Korzus: Grande álbum, grande banda
Resenha - KZS - Korzus
Por Arysson Lima
Postado em 14 de maio de 2016
Nota: 9 ![]()
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Comecemos dispensando grandes apresentações a banda que lançou esse álbum. Se você é um fã de Metal que vive no Brasil (que, provavelmente, não acessa páginas do estilo) e não conhece o Korzus, não é diferente de um sujeito que diz gostar da Disney, mas não conhece o Mickey Mouse ou o Donald Duck. Contextualizando, estamos diante de uma obra importante para a carreira dos paulistas mais respeitados dentro da cena nacional, lançada em 1995. Uma das responsáveis por reforçar a presença do Korzus no mercado exterior (eles conseguiram particular sucesso no Velho Continente e na Terra do Tio Sam com o lançamento anterior, o clássico Mass Illusion, de 1992) e também agraciaram os fãs conterrâneos com um álbum veloz, pesado e muito bem produzido, pela primeira vez, por um produtor estrangeiro: Steve Etts, conhecido pelo seu trabalho com o M.O.D, Whiplash e Skid Row.
KZS é, atualmente, um álbum pouquíssimo comentado, em qualquer lugar, e o principal objetivo da resenha é justamente compartilhar opiniões a respeito, ou mesmo apresentá-lo a quem ainda não parou pra ouvir o Korzus com atenção, sem descrever música por música, tarefa cansativa e que em nada acrescenta à experiência de escutar e tirar conclusões. A formação da banda para essa gravação não poderia ser melhor: Além dos grandes Marcello Pompeu, Dick Siebert e Sílvio Golfetti, contavam com Fernando Schaefer (bateria) e Marcelo Nejen, ou "Soldado", apelido de guerra, reunidos ainda no começo do ano de 1995.
Não há muito o que se comentar sobre a arte gráfica, pois esta é bem simples, com um emblema da banda pegando fogo em meio a um fundo negro. Indo ao lado musical, o que se percebe, inicialmente, é um álbum com uma mixagem cristalina e de volume considerável (experimenta colocar ele numa boa caixa amplificadora...). Ao início de "Internally" (que ganhou clipe, ao lado da também excelente "Namesake"), se entende que existe uma certa discrepância, em relação à Mass Illusion. Ainda estão lá os elementos clássicos de Thrash Metal que fizeram o grupo ser o que é, mas aqui, vieram com uma injeção demasiada de Groove e também Hardcore, lembrando um pouco bandas como o PRONG em seu álbum Beg To Differ, e também um tanto o MACHINE HEAD com o seu Burn My Eyes. Influência, talvez, do grande Fernandão, um apreciador e consumidor desse tipo de música, basta ver, ou melhor, escutar os atuais trabalhos dele com o WORST ou o TRETA HC e verão que o embrião dessas sonoridades se desenvolvia aqui.
Outros pontos a se ressaltar são as vocalizações de Marcello, que, mais grave que o comum, em passagens de músicas como "Lost Man" e "Shorted Live", parecem ressaltar ainda mais o peso das guitarras. Os pedais duplos do Fernandão também aparecem a todo momento em velocidades alucinantes. E, embora presentes em diversos momentos, os solos de guitarra não são um elemento de importância por aqui, e nem foram tão trabalhados como em álbum anteriores e posteriores. Sílvio e Soldado deram ênfase aos riffs, e esse é o grande charme do álbum: as músicas são diretas, e por consequência, o álbum é curto: dura pouco mais de meia hora. A última música, com o título certeiro de The Boss, fecha o álbum com maestria, temos a participação do grande Billy Milano (S.O.D, M.O.D).
A formação que deu luz à KZS, infelizmente, não durou muito tempo, apenas 2 anos (com Fernando e Soldado sendo substituídos por Rodrigo Oliveira e Heros Trench em 1998, bem à tempo de fazerem uma épica apresentação no Monsters of Rock, ao lado de nomes como Slayer, Dorsal Atlântica, Saxon e Glenn Hughes. Ambos estão presentes na banda até hoje), mas rendeu alguns bons frutos. Graças a repercussão do disco, apareceram, em rede nacional, em um comercial da Bauducco. Fizeram também suas primeiras apresentações nos Estados Unidos ao lado de Biohazard e S.O.D.
KZS é um grande álbum lançado por uma grande banda, e mesmo que se separe um pouco da massa sonora clássica da banda (de certa forma, recuperada pelo seu sucessor Ties of Blood, de 2004), é ainda, um grande destaque. KZS representa muito bem uma época de profissionalização do Heavy Metal brasileiro, onde grande parte das bandas passaram a investir em sonoridades atraentes para o mercado exterior, mas sem seguir modismos e sem se tornar caricaturas de bandas já consagradas. Com todos os méritos, é um álbum que merece o respeito do headbanger brasileiro, por ter mostrado que outras bandas além do Sepultura poderiam quebrar barreiras e serem reconhecidas lá fora. KZS é um álbum que merece estar em sua coleção e ser escutado, assim como qualquer um do Korzus, seja em MP3, CD, vinil, independente do formato, pois a música é o que importa, e de preferência, numa caixa amplificada em seu volume máximo, como dito no início.
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