Harppia: pioneira nacional ganha recomendável tributo estrangeiro
Resenha - Tributo Harppia: Flight Without Back - Vários Artistas
Por Willba Dissidente
Postado em 02 de dezembro de 2016
Nota: 8 ![]()
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Formada em 1983 após o fim do VIA LÁCTEA, o HARPPIA NÃO foi a primeira banda de Heavy Metal formada no Brasil; porém os paulistas detém o mérito de ter sido uma das primeiras bandas a investir pesado na produção de discos e shows. Ainda que só possua três discos na bagagem, já fizeram parte das fileiras lideradas pelo baterista Tibério Luthier músicos eminentes da cena paulista como Ricardo Ravache e Marcus Patriota (CENTÚRIAS), XANDO ZUPO (BIG BALLS, PEDRA), PERCY WEISS (MADE IN BRAZIL, A CHAVE DO SOL), HELCIO AGUIRRA (GOLPE DE ESTADO) e outros mais. Além de já ter inspirado muitos headbangers a serem músicos, é do HARPPIA a mais famosa música da metal brasileiro "Salém - A Cidade das Bruxas". Para homenagear esse voo com altos e baixos a gravadora portuguesa Metal Soldiers resolveu reunir 14 eminentes grupos nacionais para regravar canções do HARPPIA. Acompanhe o resultado.
Assim como o cd tributo ao STRESS, também da Metal Soldiers, uma banda foi a escolhida para gravar além de uma música, uma introdução (que são riffs soltos e solos) e uma finalização (apenas efeitos de estúdio) nunca tocadas pela banda original, além de uma música. Diferente porém dos casos da banda paraense e também do SPECTRUS, somente músicas lançadas em disco oficiais ganharam versões, se ignorando demos e as músicas da fase de 2000 a 2005; que nunca ganharam a devida gravação. Registrado em diversos estúdios pelo Brasil entre o segundo semestre de 2014 e o primeiro de 2015, esse tributo vem com encarte de três páginas em folder (que virão seis), arte gráfica computadorizada de Fernando Lima, com nome, logo, contato e foto de todas as bandas que participaram, além de uma justa homenagem aos saudosos Helcio Teixeira Aguirra e Pery José Weiss.
O interessante desse tributo é ouvir bandas brasileiras que só cantam em inglês mandando muito bem no nosso idioma nativo, como FIRE STRIKE, MITRA, DARK SIDE, LEATHERFACES, DARK WITCH e RIDER. O DARK WITCH abre o cd com o clássico "Voz da Consciência", de 1987, no mesmo arranjo, sem solo de introdução original, com destaque para a técnica de vibrato do vocalista Bill Martins (também do HELLISH WAR). O mesmo se dá com a versão seguinte, do FIRE STRIKE numa composição de Beto Cruz (A CHAVE DO SOL, ZENITH) , em que se destaca o baixo de Edivan. Essas duas são as versões mais próximas das originais.
Sem perder pique e ganhando peso, o petardo seguinte é um dos destaques do disco, "A Ferro e Fogo" nas mãos do quarteto thrasher mineiro DEADLINESS. Além do vocal "gutural comedido", que possibilita entender o que é cantado, o grupo soube utilizar os riffs originais para compor um novo arranjo que levasse o som ao Thrash Metal mas sem o desconfigurar. A som seguinte também é destaque "Naufrago" com VINCULUM. Fanáticos de JUDAS PRIEST, a sua versão se assemelha mais ao quinteto bretão que o paulista. Destaque para os solos de Ari Sabbath, se valendo de alavanca e ponte flutuante (não presentes na original) e bateria à la Cozy Powell de Jacob Wild. O destaque seguinte é a penúltima música do CD, "Balada", que de uma balada só no violão e teclado, se transformou por rearranjo numa power ballada à la "Wasting Love" do IRON MAIDEN sob tratamento do LEATHERFACES. Destacamos o trampo fenomenal de Cave "Caverna" Hoffmann nas baquetas e na voz.
