Sentapua: O peso que gostamos de escutar numa banda de rock
Resenha - Sentapua - Sentapua
Por Mário Orestes Silva
Postado em 04 de julho de 2015
No meio da significativa quantidade de bandas que surgiram na virada do século, na cidade de Manaus (Amazonas), várias chegaram a gravar seus discos. Dentre estas, a grande maioria findou-se, poucas continuaram seus legados e várias outras vieram posteriormente, obedecendo o ciclo natural das coisas. Em toda esta fauna, a Sentapua foi uma que lançou seu debut, terminou algum tempo depois, passou vários anos em inatividade e retornou aos palcos com nova formação, cerca de uns 3 anos atrás, mantendo até hoje a rotina de apresentações. Seu disco homônimo foi lançado no longínquo ano de 2004, mas demonstra um playlist atemporal e empolgante.
O CD já abre com "Punhal", considerada por muitos, como a melhor faixa do disco. Influência direta do grunge, ótima letra e refrão marcante. A segunda é "Veludo". O dedilhado de abertura é só enganação pro peso que vem em seguida, promovido pela mudança de tom no vocal principal. Na terceira colocação está "Absinto" que acelera um pouco o ritmo nos estrofes. Seu final que poderia ser menos inesperado. Na quarta posição vem "Quinta Feira" que expõe a boa qualidade dos músicos, principalmente de seu baterista Lauro Henrique. Na sequência vem um blues (?). Sim, "No Lado Escuro da Nossa Lua" é um grande blues, que ganhou o carisma do público pelo seu refrão pegajoso. Vale lembrar que esta música também foi gravada pela banda "Tudo Pelos Ares", em seu disco de estreia (nomeado de "Senta a Pua"), por ser de composição do ótimo guitarrista vocalista Eduardo Molotievski.
Em sexto lugar "Quinze para Meia Noite" devolve o peso, desta vez explícito mais na letra da canção. A oitava é "O Frio" que tem destaque para os guitarristas Deco Vequione e Luigi Henrique, respectivamente base e solo (Luigi também é creditado como o contrabaixista). Em seguida "Máscara" dá uma apaziguada com uma introdução mais trabalhada, até a entrada do primeiro estrofe. Curiosamente o peso entra apenas nas partes cantadas. A próxima é "Fotossíntese" com uma pegada um tanto punk rock, e um ótimo refrão que também é bastante pegajoso. "Espelho" segue trazendo a mesma levada e nada muito diferencial do restante do disco. Pra fechar a bolacha "Paradoxo" tem sua cadência em guitarra acústica. A distorção entra apenas nos refrões, mas nada que comprometa as características indie, muito tonificadas pelos vocais de Wilson Lobão.
A ausência de um encarte mais elaborado, principalmente com as letras das músicas, é sentida. Hoje a Sentapua encontra-se apenas com Wilson de sua formação original, mas o trabalho produzido no primeiro CD é primoroso e prova toda capacidade de concentração em boas músicas com ótimas letras e o peso que gostamos de escutar numa banda de rock.
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