Tarja Turunen: Superando a si própria a cada álbum

Resenha - Shadow Self - Tarja Turunen

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Por Matheus Dela Cela
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Acho que a Tarja nem precisa mais ser introduzida nem apresentada nem nada do tipo. Não é mais preciso dizer quem ela é ou em que banda cantou, mas vamos falar disso já. Enfim, depois do My Winter Storm (2007), o seu primeiro álbum solo, a Tarja vem lançando álbuns bem diferentes em sonoridade um do outro, procurando o seu som. What Lies Beneath (2010) foi mais pesado que o primeiro, que era mais sinfônico, e o Colours In The Dark (2013) foi bem mais progressivo. Agora, dois meses depois do lançamento da prévia, The Brightest Void, temos finalmente o álbum em que ela junta todos esses elementos e atinge a sua própria sonoridade: o The Shadow Self.

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O álbum já começa com a maravilhosa Innocence, que encantou tantos e tirou lágrimas de muitos com aquele clip sobre violência doméstica. Aqui temos a perfeita combinação entre a música clássica e o rock/metal que tanto caracteriza a Tarja. Não só pela voz dela, mas pela presença de um piano inspirado numa peça clássica de Chopin, Spring Waltz. Esse piano, tocado por uma amiga dela, Izumi Kawakatsu, rege toda a música. Percebemos já uma música forte e para nos surpreender, como a Tarja tem feito no começo dos seus álbuns. Quanto ao misto com a música clássica, podemos perceber isso também em Love To Hate, que traz momentos mais lentos, orquestrais, com piano e violinos, e também uns riffs pesados. Extremamente comovente e cativante, um dos destaques do álbum, junto com Innocence também. Na verdade, esse é um álbum de destaques, com umas poucas exceções que falarei daqui a pouco.

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Falando em destaques, temos aqui Demons In You, a mais pesada do álbum. Aqui os vocais de Tarja se juntam aos de Alissa White-Gluz (Arch Enemy) para trazer ainda mais peso "a música. Guturais se misturam "a voz de peito da Tarja nos versos e o segundo refrão fica por conta do vocal limpo da Alissa. Nessa música começamos a perceber algo ao qual a Tarja tem tentado nos acostumar há muito tempo ao vivo, e desde o Colours em estúdio: a sua voz de peito. Desde 1997, ano do lançamento do Angels Fall First, ouvia-se muito pouco da voz de peito dela, e o que reinava era o lírico. Mas há um certo tempo ela começou a usar uma técnica que eu chamaria de "semilírico", em que ela mistura o canto erudito com o popular na sua carreira solo de rock. Mas em 2013 a voz de peito começou a aparecer em 2013 nos álbuns, em Victim Of Ritual e Darkness. No The Brightest Void, pudemos ouvir House Of Wax, que foi quase inteira em canto popular, e não só nos graves, mas com agudos também. E a voz da Tarja, que é um pouquinho diferente a cada álbum, se apresenta misturando esses estilos muitas vezes aqui no The Shadow Self, e eu vejo isso como mais um ponto de evolução e de encontro de sua sonoridade, bem como de sua liberdade como artista solo. E com todo o peso, enfim, Demons é uma das melhores músicas, com vocalizes da Tarja junto a mais guturais da Alissa e uns riffs e bateria ótimos para bater cabeça ouvindo.

No Bitter End foi single do The Brightest Void, mas não vi necessidade de se repetir aqui. Esta versão é melhor que a outra, mas deveria estar no outro álbum, e a versão do clip funcionaria apenas como single mesmo. Quanto a Eagle Eye, que também se repetiu, poderia ter ficado de fora. Nesse caso a outra versão é melhor e mais bonita, e essa versão mais pesada poderia continuar sendo a tocada ao vivo sem precisar estar no álbum. A ausência dessas músicas daria lugar a duas novidades e elevariam o nível do álbum, sem dúvidas.

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Sabe quando você ouve um cover de uma música que já é muito boa e o cover consegue ser ainda melhor? Supremacy. O cover do álbum tira um pouco do som característico do Muse e o leva a outro patamar. Mais pesada, mais Tarja, e igualmente épica, essa versão de Supremacy é não só a melhor escolha de cover para o The Shadow Self como é também o melhor cover que a Tarja já fez, na minha opinião. Se o Matthew Bellamy já impressiona com os seus vocais nessa música, ela traz notas da sexta oitava, que deixa a todos arrepiados. É uma pena que os agudos se misturem ao instrumental em certas partes, mas a Tarja colocou mais do que a voz na faixa, colocou o seu estilo, e poderia muito bem ser confundida com uma música dela.

The Living End é uma balada calma, com violões e gaitas de fole que passam tranquilidade pra quem ouve. Sem falar nos vocais. A letra é linda, mas se repete o mesmo erro que eu encontro em Until Silence, a balada do álbum anterior: é uma música fraca, em comparação com o restante. Isso não aconteceu no My Winter Storm ou What Lies Beneath. Mas você acaba se apaixonando por ela e canta junto e se sente tão bem... Chega uma hora em que você já ouviu o álbum tantas vezes que já sabe cantar tudo.

