Computer Mind: Uma metal opera sobre a Síndrome de Asperger
Resenha - Aspie Project - Computer Mind
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 21 de abril de 2016
Nota: 8 ![]()
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Muito além de Ayreon e Avantasia, as metal operas viraram praticamente um nicho de mercado, o que nos traz coisas boas e ruins. Felizmente, hoje falaremos de coisa boa. O projeto Computer Mind foi montado tendo como base músicos pouco conhecidos: o líder e baixista Mike van den Heuvel, o guitarrista solo Edwin Kraft van Ermel, o guitarrista rítmico Berry Lakerveld, o tecladista Koen van Amerongen e o baterista David Mulder.
O objetivo do projeto, financiado coletivamente, era criar um álbum que falasse da Síndrome de Asperger, um distúrbio que faz parte do espectro do autismo e com o qual o músico convive. A história seria contada como uma autobiografia.
O time de vozes parece retirado de um álbum qualquer do Ayreon: o próprio Arjen Anthony Lucassen (líder do supracitado projeto) aparece, fazendo o papel do Doutor, embora ele só narre, e não cante. O protagonista, inspirado no próprio Mike, é chamado de "O Filho" e interpretado por Wilmer Waarbroek. Não se lembra dele? Ele fez os backing vocals do mais recente disco solo do Arjen, Lost in the New Real, e também gravou todos os vocais da versão demo do álbum mais recente do Ayreon, The Theory of Everything. O time é complementado por Damian Wilson (Threshold, Headspace), Marcela Bovio (Elfonía, Stream of Passion) e Marjan Welman (Autumn), que fazem o papel de O Pai, A Mãe e A Namorada, respectivamente.
O álbum conta ainda com alguns instrumentistas convidados, incluindo violinistas e violoncelistas. À primeira escutada, o resultado final parece uma tentativa de copiar o Ayreon, mas o disco vai sendo digerido com mais audições e logo percebe-se uma identidade mais própria.
Além das faixas convencionais, há uma introdução e quatro interlúdios narrados por Arjen, além de um encerramento instrumental que reprisa o fundo do primeiro interlúdio. As narrações explicam como os portadores da Síndrome de Asperger lidam com as situações do dia a dia. As demais canções descrevem tais situações, incluindo escola, divórcio dos pais, relacionamentos, etc. Os diálogos, embora previsíveis, expressam com honestidade as aflições do personagem e daqueles próximos a ele.
O instrumental chama a atenção pelos arranjos dinâmicos e esmerados, ambientando fúria, medo e angústia de acordo com a temática. Os vocais foram muito bem interpretados, transmitindo emoção verdadeira. Destaque para as dramatizações de Marcela e Damian no vídeo de "Divorce" (veja ao final do texto).
O Ayreon foi uma influência óbvia e talvez até demasiada. Além do elenco, a narrativa e a organização do álbum lembram muito lançamentos recentes do projeto holandês - existem até frases inteiras que parecem extraídas de The Human Equation e The Thoery of Everything. Faltou um pouco mais de originalidade na criação das letras.
Apesar disso, fica o elogio para a ótima instrumentação, e principalmente para a iniciativa de Mike em tratar de um tema tão sério. O metal muitas vezes se esquiva de lidar com problemas gerais, preferindo a fantasia ou aflições pessoais. Que tal um trabalho inteiro dedicado a um distúrbio que afeta muitas pessoas pelo mundo?
O Computer Mind é um projeto bem promissor, que se apresenta ao mundo com uma mensagem de conscientização. Precisa correr atrás de uma proposta e de um estilo de narrativa mais originais, com diálogos menos superficiais. Se o fizerem, já terão alcançado um nível maior.
Abaixo, o vídeo de "Divorce":
Track-list:
1. "Diagnosis"
2. "Talk"
3. "Childhood"
4. "Coma"
5. "Education"
6. "Talk"
7. "Friendship"
8. "Talk"
9. "Relationship"
10. "Blind to Emotion"
11. "Little Box"
12. "Divorce"
13. "Talk"
14. "A Gift Disguised as a Dilemma"
15. "Outro"
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