Maestrick: 2 provas de que estamos diante de uma banda incrível
Resenha - Unpuzzle! e Trick Side of Some Songs - Maestrick
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 15 de agosto de 2016
Eu tenho um certo delay com algumas bandas. Seja pelo hype excessivo, que sempre me afasta de nomes celebrados pela crítica (apesar de essa tendência estar diminuindo nos últimos anos) ou pela absoluta falta de tempo, alguns discos lançados há alguns anos permanecem inéditos aos meus ouvidos. E é até fácil de entender: é tanta coisa pra ouvir, tanta coisa para ler, assistir e tal, além de conciliar tudo isso com trabalho e vida pessoal, que você é obrigado a fazer escolhas pelo caminho.
Mas, por diferentes motivos, as coisas acabam se corrigindo. É o caso da banda paulista Maestrick, celebrada há anos por diversos veículos e que só agora fui conhecer. Recebi dois discos dos caras - "Unpuzzle!", lançado originalmente em 2011, e "Trick Side of Some Songs", EP de covers disponibilizado em 2016. E devo dizer que curti muito os dois.
"Unpuzzle!" é o primeiro e até agora único álbum do Maestrick. São onze faixas trazendo um prog metal criativo e que passa longe da sonoridade maçante comumente associada ao gênero. Sabendo dosar suas influências, a banda gravou um álbum que, embora já celebre cinco anos de vida, segue atual. Tendo em seu line-up músicos experientes e com técnica acima de qualquer suspeita - Fabio Caldeira (vocal e piano), Renato Somera (baixo) e Heitor Matos (bateria) -, a banda contava ainda com a dupla de guitarristas Danilo Augusto e Maurício Figueiredo na época em que gravou a sua estreia.
Tem uns lances na minha relação com a música que, se uma banda se aventurar, ganhará uma quantidade enorme de pontos comigo. Um deles é a coragem de experimentar, de não se limitar a um gênero específico, de expandir os limites deste estilo. O Maestrick faz isso com excelência em "Unpuzzle!". A linda "Pescador", por exemplo, ponto mais alto do disco ao lado de "Lake of Emotions", coloca baião ao lado das origens progressivas do grupo, e o resultado, além de belo, é original pra caramba. Essa sensação se repete em outros momentos do play, expandindo a sonoridade da banda na mesma proporção em que cativa o ouvinte.
Já "Trick Side of Some Songs" é um EP de covers com versões para canções de ícones como Yes, Queen, Rainbow, Jethro Tull e Beatles - além de "Brain Damage", do Pink Floyd, que abre e fecha o disco como uma espécie de vinheta e com uma nova letra. Aqui, mais uma vez, a banda mostra a sua personalidade ao não se limitar em reler clássicos da mesma forma que inúmeros artistas já fizeram antes. Cada versão vem com um forte acento pessoal, fato que é sempre digno de elogios quando analisamos um álbum de covers. O Yes, por exemplo, foi referenciado em um medley de mais de nove minutos com algumas de suas canções. O mesmo raciocínio se repete no tributo ao Queen, onde a banda entrega dois medleys com faixas do álbum "Queen II".
"Aqualung" e "While My Guitar Gently Weeps" são as mais convencionais, por assim dizer, do disquinho. No clássico do Jethro Tull temos o piano de Caldeira em primeiro plano, além de um solo simplesmente animal de Rubens Silva, guitarrista convidado, que parte do icônico trabalho eternizado por Martin Barre e leva a canção por outros caminhos. Já na eterna composição dos Beatles, um dos pontos mais altos da trajetória do Fab Four, temos um acréscimo de peso interessante e outra performance arrepiante de Rubens. A parte final, com um trecho instrumental que traz para a ordem do dia as tendências prog metal da banda, pode desagradar alguns, mas não deixa de ser uma abordagem interessante.
Fechando o play temos "Rainbow Eyes", do Rainbow, como faixa bônus. A música havia sido incluída em um tributo lançado em homenagem aos cinco anos do falecimento de Ronnie James Dio, e teve a participação da Orquestra Belas Artes, de São José do Rio Preto.
Com a audição de "Unpuzzle!" e "Trick Side of Some Songs", além de tirar o atraso que tinha em relação ao Maestrick, descobri uma banda que ficará permanentemente no meu radar. Músicos criativos e corajosos, com enorme talento, e que acabaram de conquistar mais um fã.
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