Renegados: um belo, grande e necessário álbum
Resenha - Além dos Rótulos - Renegados
Por Claudinei José de Oliveira
Postado em 14 de agosto de 2015
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Da cidade de Fortaleza, a banda Renegados lançou, de maneira independente, no ano de 2013, o álbum "Além Dos Rótulos", baseado no mais puro "Classic Rock" setentista.
"Classic Rock" é a maneira encontrada por especialistas para catalogar o estilo de rock praticado por bandas, tanto norte-americanas quanto inglesas, entre o final dos anos 1960 e a década de 1970. Jimi Hendrix Experience, Cream, The Who, Grand Funk Railroad, Creedence Clearwater Revival, Deep Purple, Led Zeppelin, entre muitos, muitos outros, são alguns exemplos. Se tornaram "clássicos do rock" com o passar do tempo. O que se convencionou chamar "Classic Rock" é, entre os íntimos, também definido como "o bom e velho rock'n'roll".
A formação instrumental básica no estilo é chamada de "power trio", ou seja, guitarra, baixo e bateria. Oriunda do Ceará, a banda Renegados é um "power trio", formada por Marcelo Renegado (guitarra e vocal), Ricardo Pinheiro (bateria e voz) e Romualdo Bass (contrabaixo), cuja sonoridade é fortemente influenciada pelo "Classic Rock". É aquele "rockão antigo", "bluesy", encorpado e alicerçado em "riffs" de guitarra e baixo sustentados por uma bateria timbrada "no couro", como dizem os entendidos. Por suas raízes nordestinas, a sonoridade da banda remete, também, ao grupo O Peso e aos momentos mais roqueiros do Raul Seixas setentista. Podemos, ainda, perceber certa influência, principalmente nos momentos com ênfase acústica, da geração nordestina dos anos 1970, responsável por mesclar ritmos regionais ao rock, da qual fez parte Zé Ramalho, Belchior, Alceu Valença e Fagner.
O álbum "Além Dos Rótulos", lançado na cara e na coragem pela banda, isto é, de maneira independente, no ano de 2013, é a síntese perfeita de todos os elementos apontados acima, embalado numa linda capa que contextualiza (ou conceitualiza) o nome do trio: o "close" nas mãos de alguém queimando sua carteira de identidade, numa afirmação de sua condição de "renegado".
As letras equilibram-se entre temas "líricos" e a crítica sócio-política onde o estilo se faz, também "vintage", lembrando, em muito, as "letras de protesto" da época da ditadura militar. Há um frescor inocente nas denúncias de injustiça social, principalmente se considerarmos que, da década de 1970 para cá, muita água passou por debaixo da ponte e os problemas permanecem, agora sob a tutela de quem os denunciava. Inocência de uma ideologia que não sucumbiu à descrença nas possibilidades de mudança.
É, também, com uma certa inocência, abordada a questão do imperialismo estadunidense na música "Iraque (A Invasão)" onde é simplificada, de maneira maniqueísta, através da representação despótica de George Bush e Tony Blair, a complexidade de nuances que mascaram os interesses envolvidos num conflito militar, inclusive no que diz respeito à liberdade individual, com a qual o rock está intimamente associado e que, fatalmente, entra em xeque toda vez que o sistema capitalista é contestado por lideranças fundamentalistas. Porém, subentende-se que o alvo maior da crítica, na música, é a manipulação maquiavélica da população por seus líderes, em prol de seus escusos interesses.
A canção "Meiga Tempestade", um número instrumental com momentos de explosões flamencas, encerra uma singela beleza e convence nossos ouvidos de que um adjetivo ("Meiga") e um substantivo ("Tempestade"), aparentemente excludentes, nasceram um para o outro, sem a necessidade de uma única palavra!
Poderíamos, aqui, tentar definir para o leitor todas as canções, porém, nunca faríamos jus ao ato de ouvi-las. Corra atrás. Um belo, grande e necessário álbum para todos nós, amantes do bom e velho rock'n'roll, representando uma arte que se desvanece.
Tracklist do CD:
1."Não Cale"
2."Sertão Da Alma"
3."Ataque Blues"
4."Sem Fronteira"
5."Continuar"
6."Dona"
7."Martelo"
8."Infinito Em Você"
9."Mentes Invisíveis"
10."Um Toque"
11."Viúva Negra"
12."Iraque (A Invasão)"
13."Meiga Tempestade"
14."Asas Do Vento"
15."Berlinda"
Gravadora: Independente.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Deep Purple que cutucava os "guardiões da moral" dos anos 70
Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
"Eu não erro nunca", disse Mikkey Dee ao entrar no Scorpions
A primeira música que o Queen tocou quatro anos antes de transformá-la em clássico
A música do Metallica de 1984 que James Hetfield não quer ver nem pintada de dourado
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
O clássico do Slayer que é faixa de um álbum "terrível", segundo a Metal Hammer
Narrador do Sportv, Luiz Carlos Jr. toca Dio no Rock and Roll Hall of Fame
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
Wacken Open Air está próximo e confirma 172 atrações em 4 dias de shows
7 clássicos do rock nacional lançados em 1994 que são lembrados até hoje
Tarja Turunen precisou deixar a Finlândia após demissão do Nightwish
Formação da turnê "Ozzmosis", de Ozzy Osbourne, se reúne em disco de Joe Holmes
Festival Best of Blues and Rock tem edição 2026 confirmada
O disco que transformou o Iron Maiden em uma banda realmente global
Brian May diz que gravar com Axl Rose foi "uma experiência estranha"
"Eu estava na casa dos 30 anos quando Roger saiu do nosso pequeno grupo pop", diz Gilmour
VH1: 100 melhores músicas de hard rock de todos os tempos


Tarja Turunen: Frisson Noir - o álbum que os fãs sempre quiseram ouvir
Immolation anuncia a rápida e iminente autodestruição da humanidade no ótimo "Descent"
Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
Dio: Quem fez mágica ou pisou na bola no novo tributo



