Unmasked Brains: Disco Thrash mais diferente que você já escutou
Resenha - Machina - Unmasked Brains
Por Willba Dissidente
Postado em 24 de abril de 2015
Nota: 7 ![]()
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Desde que surgiu com o "Kill'em All" do METALLICA (ou seria o debut do STRESS?), o Thrash Metal passou por algumas inovações e mudanças dentro do gênero. Assim como o SEPULTURA ajudou a desenvolver o Groove, popularizado pelo PANTERA nos anos 1990, uma outra banda brasileira chega inovando na cena. Trata-se do All Metal, como se define o conjunto carioca UNMASKED BRAINS, que não obstante já andar pela cena há mais de 20 anos, só em 2014 soltou seu primeiro registro fonográfico.
Bandas de Thrash Metal com influência de Hard Core e Metal tradicional existem aos milhares pelo mundo. O diferencial do UNMASKED BRAINS é justamente manter a estética Groove dos anos noventa para passear por todos estilos da música pesada em suas composições; do Death Metal ao Jazz-Fusion! E é justamente essa misturada sem compromisso com o passado, como as bandas old-school, que se pode esperar ao ouvir os cravados 45 minutos do Cd "Machina". O grupo, que começou se chamando MILÍCIA ARMADA e passou treze anos desativado, só mudando o baixista da formação original (!), se manteve antenado em tudo que ia surgindo de novidade no Metal e soube mesclar essa gama vastíssima de influências, estilos e levadas sem esquecer o som Thrash tipicamente "Pula, Pula" da época em que começaram. Outro diferencial importantíssimo é que, tão confiante no seu trabalho, o UNMASKED BRAINS disponibilizou meses antes do lançamento do Cd físico o disco "Machina", o álbum completo no youtube.
Além do cuidado nas composições, no trabalho de estréia do veterano grupo os timbres dos instrumentos estão bem tirados e mixados de forma a um não encobrir o outro. O vocal lembra muito o Joey Belladona do ANTHRAX, ainda que com muitos efeitos de voz aqui e acolá e passagens gritadas e guturais. A guitarra solo foi gravado por cima dos outros instrumentos e é a responsável pelos leads e partes distintivas que muito chamam a atenção do ouvinte tanto como os macacões uniformizados do grupo saltam aos olhos de quem vê o visual da banda; que é tão sui generes quanto seu som. O disco é em formato digipack e ainda possui encarte de 12 páginas todo robotizado e com ilustrações que recordam muito o trabalho de H. R. Giger; com as letras e demais informações.
Falando das músicas, a abertura de "Numbers" já é cartão visita do que está por vir: andamentos à la "Raining Blood" do SLAYER, solo panteresco e parte New Metal em meio à bumbo duplo e guitarras cavalgadas. "The New Order of Disorder" traz o vocal mais ANTHRAX, só que com guturais e efeitos e muitos leads para dar aquele efeito na guitarra. "A Máquina", única faixa em português do disco, é também a mais legal: possui thrashera à la EXODUS com interlúdios e efeitos interessantes; muitos melódicos e cativantes. Um dos destaques da bolacha, "Cloistered Life" incluiu um interessantíssimo trabalho jazzístico na cozinha durante o solo de guitarra! Não, você não leu errado...Quem mais misturaria algo como o SEPULTURA em 1989 e fusion jazz?
"Lost Control" tem aquele que de ANTHRAX do disco "Sound of White Noise", de 1993, porém com o baixo mais pesado do trabalho e bateria cavalar. "Controversies of The War" é a faixa mais comprida do trampo, com muitas construções e reconstruções que não são cansativas (incluindo a inusitada introdução de instrumentos imitando filme de guerra e dedilhado à la "Master of Puppets" do METALLICA). Alternando vocais, "Little God Ivory" é a faixa mais tradicional, mas nem por isso menos interessante. O melhor solo de guitarra do álbum está em "Life Has no Meaning", assim como o refrão mais grudento. Finalizando, "Corrupt" inverte a ordem tradicional das músicas de Metal, trazendo o solo principal logo após o refrão e possui outra linha de baixo notória.
Quem é thrasher que aprecia o trampo de bandas recentes que mantém vivo o espírito old school, como SELVAGERIA, JACKDEVIL, ATTACKE NUCLEAR e outras (ou SÓ curte os grupos dos anos 1980), irá achar que o UNMASKED BRAINS merece nota 5, por manter mais influências alienígenas aos anos 1980 do que tradicionais. Já quem aprecia mistura, inovação e acha que esse é o caminho para uma mente mais aberta e progressão do Metal irá achar que os cariocas merecem nota 10 pela competência e a ousadia. Como cade ao leitor, e por conseguinte ouvinte, decidir o quanto ele gostou do UNMASKED BRAINS, optamos pela média aritmética arredondada (já que o Whiplash não aceita nota quebrada).
UNMASKED BRAINS - "Machina" - Nacional, Independente, 2014, 45:00.
1. Numbers (04:12)
2. The New Order of Disorder (04:02)
3. A Máquina (02:58)
4. Cloistered Life (05:19)
5. Lost Control (03:51)
6. Controversies of the War (08:35)
7. Little God Ivory (04:30)
8. Life Has no Meaning (06:28)
9. Corrupt (04:47)
UNSMAKED BRAINS:
Reinaldo Leal - voz e guitarra
LGC - guitarra solo
Denner Campolina - baixo
Elcio Pineschi - bateria
Sites relacionados (em português / inglês):
http://www.unmaskedbrains.com/
https://www.facebook.com/unmaskedbrains?fref=photo
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