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Heaven's Guardian: Agora flertando com o Metal Sinfônico

Resenha - Signs - Heaven's Guardian

Por
Postado em 22 de março de 2016

Nota: 8 starstarstarstarstarstarstarstar

Os veteranos goianos do HEAVEN'S GUARDIAN estão de volta. O grupo agora conta com o número elevado de sete integrantes e, traz o seu terceiro álbum de estúdio, o promissor "Signs". O CD é produzido pelo renomado vocalista do KORZUS, MARCELLO POMPEU. A bela arte gráfica ficou a cargo do designer goianiense Rogério Paulo Menezes. Depois de quase duas décadas na estrada, um DVD lançado, além dos CDS "Strava" (2001) e "D.O.L.L" (2004) os caras agora contam com um direcionamento musical diferente. O Heavy Metal tradicional, agora flerta com o Metal Sinfônico.

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A faixa inicial trata-se de uma intro cheia de teclados bem arranjados pelo competente tecladista Everton Marin. O nome envolve uma das temáticas abordadas no disco, "Religion" e, lembra uma trilha sonora de um filme épico. Com direito a narração do próprio Marcello Pompeu e tudo. Bom início.

A segunda denominada "Time" já começa a todo vapor. Com uma pegada que mistura Power, Thrash e Heavy Metal. A canção mostra influências de BLIND GUARDIAN e ICED EARTH, misturado à NIGHTWISH. Mas como assim NIGHTWISH?! Explico. Agora no posto de vocalista temos a talentosa Olívia Bayer, que tem um timbre semelhante ao de Floor Jansen. Destaque nessa para os solos de teclado de Everton e claro, os solistas da guitarra e, líderes da banda, Ericsson Marin e Luiz Maurício Aires.

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Logo em seguida surge a terceira música chamada "Strength". Com altos teores melódicos, o refrão é daqueles típicos dos bons momentos do HEAVEN'S GUARDIAN. Aqui a voz de Olívia ganha ainda mais destaque e faz jus ao título da faixa. A parte lírica é muito bem elaborada também. Objetiva, com enfoque no surgimento e embate existencial do personagem principal – sem nome. A melhor até agora.

A quarta música é a energética "Journey". Começa com pegada rápida de pedal duplo do batera Arthur Albuquerque e fiel acompanhamento do baixista Murilo Ramos. O instrumental mais uma vez é bem executado e harmônico. Possui boa linha de vocal da frontwomen. A parte negativa é a entrada da voz do segundo vocalista, o veterano Flávio Mendez. Seus gritos rasgados são deslocados na composição. Não se encaixam bem à proposta. É uma mistura de TOM ARAYA com UDO em uma música de estilo diferente.

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A número cinco é a cadenciada "Fantasy". Essa tem proposta mais objetiva, pois não explora muito os solos de guitarra e teclado, usados nas anteriores. A alternância de vozes não combina novamente. A menos empolgante até aqui.

A sexta é a pesada e soturna "Dream", que já começa com um teclado digno de filmes de terror. Acordes fortes de órgão de Everton. Tem uma pegada que remete ao som tradicional da banda, sobretudo pela condução da bateria e os solos de Luiz e Ericsson.

A posterior tem uma pegada mais Prog Metal. "Change" mostra que o novo HEAVEN'S GUARDIAN também é influenciado pelos americanos do DREAM THEATER. O teclado de Everton Marin faz toda diferença com seus arranjos e virtuosismo. Outro ponto à se destacar é a linha de bateria de Arthur, que mostra segurança nas variações de tempo quebradas e viradas alternadas. Além é claro, dos solos cheios de feeling da dupla de guitarristas. Som diferente do que a banda já fez. Interessante novidade.

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A faixa de número oito tem o nome de "Passage". O instrumental não empolga muito, a não ser pelo belo solo de teclado de Everton – que mostra toda sua técnica e influência de JENS JOHANSSON. Aqui os vocalistas cantam em tom médio e grave na maior parte do tempo. Não empregam uma linha melódica destacada. Em contraponto a letra é bem escrita e menciona temáticas consideradas cristãs. É uma música com mensagem positiva.

A nona e penúltima canção é a balada "War". Apesar do título, ela possui uma leveza na composição. Aqui Olívia Bayer faz talvez a sua melhor interpretação em todo o disco. O som do piano fica em voga com Everton e é possível ouvir ainda sons de violoncelo – provavelmente executados pelo guitarrista e violoncelista Ericsson Marin. Será que esta é a nova "Master of Streets" dos caras? Só o tempo dirá.

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A décima e derradeira composição é a bem elaborada "Silence". Aqui o grupo flerta novamente com o bom e icônico Power Metal. Linhas de teclados, guitarra e bateria dignos dos finlandeses do STRATOVARIUS. Riffs e solos de guitarra duplicados, que são marca registrada do Heaven’s. Desfecho de qualidade.

Após ouvir todo o registro produzido pelo vocalista e produtor MARCELLO POMPEU, pude notar que o HEAVEN'S GUARDIAN é uma banda renovada. As melhores certamente são "Time" e "Strength" e, as menos destacáveis "Journey" e "Fantasy". É evidente que o auge fora com o excelente frontmen – que mora há nove anos nos Estados Unidos – CARLOS ZEMA. Ele era o diferencial, com seus vocais altivos e rasgados. Mas depois de 12 anos sem apresentar um disco de inéditas, o grupo mostra que ressurgiu pra ficar. E assim, reassumir o posto de principal banda de Metal de Goiás. Bons tempos estão por vir!

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Membros:

Vocais: Olívia Bayer e Flávio Mendez
Guitarras: Ericsson Marin e Luiz Maurício
Teclados: Everton Marin
Baixo: Murilo Ramos
Bateria: Arthur Albuquerque

Heaven’s Guardian – Signs (2016 – Megahard Records - Brasil)
01. Religion
02. Time
03. Strength
04. Journey
05. Fantasy
06. Dream
07. Change
08. Passage
09. War
10. Silence

Site:
http://www.heavensguardian.com.br

Ouça a faixa "Time" no link abaixo:

https://soundcloud.com/mega-prog/heavens-guardian-signs-cd-religion-time

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Sobre Paulo Henrique de Assis Faria

Paulo Henrique de Assis Faria é jornalista e mora em Goiânia. Suas especialidades são o Jornalismo Cultural, sobretudo o Jornalismo de Rock. Já fez parte do programa de televisão "Tribos do Rock" e atualmente é o editor do blog "Crônicas de PH". Fã assíduo de Rock é vocalista de duas bandas goianienses, a Opus Hominis (Power Metal) e Black Griffin (Hard Rock e Heavy Metal).
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