Alice Cooper: Resenha do novo álbum Paranormal

Resenha - Paranormal - Alice Cooper

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Neimar Secco
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

De início, vamos nos desapegar um pouco da personalidade de "I'm Eighteen", "School's Out" e "No More Mister Nice Guy" e nos concentrar em outras músicas icônicas da mesma época e também de fases posteriores da carreira de Alice Cooper, tais como "Second Coming" e "Ballad Of Dwight Fry". Embora sejam todas clássicas referências dos primórdios do personagem de Alice Cooper, a personalidade paranoica/paranormal que Alice apresenta nesse álbum está, de certa forma, mais conectada com o personagem da camisa de força, perpetuado sob a alcunha de Dwight Fry, (referência ao ator de filmes de horror, Dwight Frye, das décadas de 1920 e 1930).

3812 acessosMúsicas boas mas pouco conhecidas: a vida nem sempre é justa5000 acessosSlayer: "Raining Blood" é brutal, mesmo com a bateria da Barbie

Embora não seja exatamente inovador musicalmente, esse novo álbum vem repleto de energia e capricho nos arranjos e na execução de músicas no melhor estilo Alice Cooper: dramáticas, climáticas.

Se eu fosse psiquiatra ou um estudioso da mente humana em qualquer grau, provavelmente contrataria Alice Cooper para dar aulas aos meus alunos ou a interessados (como eu) nas várias nuances e níveis de desencontros da mente humana. Talvez assim todos assumíssemos nosso grau (do mais leve ao mais elevado, dependendo da condição psíquica de cada um), de "paranóias e conflitos internos.

Tudo aqui, cada faixa aborda sentimentos próprios e nos dá lições que alimentam nosso intelecto e nosso espírito. O Alice Cooper cristão reaparece (como vem acontecendo cada vez mais em sua carreira desde os anos 70, mas com mais ênfase a partir de The Last Temptatrion, de 1994, passando pelos dilemas de personagens dos álbuns Brutal Planet, Dragontown, The Eyes Of Alice Cooper, Along Casme A Spider, etc.

Mas se você se incomoda com essa temática, o que exatamente está a procurar ainda na música de Alice Cooper, a não ser mais maturidade e um senso de humanidade mais apurados que a idade traz?

Poderíamos argumentar (de novo) que o cara que canta "School's Out" e "I'm Eighteen" ou mesmo "Poison" não é o mesmo que compôs e que executa esse ótimo álbum. Seria até justificável pensar assim, caso pudéssemos negar a evolução da mente e da maturidade, particularmente de Alice Cooper.

A faixa de abertura, "Paranormal", que conta com Roger Glover do Deep Purple no baixo, contém diversas mudanças rítmicas, nesse sentido, mas apenas nesse, lembrando outro clássico, "Halo of Flies", do álbum Killer, de 1971.

Em "Dead Flies", destaque para o refrão "poderoso" e a batera surpreendente de Larry Mullen do U2, que aliás, toca na maioria das faixas, substituído pelo baterista da banda que gravou os primeiros sete álbuns, Neal Smith, em quatro faixas. (Veja nos créditos abaixo a relação dos músicos que tocam em cada faixa).

"Fireball" é uma daquelas músicas do Alice Cooper, ao longo de sua carreira, em que ele parece estar narrando uma cena ou sequência de cenas de um filme/documentário. Essa faixa conta com a participação especial do lendário Dennis Dunaway, da banda original de Alice Cooper (1964 - 1974).

A fantástica (na minha opinião) "Paranoiac Personality", que contém referência ao tema do filme de Hitchcock, Psicose, talvez seja a faixa mais "radiofônica do álbum.

"Fallen In Love" conta com a guitarra de Billy Gibbons do ZZ Top. O tema remete a "No More Mister Nice Guy" e também a "Desperado", clássicas dos álbuns Billion Dollar Babies e Killer, respectivamente.