Então chega a música que os tarjetes (mais do que fãs: adoradores) mais queriam ouvir. Diva. Essa é a música que remete à toda a confusão de 2005/2006 sobre a carta que tratava da demissão da Tarja da banda em que era vocalista: Nightwish. À época, o baque foi muito grande e ela não pôde dizer tão abertamente o que sentia sobre tudo aquilo como o Tuomas Holopainen, a mente por trás do Nightwish, que escreveu duas músicas direcionadas respectivamente para Tarja e seu marido no álbum, de 2007, Dark Passion Play: Bye Bye Beautiful e Master Passion Greed. Após brigas até mesmo judiciais e a banda ter sido proibida de tocar Master Passion Greed ao vivo, Tarja lançou, em 2008, o single Enough, em que sutilmente ela falava sobre o Tuomas e o que ela pensava sobre aquela confusão, sobre a banda, e sobre as mentiras na carta de demissão, em que ele até a acusou de se comportar como se fosse uma diva. Agora, com sua carreira solo consolidada, ela pode falar abertamente sobre tudo isso, e foi assim que Diva veio à vida. Uma crítica ao antiprofissionalismo de Tuomas (que já demitiu a vocalista Anette Olzon depois da Tarja, sem muitas explicações, enquanto estava grávida e internada num hospital nos Estados Unidos, no meio de uma turnê) e uma afirmação de si mesmo. Ela sempre ouve em entrevistas perguntas sobre uma possível reunião ou outros assuntos relacionados à banda, enquanto nada é perguntado à banda sobre a demissão dela ou da Anette. Acho que essa música é não só um desabafo, mas também uma tentativa de inverter a situação. E a letra trata bem disso. Enfim, todos queremos que seja o próximo single e que tenha clip, por causa disso tudo e porque a música é maravilhosa, tendo sido trabalhada com pessoas envolvidas na trilha sonora de Piratas do Caribe. Excelente, linda, e que não sai da cabeça por nada.
"Just look at me. Just look a diva, diva, diva..."

Undertaker foi uma música que quebrou as minhas expectativas, mas mesmo assim me impressionou. Com o título, que significa "coveiro", eu esperava por uma música bem pesada e melancólica, como Crimson Deep, mas a música na verdade tem uma melodia orquestral, animada e positiva. Justamente isso me impressionou. Há um contraste tão grande entre a letra e a melodia e a música é realmente boa. E tem um ótimo solo de guitarra.

Calling From The Wild já conhecemos das transmissões dos shows no Hellfest e no Woodstock Poland. E já sabemos também que essa não ficará de fora dos setlists. Música muito cativante que começa lenta e então pega ritmo e nos surpreende com os tão familiares "oh oh oh oh oh oh", os staccatos que não ouvíamos desde o My Winter Storm. A música fala sobre natureza é bem fácil de aprender a cantar. Ao vivo o final será trocado por um solo da banda, momento em que a Tarja costuma sair do palco e trocar o figurino.

Então finalizamos com Too Many, que vem lenta e tem um pouco de peso e se mostra muito linda ao todo, com agudos realmente muito bonitos. O que mais caracteriza a música é a constante repetição do refrão, principalmente ao final da música, quando vai tudo sumindo até ficar somente a Tarja a cappella. E silêncio. Ótimo encerramento. Mas não acaba por aí. Depois de um tempo de silêncio (até longo demais, por sinal) a bateria volta junto com guitarras loucas e você não sabe o que é aquilo. Mas a Tarja explica: "this the hit song". A música vai ficando mais rápida, até que para e fica eletrônica, também com a Tarja cantando algumas linhazinhas. Então voltam bateria, guitarras e tudo bem louco que a Tarja nem acompanha direito de tão rápido. E aí acaba de vez e a Tarja diz que foi rápido demais. Hit Song é como uma brincadeira dela pra poder encerrar bem o álbum.

Bem, o que posso dizer é que a Tarja é uma artista que consegue superar a si própria a cada álbum, só evoluindo. The Shadow Self merece nota máxima porque é único. Ninguém consegue fazer o que Tarja faz. Seja vocalmente. Seja musicalmente. Os álbuns da Tarja tem uma identidade própria dela de um estilo que ninguém sabe fazer parecido ou igual. Eu até poderia chamar de "metal tarjônico". Mas o The Shadow Self só não recebe a nota máxima porque seu sucessor será melhor, e o sucessor do sucessor, e o...

Este é um álbum puramente Tarja, e que agradará fãs antigos e novos, e também atrairá muitos mais. Um novo marco, um novo nível na carreira, um novo patamar. Tarja vai cada vez mais longe, e o principal problema do The Shadow Self é porque ele acaba. Então vamos dar replay. Como diria a letra de Calling From The Wild:

"ONE MOOOOOOOOOOORE"

Tracklist:
01. Innocence
02. Demons In You feat. Alissa White-Gluz
03. No Bitter End
04. Love To Hate
05. Supremacy (Muse cover)
06. The Living End
07. Diva
08. Eagle Eye
09. Undertaker
10. Calling From The Wild
11. Too Many
12. Hit Song (faixa escondida ao fim de Too Many)

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