John Mayer: Um dos seus melhores trabalhos desde o "Continuum"

Resenha - Search for Everything - John Mayer

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Após dois lotes de músicas novas que John Mayer soltou entre Janeiro e Fevereiro, o músico finalmente resolveu disponibilizar o seu novo disco inteiro, The Search For Everything. Eu comecei a analisar as duas "waves" que ele lançou, porque não resisti em esperar pra ver material novo, e fico muito feliz que ele tenha resolvido nos mostrar o que tinha debaixo da manga após aquelas oito músicas que já havíamos conhecido. Logo, esta será uma resenha mais voltada ao todo da obra, porque eu já havia analisado 8 músicas deste disco, então me sinto mais livre para falar do artista de forma geral.

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Pra quem está por fora, Mayer inventou de lançar seu novo disco um pouco por mês, sendo alguns lotes mensais de 4 músicas, e começou a empreitada em Janeiro, com o já citado primeiro lote de músicas. Depois do segundo, o músico resolveu declarar na Internet, "no more waves". Eu, de minha parte, só agradeço! Sendo assim, digo que Mayer, que jamais abriu mão de sua veia mais nostálgica, notadamente influenciada pelos artistas do Blues e do Country, mesclada com piscadelas de modernidade sonora e o slow pop que artistas como Ed Sheeran costumam fazer, funcionam novamente a seu favor.

Mayer é um dos poucos artistas mais modernos que aprecio, justamente em decorrência dessa sua veia que pega coisas boas da música pop mais clássica e faz ela funcionar tão bem com o seu romantismo moderno. Elogiado já por personalidades icônicas como B. B. King e Eric Clapton, Mayer percorre por seu estilo soft, sem perder o que faz seu som ser bacana e interessante em termos técnicos. E para o ouvinte que é fã de música pop de qualidade, o artista deixa aquele gostinho convidativo de querer voltar outras vezes para apreciar sua música light, mas que algumas vezes é temperada com ingredientes mais fortes.

As três primeiras faixas do álbum completo ficaram sendo as primeiras da segunda wave. Como eu já falei daquelas primeiras oito faixas nas outras resenhas, vou só fazer uns breves apontamentos. "Still Feel Like Your Man", por exemplo, é uma daquelas faixas perfeitas pra se dançar com alguém. É um romântico, mas que não soa brega, e guarda aquele sabor do soul, sendo uma das minhas favoritas; tem um balanço bacana e arranjos bem ao estilo dos artistas da Motown. A faixa "Helpless", também é aquele soulzão funkeado com ótimos arranjos. "Moving On And Getting Over" completa a lista das minhas faixas favoritas desta relação, porque ela soa como uma incursão ao soul com relances de blues, aquele blues bem ao estilo do B. B. King, que o cara consegue captar bem.

Partindo para o material novo e que saiu exclusivamente neste disco, temos quatro faixas remanescentes; primeiramente, a maravilhosa "In the Blood" que, dessas de Abril, é a minha favorita e conta com a linda voz de Sheryl Crow fazendo uma ponta no disco; a bela instrumental "Theme from "The Search for Everything"", que é uma passagem rápida de dois minutos, mas bem arranjada; também a delicada balada "Never on the Day You Leave", que achei ok, bem escritinha mas não um destaque; por fim, a simpática "Rosie". Se Mayer tivesse feito uma terceira wave dessas últimas quatro músicas, a segunda wave continuaria sendo a minha favorita, como eu havia dito na postagem sobre ela.

De qualquer forma, como eu falei na resenha da primeira wave, valeu a pena esperar todo este tempo por música nova do artista. The Search for Everything é mais um trabalho de Mayer que vale muito a pena conferir, e arrisco até a dizer que é um dos seus melhores desde Continuum.

Seja lá por qual razão, Mayer é um desses artistas mais novos que me chamam a atenção. Geralmente eu sou mais voltado ao seu material menos baladístico, mas quando ele escreve baladas, percebe-se sempre que o cara tenta encontrar aquele equilíbrio entre o soft e temperos mais sofisticados, e por isso acredito que todo mundo que der uma chance ao disco, vai curtir a empreitada. Quem é fã do cara tem mais motivos para ficar, quem não o conhece, este é um bom ponto para se começar. Recomendado!

The Search For Everything (2017)
(John Mayer)

Tracklist:
01. Still Feel Like Your Man
02. Emoji of a Wave
03. Helpless
04. Love on the Weekend
05. In The Blood
06. Changing
07. Theme from "The Search for Everything"
08. Moving On and Getting Over
09. Never on the Day You Leave
10. Rosie
11. Roll It on Home
12. You're Gonna Live Forever in Me

Selo: Columbia / Sony Music

Banda:
John Mayer: voz, guitarras
Pino Palladino: baixo
Steve Jordan: bateria, percussão
Greg Leisz: guitarra (faixa 2)
James Fauntleroy: teclados (faixa 1)
Larry Goldings: teclados, órgão
Davide Rossi: cordas (faixa 4)
Al Jardine: voz (faixa 2)
Matt Jardine: voz (faixa 2)
Aaron Sterling: bateria (faixa 1) e percussão (faixas 1 e 11)
Sheryl Crow: back vocal (faixa 5)
Tiffany Palmer: voz (faixa 3)

Discografia anterior:
- Paradise Valley (2013)
- Born and Raised (2012)
- Battle Studies (2009)
- Continuum (2006)
- Heavier Things (2003)
- Room for Squares (2001)

Site: www.johnmayer.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
acienciadaopiniao.blogspot.com.br

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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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