Kate Bush: Releitura Genial da Própria Obra
Resenha - Director's Cut - Kate Bush
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 21 de agosto de 2015
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
A única turnê de Kate Bush durou apenas 6 semanas (recentemente ela lotou um teatro em Londres por semanas, mas não foi turnê). Para promover o álbum de estreia e provar que não era outra marionete no mundo pop, a cantora montou um show visual e tecnologicamente ambiciosos para a época. A 14 de maio de 1979, porém, anunciou que jamais cairia na estrada novamente. Exaustão, medo de voar, aversão à exposição e publicidade excessivas e a morte de um engenheiro de som têm sido argumentos explicativos para essa decisão tão pouco usual no mundo do rock, movido à promoção. Quaisquer que tenham sido as razões, a britânica optou por se trancafiar em estúdios e produzir álbuns e vídeos recebidos de joelhos por críticos e um público fiel. Aparições apenas estritamente necessárias para a promoção de novo material. Apresentações ao vivo em programas de TV ou participações especiais em shows, poucas.
O espaço de lançamento entre um álbum e outro aumentava. Obcecada por perfeição, Kate gravava e retrabalhava meticulosamente cada trecho das canções. Entre 93 e 2005, a artista ficou em silêncio, concentrando-se em sua vida privada, tendo um filho, Bertie. Personalidade tão reclusa sempre gerou rumores inúmeros como alcoolismo e distúrbios mentais. Dizem até que estudou o modo de comunicação dos golfinhos. Vai saber...
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Em maio de 2011, Kate lançou Director’s Cut, onde regravou algumas canções de The Sensual World (1989) e The Red Shoes (1993). A divulgação da regravação de Deeper Understanding no You Tube, no início de abril, dividira fãs e deixou os mais puristas (e desatualizados) de cabelo em pé: Kate Bush estava usando Auto-Tune! Ora, a canção fala sobre uma pessoa cuja única ligação com o mundo é o computador e o recurso de tratamento vocal aparece após o verso "I press execute". Uma coisa é usar Auto-Tune como Jessie J, outra bem diferente é utilizá-lo quando contribui formalmente com a canção.
A tônica de Director’s Cut é despir os originais de elementos orquestrais e sintetizadores. A produção mais pesada, característica da década de 80, deu lugar a arranjos orgânicos que permitem maior respiração às melodias. Menos é o novo mais para a Kate Bush madura. Song of Solomon ganhou delicadeza que valoriza a canção e os vocais e permite que as portas do paraíso se abram de verdade quando o Trio Bulgarka faz sua participação arrepiante. Tirado o glacê da produção, Lily continua musculosa e a voz de Bush incandesce na letra que traz uma imagem poderosa: a cantora em meio a um círculo de fogo, protegida pelos arcanjos Gabriel, Miguel, Rafael e Uriel.
Não se trata de dizer se as canções ficaram melhores ou piores; ficaram diferentes. Moments of Pleasure transformou-se em uma elegia ao som de piano, muito mais lenta do que o original já desacelerado e emoldurado por orquestração luxuosa. A adição de um coral meio em tom natalino deu outro tipo de esplendor à faixa. Modos distintos de experimentar o sublime.
The Sensual World foi rebatizada como Flower of the Mountain porque Bush finalmente conseguiu permissão para utilizar o solilóquio de Molly Bloom, que aparece no final do Ulysses, de James Joyce. Oui, mes amis, Kate Bush é cult(a)! Seu registro vocal mais maduro e quente, combinado com a melodia fluida e algo orientalizada continua despertando desejos de sair deslizando por uma floresta, como no clipe original.
The Red Shoes e sua letra alertando acerca dos perigos de se obter o que se deseja não perdeu nada de sua telúrica força folk. Pelo contrário. Quando Bush grita "really happening to you" dá uma baita vontade de calçar os mágicos sapatos vermelhos e circundançar celtas fogueiras em noites plenilunares de verão pré-medieval até o calçado gastar.
A mudança mais radical fica por conta de Rubberband Girl. Os elementos de funk eletrificado e os vocais cristalinos do original foram substituídos por um clima de pub londrino esfumaçado da década de 60. Puro Stones e Kinks!
Hora de uma confissão: quando ouvi Director’s Cut pela primeira vez deixei This Woman’s Work para o final. Pulei a faixa. Tinha medo da comparação com o original orquestrado e dramático. O clipe e a canção estão entre meus favoritos de todos os tempos. Ouvi a nova versão à noite, deitado. A orquestração foi substituída pelo que soa como um piano elétrico e a interpretação está mais etérea, como os arranjos. Lembrei-me da morte que ronda o vídeo e acho que entendi a nova roupagem. Tia Kate simplesmente conseguiu compor a trilha sonora para uma daquelas experiências de quase morte! Se o flutuar em paz, em direção a uma luz branca – mencionado por tanta gente – tiver música de fundo, esta foi capturada por Bush. Novamente, outra forma de experienciar o sublime.
Director’s Cut traz a artista se reinventando sem alarde e até no título provando que quem manda em sua carreira é ela. Exemplo de independência e integridade artísticas.
Tracklist
1. "Flower of the Mountain"
2. "Song of Solomon"
3. "Lily"
4. "Deeper Understanding"
5. "The Red Shoes"
6. "This Woman's Work"
7. "Moments of Pleasure"
8. "Never Be Mine"
9. "Top of the City"
10. "And So Is Love"
11. "Rubberband Girl"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Angra confirma mais um show da turnê de 30 anos de "Holy Land", agora em Belo Horizonte
A banda que Jack Black diz que destruiu o rock por ser grande demais
Black Label Society confirma shows no Brasil e apresentação exclusiva do Zakk Sabbath
3 músicas lendárias do metal nacional que são um convite à nostalgia
A única banda que uma criança precisa ouvir para aprender rock, segundo Dave Grohl
Ferraris, Jaguars e centenas de guitarras: quando astros do rock transformaram obsessões em estilo
Ela é vigária, grava com o Dragonforce e quer o Iron Maiden tocando em sua igreja
O guitarrista "bom demais" para ter hit, segundo Blackmore; "jeito muito especial de tocar"
Álbum perdido do Slipknot ganha data de lançamento oficial
Slayer vem ao Brasil em dezembro de 2026, segundo José Norberto Flesch
Rafael Bittencourt, fundador do Angra, recebe título de Imortal da Academia de Letras do Brasil
A atual opinião de Tarja Turunen sobre turnê de reunião com Nightwish e Marko Hietala
Saturnus confirma primeiro show no Brasil; banda tem disco inspirado em Paulo Coelho
Joe Lynn Turner conta como foi se livrar da peruca aos 70 anos
Randy Blythe (Lamb of God) admite que todo mundo tremeu em "Back to the Beginning"
O hit de Ricky Martin que seria resposta a Renato Russo e símbolo da admiração entre eles
A crítica de Lobão a Caetano Veloso por comentário sobre Paulo Ricardo
O dia que Red Hot Chili Peppers se ofendeu com comentário de jornalista brasileiro
10 discos de rock que saíram quase "no empurrão", e mesmo assim entraram pra história
O rockstar mais inventivo e extraordinário de todos os tempos, segundo Kate Bush
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes
