Quase Famosos: uma análise do filme
Resenha - Quase Famosos - Cameron Crowe
Por Pedro Carvalho
Fonte: Arte Sétima
Postado em 05 de dezembro de 2014
Cameron Crowe é um cineasta apaixonado pelo Rock. Antes de se aventurar pela Sétima Arte, excursionava com bandas como Led Zeppelin, The Who, Lynyrd Skynyrd e Eagles a fim de conhecer mais a fundo a história das bandas, suas personalidades e como elas se comportavam na estrada. Era e continua sendo um editor colaborador da revista Rolling Stone, uma das mais influentes na área do jornalismo musical. Em 2000, Crowe fez um apanhado de diversas de suas experiências como crítico de Rock para realizar uma espécie de semi-autobiografia cinematográfica.
Crowe já havia demonstrado seu apreço pelo Rock em Vida de Solteiro (Singles), de 1992, cuja narrativa se passa em Seattle, durante o auge do movimento Grunge, com aparições de bandas como Alice In Chains, Soundgarden e Pearl Jam (esta última acabou ganhando um documentário em 2011 pelas mãos do próprio Crowe, Pearl Jam Twenty, ou simplesmente PJ20). Porém, em Quase Famosos, é absurdamente notável o quanto o coração de Crowe está presente em cada quadro, cada linha de diálogo e canção selecionada.
O filme narra a história de William Miller (Patrick Fugit), um adolescente genial e precoce. Somos apresentados a ele, sua irmã mais velha Anita (Zooey Deschanel, linda demais) e Elaine, sua mãe (a sempre ótima Frances McDormand). O ano é 1969 e Anita, frustrada com a forma bizarra com que Elaine tenta educar os filhos, acaba partindo, deixando sua coleção de vinis para William, que acaba se apaixonando assim que coloca Sparks, da primeira Ópera Rock do The Who, Tommy. Temos um salto de quatro anos. William, agora com 15, já é um redator da revista Cream e está prestes a concluir o colegial.
Ao conhecer pessoalmente o famoso crítico Lester Bangs (o grande Philip Seymour Hoffman, falecido no ano corrente), William é incumbido de entrevistar nada menos do que o Black Sabbath. No local do show, acaba conhecendo algumas groupies – incluindo a bela Penny Lane (Kate Hudson, em ótima atuação), por qual William acaba tendo uma queda – e a banda Stillwater. Dias depois, William recebe uma ligação de Ben Fong-Torres (Terry Chen), editor da Rolling Stone.
Desconhecendo a idade do competente jornalista, Fong-Torres o oferece uma grana preta e uma excelente oportunidade para acompanhar uma banda em turnê e escrever uma vasta matéria sobre a mesma. William, então, sugere a Stillwater, banda promissora e ainda com pouca bagagem que acabara de conhecer pessoalmente. Ele logo se vê na estrada com a banda liderada pelo irritante vocalista Jeff Bebe (Jason Lee) e o guitarrista molha-calcinha Russell Hammond (Billy Crudup), além de Penny Lane, em uma aventura que mudará sua vida e a forma com que vê o mundo.
A sinopse em três parágrafos pode parecer demais, mas, acreditem, trata-se apenas do primeiro ato do filme, que conta com duas versões: a tradicional dos cinemas, com 122 minutos, e a estendida, chamada apenas de Untitled, ou The Bootleg Cut, com 164 minutos. É desnecessário afirmar que a versão mais curta se torna obsoleta ao assistirmos aquela com mais de 40 minutos adicionais, pois nenhuma cena estendida ou incluída torna o filme cansativo. Muito pelo contrário. Temos mais estudo de personagens, diálogos maravilhosos (os melhores que já conferi em qualquer filme), e podemos entender melhor a química entre Russell e Penny.
Todo o elenco brilha em Quase Famosos, mas posso dizer que os destaques vão para Frances McDormand, Philip Seymour Hoffman e, obviamente, Kate Hudson. Não há nenhum personagem que não cumpra uma função num roteiro cheio de momentos brilhantes, quase mágicos para os amantes de Cinema (e de Rock). O humor é inteligente e pontual e contrasta muito bem com o terceiro ato, já não tão mágico aos olhos de William. A trilha sonora traz ícones do Rock dos anos 60 e 70 como Black Sabbath, Iggy Pop, Led Zeppelin, Elton John, Simon & Garfunkel, The Who, The Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd, colorindo ainda mais as cenas já vívidas da projeção, que nos ensina o que é o poder da Música e até que ponto ela pode nos levar. Quase Famosos mudou minha vida. Não era nascido nos anos 70, mas os presenciei por 164 minutos.
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