"Dynamite Road" continua com as citações a lugares e fases da carreira e da vida de Alice, agora, com citaçõea a Detroit, lembrando as festas regadas (no caso específico de Alice) a muito álcool e também (no caso de seus amigos) drogas mais pesadas.

"Private Public Breakdown" remete a "Elected", tem uma roupagem mais "new wave" e o personagem, consciente de ter colapsos nervosos em público, se diverte com esse fato.

"Holy Water" (que, na verdade é uma regravação do original de outra banda, com inserção de versos de Alice) é a versão religiosa de Alice dando as caras novamente. O arranjo parecido com o de uma big band dos anos 40, com sapateados lembra uma das várias influências extra-rock da carreira de Alice: os musicais da Broadway.

"Rats" contém um forte refrão e um arranjo também bastante energéticos que não vão deixar o ouvinte estático ao ouvir.

"The Sound Of A" é a que mais se aproxima de uma balada. Tem uma leve semelhança com "This House Is Haunted" do álbum The Eyes Of Alice Cooper, de 2003.

"Genuine American Girl" conta com a participação de toda a banda original, com exceção obviamente, do falecido Glen Buxton, e ainda traz outro colaborador dos mais ilustres dos anos 1970, Steve Hunter.

"You And All Your Friends" faz lembrar a história de "Inmates (We´re All Crazy), faixa de encerramento do temático From The Inside, de 1978.

As faixas ao vivo foram gravadas em Columbus, Ohio, em 2016. Na minha opinião, as que mais se destacam são "Only Women Bleed" (a parceria mais bem-sucedida de todos os bons trabalhos compostos pela dupla Alice Cooper/Dick Wagner) e "School's Out", que com o passar do tempo, fica ainda melhor ao vivo.

Banda ao vivo:
Guitars - Ryan Roxie, Nita Strauss, Tommy Henriksen
Drums - Glen Sobel
Bass - Chuck Garric
Backing Vocals - All

Pode-se dizer que, esse álbum mescla, de certa forma, a "normalidade" dos trabalhos recentes de Alice Cooper a uma temática e execução pulsantes e contagiantes. A voz de Alice está super bem, tendo-se em conta que nem todos os que chegam à sua idade ainda ativos contam com a mesma disposição e "fôlego".

CRÉDITOS:

O álbum
Produced by Bob Ezrin with Tommy Henriksen and Tommy Denander
Mixed by Bob Ezrin and Justin Cortelyou
Basic Tracks recorded at Oceanway and Anarchy Studios, Nashville, TN
Gravações adicionais: Anarchy West Studios, Los Angeles, CA. The Saltmine Studios Oasis, Mesa, AZ. Subterranean Studios, Toronto, Canada. X-Level, Stockholm, Sweden.
Mixed at Anarchy Studios

Músicos:

Paranormal:
Guitars - Tommy Henriksen, Tommy Denander
Drums - Larry Mullen Jr
Bass - Roger Glover
Keyboards - Bob Ezrin
Horns - Jeremy Rubolino
Backing Vocals - Tommy Henriksen

Dead Flies:
Guitars - Tommy Henriksen, Tommy Denander
Drums - Larry Mullen Jr
Bass - Jimmie Lee Sloas
Backing Vocals - Tommy Henriksen

Fireball:
Guitars - Tommy Denander, Tommy Henriksen, Nick Didkovsky
Drums - Larry Mullen Jr
Bass - Dennis Dunaway
Organ - Bob Ezrin

Paranoiac Personality:
Guitars - Tommy Henriksen, Tommy Denander
Drums - Larry Mullen Jr
Bass - Jimmie Lee Sloas
Percusssion and Backing Vocals - Tommy Henriksen
Sound Effects - Tommy Henriksen and Bob Ezrin

Fallen In Love:
Guitars - Billy Gibbons, Tommy Denander, Tommy Henriksen
Drums - Larry Mullen Jr
Bass - Jimmie Lee Sloas
Backing Vocals - Tommy Henriksen

Dynamite Road:
Guitars - Tommy Denander, Tommy Henriksen
Drums - Larry Mullen Jr
Bass - Jimmie Lee Sloas
Percussion, Backing Vocals & Sound Effects - Tommy Henriksen

Private, Public Breakdown:
Guitar - Tommy Denander, Tommy Henriksen, Parker Gispert
Drums - Larry Mullen Jr
Bass - Jimmie Lee Sloas
Backing Vocals - Tommy Henriksen, Bob Ezrin, Parker Gispert, Alice Cooper

Holy Water:
Guitars - Tommy Denander, Tommy Henriksen, Steve Hunter
Drums - Larry Mullen
Bass - Jimmie Lee Sloas
Horns - Jeremy Rubolino, Adrian Olmos, Chris Traynor
Backing Vocals - Demi Demaree, Tommy Henriksen, Johnny Reid

Rats:
Guitars - Tommy Henriksen, Michael Bruce, Tommy Denander
Drums - Neal Smith
Bass - Dennis Dunaway
Percussion, Backing Vocals, Sound Effects - Tommy Henriksen
Keyboards - Bob Ezrin, Tommy Henriksen

The Sound Of A:
Guitars - Tommy Denander, Tommy Henriksen, Nick Didkovsky
Drums - Larry Mullen Jr
Bass - Dennis Dunaway
Organ - Bob Ezrin
Backing Vocals, Sound Effects - Tommy Henriksen
Backing Vocals - Demi Demaree, Tommy Henriksen, Johnny Reid

Genuine American Girl:
Guitars - Michael Bruce, Tommy Denander, Steve Hunter
Drums - Neal Smith
Bass - Dennis Dunaway
Keyboards, Backing Vocals - Bob Ezrin

You And All Your Friends:
Lead Guitar - Steve Hunter
Guitars - Tommy Denander, Michael Bruce, Nick Didkovsky
Drums - Neal Smith
Bass - Dennis Dunaway
Backing Vocals - Tommy Henriksen, Bob Ezrin

Live Tracks from Columbus, OH 2016

Comente: O que você achou do novo álbum de Alice Cooper?

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Paranormal - Alice Cooper

1177 acessosAlice Cooper: na briga por melhor disco de 2017 com "Paranormal"

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 06 de agosto de 2017

Músicas boas mas pouco conhecidasMúsicas boas mas pouco conhecidas
A vida nem sempre é justa

340 acessosAlice Cooper: doação de US$ 10 mil é feita à Wacken Foundation625 acessosRoadie Crew ed. #223: capa destaca Accept e Alice Cooper1388 acessosAlice Cooper: o "problema físico" de Cornell, Bennington e Weiland0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Alice Cooper"

CinemaCinema
As 10 melhores aparições de bandas em filmes

MorteMorte
Confira 15 das melhores músicas sobre o tema

Alice CooperAlice Cooper
Fotos de infância e adolescência, muito antes da fama

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Alice Cooper"

SlayerSlayer
"Raining Blood" é brutal, mesmo com a bateria da Barbie

Rachel SheherazadeRachel Sheherazade
Cantando Iron Maiden com o Ultraje A Rigor no The Noite

Roger MoreiraRoger Moreira
Chamando Pitty de "imbecil" via rede social

5000 acessosFloor Jansen: "Eu não sou uma puta arrogante"5000 acessosAs regras do Black Metal5000 acessosMarilyn Manson: "perdi tudo por causa de Columbine"5000 acessosHeavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 19885000 acessosJohnny Depp: ele detesta atores que posam de músicos5000 acessosMetallica: Os bastidores da apresentação em São Paulo

Sobre Neimar Secco

Welcome to my nightmare. Sou professor de inglês e de português e também tradutor eventual. Rock sempre foi e continua sendo a minha trilha sonora de todas as horas. Minhas preferências são hard rock, progressivo e classic rock em geral (anos 60, 70 e 80). Bandas favoritas: Alice Cooper, Led Zeppelin, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Pink Floyd, Beatles, Creedence, The Doors, Dire Straits, entre muitas outras.

Mais matérias de Neimar Secco no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online