON tem novamente a companhia de NINA TAYEB, que já havia trabalhado com o músico em seu disco anterior. Uma música pop belíssima, exuberante e cinematográfica construída de maneira inteligente e emotiva. Incríveis paisagens sonoras e guitarras fuzzy dinâmicas.
"The Same Asylum As Before" é um rock básico, mas de melodia cativante que é uma das marcas de STEVEN WILSON. Inicialmente o vocal é em falsete, mas depois segue o curso de alcance normal. Também possui excelentes riffs de guitarras misturados a uma grande sensibilidade pop.
"Refuge" logo em seu início faz com que pensemos em Red Rain de PETER GABRIEL. Começa de maneira devagar e incrivelmente imaginativa, adentrando o ouvinte em um mundo sombrio. Pensar apenas em um único destaque do álbum provavelmente seria essa, lindamente trabalhada, principalmente a guitarra e o solilóquio de harmônica.
"Permanating" foi a única faixa entre os pré-lançamentos que eu não gostei instantaneamente, a sonoridade em homenagem ao ABBA e ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA não me cativou, mas depois isso mudou. Um pop moderno bem trabalhado com o toque sempre especial da mente criativa de WILSON.
"Blank Tapes" é outro momento do álbum que STEVEN WILSON tem a parceria de NINA TAYEB nos vocais, mas aqui não parece ser uma música tão adequada a sua voz. Mas ainda assim, vozes sinceras, música melancólica e delicada que somam uma enorme dose de pathos ao ouvinte.
"People Who Eat Darkness" é um rock com guitarras conflitantes, vocais nervosos em determinados momentos e passagens mais silenciosas. Canção direta que não me diz tanto, mas também não compromete o álbum.
Em "Song Of I" a parceria vocal é com a cantora SOPHIE HUNGER, que apesar de não ter a qualidade de NINET TAYEB possui mais clareza em sua voz. Sinuosa, qualidade quase cinematográfica e momentos orquestrais belíssimos.
"Detonation" é a faixa mais longa do álbum com pouco mais de nove minutos. Vai sendo construída camada por camada de maneira hipnótica e assombrosa em meio a vocais que parecem desconectados. As guitarras são primordiais e há uma seção de ritmo discordante que aumenta a aura tensa e agitada que permeia. Nota-se uma mistura de King Crimson, Radiohead, do próprio Porcupine Tree, pinceladas de Tears for Fears, além de um ótimo solo de guitarra. Mas apesar das influências, são feitas como é de costume de STEVEN WILSON, sem necessariamente parecer cópia.
"Song Of Unborn" finaliza o álbum de maneira não menos que encantadora. Bela melodia reforçada por um arranjo de coro emocionante e ambientação sonora onírica, além de um solo de guitarra solene.
As influências musicais de STEVEN WILSON são bastante claras do início ao fim, uma música pop moderna com raízes vibrantes. O mais novo disco de um músico que está cimentando cada vez mais seu nome na fraternidade musical. Se alguns achavam que STEVEN WILSON com suas declarações estava adiantando que "venderia sua alma ao diabo", podem ficar tranquilos, pois é apenas mais uma direção de um artista que consegue ir para infinitos lados, mas nunca se vê perdido, continuando desconcertando e surpreendendo a todos com suas ideias.
Faixas:
1. To The Bone - 6:41
2. Nowhere Now - 4:03
3. Pariah - 4:46
4. The Same Asylum As Before - 5:14
5. Refuge 6:43
6. Permanating - 3:34
7. Blank Tapes - 2:08
8. People Who Eat Darkness - 6:02
9. Song Of I - 5:21
10. Detonation - 9:19
11. Song Of Unborn - 5:55
Músicos:
Steven Wilson - vocais, guitarras e produção
Convidados:
Ninet Tayeb - vocais (3 e 7) e backing vocal (1,6,8)
Sophie Hunger - vocal (9)
David Kollar - guitarras
Nick Beggs - baixo
Mark Feltham - harmônica (1,5)
Craig Blundell - bateria
Jeremy Stacey - bateria
Adam Holzman - teclados
Jasmine Walkes - palavras faladas (1)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As três músicas punk que Lemmy escolheu entre as maiores de todos os tempos
O artista que é "a essência do rock", segundo James Hetfield do Metallica
A obra-prima do Pink Floyd que, para Roger Waters, quase foi arruinada por David Gilmour
Os 100 melhores álbuns da década de 1980, em lista da Classic Rock
Dave Mustaine classifica Teemu Mäntysaari como o guitarrista que sempre procurou
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
O músico que intimidou Jimmy Page; "Não conhecia ninguém que tocasse daquele jeito"
Jorn Lande lança "Vi er Norge", música em apoio à seleção norueguesa na Copa do Mundo
O álbum de 1987 que Axl Rose nunca conseguiu superar: "Seria legal vender mais"
A letra de Ronnie James Dio que Tony Iommi e Geezer Butler quase vetaram
Rachel Bolan nega que o Skid Row tenha comprado nome da banda de Gary Moore
O músico que deixou Jack Black apavorado na hora de gravar; "Ele é uma lenda, é meu ídolo"
O clássico do Black Sabbath que foi lançado há mais de 50 anos, mas continua atual
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
Até 71% de desconto em ofertas selecionadas de vinil, CDs, acessórios e celulares na Amazon


Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
Metallica: um DVD com título mais do que adequado


