Dorsal Atlântica: A Sorte Está Lançada!
Resenha - Alea Jacta Est - Dorsal Atlântica
Por Vitor Sobreira
Postado em 28 de janeiro de 2016
Nota: 9 ![]()
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Pra quem não conhece, a Dorsal é uma banda que praticou um som soberbo e original, tendo principalmente como base o Thrash Metal, pesado e agressivo em sua essência, somado a pancadas velozes Hardcore e letras muito bem estudadas e inteligentes (poéticas e filosóficas até), sendo tudo isso muito trabalhado MESMO! Contudo, a música que esta rapaziada criou, está muito além de rótulos, pois ultrapassou qualquer fronteira limitativa.
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Além de uma sonoridade amplamente rica, o conceito lírico também segue esse raciocínio, pois em parte conta a história de um personagem chamado "Black Angel", ou seja, um Cristo de pele negra, que age em uma sociedade corrupta e suja, pregando a paz e trazendo esperança aos desiludidos e menos favorecidos. Basta uma rápida olhada na capa para sacar a ideia. Também temos puros momentos de poesia, como na faixa "Take Time", onde a letra nos deixa uma mensagem para aproveitarmos melhor nosso tempo, desperdiçado tantas vezes com coisas fúteis, sendo que a música é rápida e direta, e sempre me lembrou um pouco o Motörhead(!) Tecnicamente, não combinou, mas quem liga?
Todas as músicas são ótimas, mas vou citar apenas algumas: "Thy Kingdom Come" inicia a obra, com batidas violentíssimas, e não nos deixa tempo para respirar. "Straitgate" já demonstra o lado refinado, com várias melodias inspiradoras e um inusitado 'canto gregoriano' (que parece recitar a oração "Pai-Nosso" em latim) a partir dos 2:12``, e que faz o queixo cair devido a sua intensidade. "Human Rights" começa meio que descompromissada, mas ganha velocidade e ainda conta com um solo bem bacana e profundo. "Last Act" é uma das minhas favoritas, e também conta com muitos elementos variados, mas com um andamento mais contido e algumas vozes femininas, para dar aquele toque extra.
Mesmo contando com apenas 3 integrantes, isso não atrapalhou em nada nas composições, pois a força é tanta, que talvez mais gente acabaria é atrapalhando. Como sempre gosto de mencionar a produção, esta aqui ficou excelente, dando o apoio necessário à músicas tão complexas e cheias de detalhes... É impossível imaginar uma produção ruim, pois estragaria tudo! Todos os músicos também merecem congratulações, desde a guitarra onipresente e os vocais cavernosos de Carlos, passando pelo baixo destruidor e que não deixou nenhum buraco, de Cláudio, até a bateria maniaca de Guga, que deve ter tocado até a exaustão.
Se você ainda acha que no Brasil só existem "Sepultura & Angra", reveja seus conceitos e ilumine sua mente, buscando novas opções, como esta pioneira banda, ou mesmo este indispensável e luxuoso disco.
Track List:
1 - Thy Kingdom Come
2 - Give People a Chance
3 - R.I.P. (Racism, Ignorance, Prejudice)
4 - Straitgate
5 - Raise the Dead
6 - Human Rights
7 - Virtual Reality
8 - Last Act
9 - Black Messiah
10 - Loyal Legion of the Admirers
11 - Life Goes On (Vidcom Experiences)
12 - Take Time
13 - Summary Condemnation (Bonus)
14 - Tribute to Gauguin (Bonus)
Line-Up:
Guga - Drums
Carlos Lopes - Guitars and Vocals
Cláudio Lopes - Bass
Lançamento: Janeiro/1994 - Cogumelo Records
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