Ainda que não consideremos destaques, esses não foram os únicos grupos que "mexeram" um pouco nas músicas originais. Vamos tratar desse bloco agora. CATASTROPHEAR fez um excelente trabalho na instrumental "Incitatus", com saliência para Fernando Pullbass no baixo e Márcio Stachowiski nos licks e solos de guitarra. Com seu IRON MAIDEN muito bem produzido, o RIDER também acrescentou alavancas, dobras e bumbos duplos. Já o pessoal do MITRA mudou o andamento da bateria e solos em suas "Asas Cortadas", o que não melhorou nem estragou o som. Uma mudança que pegou muito bem foi a executada pelos cariocas do METAL PESADO (banda da qual se valeu o STRESS em sua fase "Flor Atômica), com evidência o baixo e solos de Alex Magnum, somando-se ao vocais carregados de drive de Evandro de Vlad; incluindo uma introdução e uma finalização igualmente interessantes.
Fazendo a cancão título do disco 7, os cearenses do DARK SIDE a mudaram totalmente a fazendo um thrash metal oitentista digno de se quebrar a cabeça; mas se esqueceram da coisa mística que acompanha de esse som de cravados sete minutos (sendo a sétima música do disco). Quem é fã de Bay Area vai adorar, já que quem é mais purista vai estranhar. A pior versão, por assim dizer, foi a do grupo DANCING FLAME. E essa justamente é a de "Salém, A Cidade das Bruxas". O maior clássico do Metal Nacional ficou totalmente desconfigurado (até sem a risada inicial)! Soando como um metal melódico cadenciado super produzido, a deturbação nada incluiu dos riffs originais até os 03:40 da canção.
Sendo franco, infelizmente, esse não é o único ponto fraco, do tributo. Os grupos WARGATE e SILENT HALL, à despeito da técnica apurada e ótima execução por parte dos músicos das bandas, pegaram a difícil tarefa de tocar as músicas do polêmico disco "Harppia's Flight". Lançando originalmente em 1997, esse álbum é mais groove e menos metal tradicional e tendo ainda o problema de os refrões não serem muito inspirados. Esse é tido, comumente, com o "disco chato" do HARPPIA. Assim, por mais que os grupos tenham se esforçado em fazer boas versões (e eles o fizeram), não tinha como sair algo tão notório quanto os outros grupos. Era um jogo de cartas marcadas, como diz a canção "Asas Cortadas". Quem se deu melhor tocando uma música desse mesmo disco foi o CHEMICAL DISASTER, do vocalista Luiz Carlos Louzada, que ignorou a versão original e fez um Death Metal de "Last Chance".
Finalizando, trata-se de um tributo justo, com músicos esforçados esmerando-se para fazer bonito ao homenagear esse grande nome do Metal nacional, o HARPPIA. Todavia, o voo dessa ave com muito valor não poderia ter sido tão belo aqui sem o trampo de Marcio Rodrigues na masterização; digno de nota ao conseguir nivelar as gravações feitas em diversos estúdios em um longo período de tempo, fazendo o disco soar como um todo coeso.
Tributo Harppia: Flight without back.
Importado - Metal Soldiers - 63:36 - 2015
Tracklist:
01 . LEATHERFACES - Toque de Ordem (01:02)
02 . DARK WITCH - Voz da Consciência (03:51)
03 . FIRE STRIKE - Magia Negra (04:10)
04 . DEADLINESS - A Ferro e Fogo (05:23)
05 . VINCULUM - Naufrago (05:33)
06 . CATASTROPHEAR - Incitatus (03:22)
07 . WARGATE - Without Return (04:36)
08 . SILENT HALL - Army Of Strangers (05:01)
09 . METAL PESADO - AIDS (04:23)
10 . CHEMICAL DISASTER - Last Chance (03:11)
11 . RIDER - Guerras (02:54)
12 . DANCING FLAME - Salém a Cidade das Bruxas (06:14)
13 . MITRA - Asas Cortadas (04:42)
14 . LEATHERFACES - Balada (03:40)
15 . DARK SYDE - Sete (04:35)
16 . LEATHERFACES - Silência (03:31)
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