Lobão: Após longa espera, novo álbum de inéditas
Resenha - Rigor e a Misericórdia - Lobão
Por Cássio Pfütz
Fonte: Loja de Discos do Cássio
Postado em 22 de fevereiro de 2016
Lançado em janeiro de 2016, um novo álbum de inéditas do LOBÃO já era esperado pelos fãs há pelo menos três anos. Nestes últimos anos ele esteve bastante ativo, apesar de seu disco parecer não sair nunca, LOBÃO vendeu livros, se enfiou em debates políticos e protagonizou uma série de Hangouts com Olavo de Carvalho, Danilo Gentili e Rodrigo Constantino. Ao mesmo tempo que o debate político se esquentou como nunca no nosso país, LOBÃO ficou cada vez mais como carta marcada de um baralho "de direita", o que o afastou de vez de uma grande parte do público jovem.
Entre um livro aqui, outra coluna na Veja ali, LOBÃO sempre falava do seu disco que estava a caminho. Em 2012 lançou um disco e DVD ao vivo: "Lino, Sexy e Brutal". Desde então reduziu sua banda à um trio, com quem fez alguns show pelo Brasil, e no ano passado, além de se envolver com as manifestações a favor do impeachment, o cantor também fez uma turnê "voz e violão" com o show "Lobão Sem Filtro".
Quando se é um artista solo, é complicado separar seu trabalho artístico da sua vida pessoal e de suas opiniões políticas e visão de mundo. Mas quem julga LOBÃO pela sua longa barba branca atual e suas análises extravagantes sobre a falência do Brasil, e o odeia por isso, deve revisitar o mínimo de sua carreira e verificar se o Rock produzido por ele é ou não de qualidade. E eu afirmo: É.
"O Rigor e a Misericórdia" ganhou nome no meio de 2015, quando, depois de tanta demora, LOBÃO divulgou uma camapanha no Kickante para arrecadar fundos para a produção do novo disco. Tendo alcançado 123% do valor, o projeto finalmente ganhou uma data e foi lançado.
Sempre que falava de seu novo álbum, LOBÃO afirmava que estava gravando o álbum extremamente sozinho e em casa. E ainda dizia que a demora se dava pelo seu empenho em conhecer e dominar novas tecnologias de gravação e produção. "Overture" começa com algumas frases muito estranhas de sintetizador, mas logo vem uma boa música para começar o álbum de verdade. "Os Vulneráveis" havia sido lançada anteriormente e quando ouvi pela primeira vez achei um som realmente valioso. Uma canção que combina com a voz do cantor, além de ser um Rock de alto nível. No disco ela aparece com algumas pequenas alterações, em relação ao single, mas ela continua uma ótima faixa. Vale a pena conferir a performance dela no programa The Noite, de Danilo Gentili.
A letra toca diretamente na questão política, mas sem ser constrangedora como a faixa seguinte. "A Marcha dos Infames" também fora lançada muito antes do disco. E foi lançada pela Veja. Isso mesmo. Não estamos discutindo política aqui e eu não preciso destacar meu posicionamento político. Mas ouvir algo tão na cara como "A Marcha dos Infames" fez com que LOBÃO, regularmente um ótimo letrista, parecesse deprimente numa letra barata.
Em "Assim Sangra a Mata" veio a primeira surpresa. A primeira música inédita, pra mim. E é simplesmente a melhor música do álbum. Com uma melodia bonita, vocais certeiros e arranjo bem elaborado, LOBÃO abre um punhado de canções mais acústicas. Ele também tinha dito isso em algumas declarações: O álbum será mais acústico, com violões e até com a presença de viola caipira (presente na faixa título).
Em "Alguma Coisa Qualquer", "Dilacerar" e "Os Últimos Farrapos da Liberdade" vemos mais algumas ótimas faixas do alto nível LOBÃO. Coisa que não se repete na, mais uma vez vergonhosa, "A Posse dos Impostores". Previsível, LOBÃO guarda um pouco sua postura realmente criativa pra soar como um garotinho com ódio do PT.
"Ação Fantasmagórica a Distância" retoma as cordas não-elétricas e talvez fale dos pais do cantor, assunto que ele mesmo disse se fazer presente nas composições do álbum. Uma bela canção.
Destaque para as guitarras na introdução de "Profunda e Deslumbrante Como o Sol".
No final das contas acho que valeu a pena esperar e LOBÃO lançou um disco cheio de significados. Político, social, pessoal e musical. Coisas boas e ruins, sem mediocridades. "O Rigor e a Misericórdia" é um grande lançamento e merece ser ouvido.
Tracklist:
01. Overture
02. Os Vulneráveis
03. A Marcha Dos Infames
04. Assim Sangra A Mata
05. O Que Es La Soledad En Sermos Nosotros
06. Alguma Coisa Qualquer
07. Dilacerar
08. Os Últimos Farrapos Da Liberdade
09. A Posse Dos Impostores
10. Ação Fantasmagórica A Distância
11. Profunda E Deslumbrante Como O Sol
12. Uma Ilha Na Lua
13. A Esperança É A Praia De Um Outro Mar
14. O Rigor E A Misericórdia
Outras resenhas de Rigor e a Misericórdia - Lobão
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Mustaine aponta as diferenças entre sua releitura de "Ride the Lightning" e a versão original
A sincera opinião de Jéssica Falchi sobre o Iron Maiden sem Nicko McBrain
Fabio Laguna quebra silêncio e fala sobre não ter sido convidado pelo Angra para reunião
A condição de Geddy Lee para Rush voltar a compor e lançar músicas inéditas
A voz mais pura do rock de todos os tempos, segundo Bruce Springsteen
Os títulos de músicas do Metallica que aparecem em "The Last Note", do Megadeth
A banda que dá "aula magna" de como se envelhece bem, segundo Regis Tadeu
Como EP de apenas três músicas mudou o rumo do rock dos anos 2000, segundo a Louder
Geddy Lee não é fã de metal, mas adora uma banda do gênero; "me lembram o Rush"
A música do Megadeth que James Hetfield curte, segundo Dave Mustaine
A mensagem profunda que Dave Mustaine deixou na última música da carreira do Megadeth
Por que o Lynyrd Skynyrd gravou um solo de guitarra fora do tom em uma canção clássica?
Gary Holt compara James Hetfield e Dave Mustaine e diz que toque de Dave é "diferente"
A música do Rush que fez Neil Peart mudar o jeito de escrever; "experiência humana"
A música que Bruce Dickinson fez para tornar o Iron Maiden mais radiofônico
Bill Wyman conta que era um "pesadelo" financeiro ser membro dos Rolling Stones
A opinião de Ritchie Blackmore sobre Eddie Van Halen e sua técnica de tapping
O clássico do Iron Maiden que foi modificado para não ficar parecido com música do Queen

Lobão: ele tentou, mas perdeu a mão
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
Os 5 álbuns de rock que todo mundo deve ouvir pelo menos uma vez, segundo Lobão
Regis Tadeu toma partido na briga entre Iron Maiden e Lobão: "Cafona para muitos"
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai



