Therion: "Vovin", um álbum de fôlego
Resenha - Therion - Vovin
Por Rafael Lemos
Postado em 18 de maio de 2016
Nota: 9 ![]()
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Após o lançamento e o grande sucesso feito pelo genial, inovador, autêntico, criativo, absolutamente excepcional e maravilhoso album "Theli", que teve o poder de retirar o grupo Therion da cena underground após quase 10 anos de existência, o público ficou eufórico para que eles lançassem um novo disco, pois jamais tínhamos ouvido um trabalho de tão elevada beleza quanto aquele. "A'Arab Zaraq" continha material antigo e o público não queria saber do passado. Para acalmar um pouco, o grupo lançou o ep "Eye of Shiva" em 1998, com versões editadas e outras originais de músicas que estariam em seu próximo álbum, "Vovin", que saiu naquele mesmo ano.
Conforme foi dito na resenha do disco Theli que fiz para o Whiplash.net, essa palavra, assim como Therion, significam "dragão", no caso de Vovin, em Enochian, lingua falada na magia negra.
O Therion estava passando, há tempos, por dificuldades com os integrantes que gravaram o Theli, sobretudo em relação ao alcoolismo. Devido a isso, Christofer resolveu tirar todo mundo da banda e transformar o Therion em seu trabalho solo! Ou seja, todos os membros que tocaram em Vovin são músicos contratados, inclusive os que aparecem nas fotos promocionais.
Vovin é melhor produzido do que Theli e até mesmo melhor tocado e com maior coerência. Theli possui músicas compostas em diferentes épocas entre 1993 e 1996, dando para notar algumas variações de estilos entre elas. Já Vovin foi composto na mesma época, perdendo essas diferenças. Porém, mesmo sendo um excelente disco, não possui a mesma intensidade que Theli, nem mesmo fez o mesmo impacto, pois apenas prosseguiu o estilo feito no álbum anterior (Theli foi inovador e ditou as regras que a banda deveria seguir até os tempos atuais). Mas de longe está de ser um disco ruim, muito pelo contrário. Esses fatos são naturais, pois não é preciso e nem necessário inovar ou se superar sempre. Aliás, quem gosta de determinado grupo, pretende que ele se modifique o mínimo possível ou que nunca se altere, não é ? Por isso que algumas ideias ditas por ai, que tem q evoluir, que é preciso mudar, tem que ser feita com cautela e sempre pra melhor, assim como fez o próprio Therion a partir do Theli, melhorando suas músicas.
A edição em CD nacional não contém bônus e o encarte, sem fotos do grupo, possui imagens típicas usadas pela banda. Tem também informações técnicas e as letras. Existe uma versão importada, com uma faixa bônus (cover do Accept, "The king", e uma versão em digipack com encarte com doze paginas).
Vovin inicia com um clássico absoluto, "The rise of Sodom and Gomorrah", com sua introdução ao estilo árabe que dá toda a base para a música. Essa linda canção tem uma base forte caracteristica do Therion, que prefere não enrolar em escalas infinitas mas sim em acordes executados em ritmos contínuos. Os instrumentos de cordas como celo e violino merecem destaque aqui. O mesmo estilo continua em "Birth of Venus illegitima", enquanto "Wine of Aluqah" explode em peso e velocidade do começo ao fim. Clavicula nox" é uma das mais bonitas músicas da banda. Lenta e calma em quase toda sua extensão, exceto no refrão levemente pesado, tem um dedilhado delicado na guitarra com uma agradável extensão. Os maravilhosos solos finais, executados em violinos e violoncelos, são de arrepiar. O título da canção significa "chave da noite" em latim e diz como podemos alcançar o conhecimento absoluto, tema decorrente nas letras da banda e na filosofia dracomiana empregada pela sociedade Dragon Rouge.
Contrastando com ela, em seguida vem "The wild hunt", que a imprensa da época destacava como sendo o ponto alto do disco. Particularmente, acho essa música bastante fraca em relação a muitas outras deste álbum ou de tantos outros lançados pelo Therion. Nem mesmo sendo a música mais veloz do disco, com participação de Ralph Scheepeer (vocalista do Primal Fear e ex Gamma Ray) empolgou, mesmo porquê sua participação é tão curta que se resume a cantar o refrão, que são duas frases. A imprensa da época fez elogios a essa participação e a utilizou como forma de promover ainda mais o disco, tanto que muitos compraram por causa dela, sem ao menos ter a ouvido (nessa época, um lançamento era uma surpresa, pois não existia YouTube e mp3 pra baixar... era mais emocionante).
"Eye of Shiva" segue o estilo de "Clavicula nox" e, depois dela, o álbum toma um outro rumo. Se torna ainda mais rico nos arranjos, complexo, intimista, com canções ainda mais elaboradas, lentas, com um certo teor depressivo. São as mais bonitas músicas de Vovin.
"Black sun" tem uma introdução clássica que explode em um corte que a deixa mais pesada. Em seguida, vem a chamada "Trilogia draconiana". Ela é formada por três músicas que, na verdade, são uma só: "The opening", "Morning star" e "Black diamonds". Nelas, os corais soam com a mais exuberante potência, além das execuções individuais de sopranos. A guitarra acompanha mas são os momentos clássicos que se sobressaem. O esmerilhado arranjo é soberbo.
O disco termina com outra ótima música, "Raven of dispersion", agradável de se ouvir. Não resta dúvida que este é um disco que se tornou um clássico, com músicas até hoje executadas em seus shows. A seguir, um vídeo ao vivo da época:
Faixas:
01- The rise of Sodom and Gomorrah
02- Birth of Venus illegitima
03- Wine of Aluqah
04- Clavicula nox
05- The wild Hunt
06- Eye of Shiva
07- Black sun
Draconian trilogy:
08- The opening
09- Morning star
10- Black diamonds
11- Raven of dispersion
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