Kiss: 40 anos de "Hotter Than Hell", sombrio na medida certa

Resenha - Hotter Than Hell - Kiss

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Por Igor Miranda, Fonte: IgorMiranda.com.br
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O início do KISS foi uma aventura. Empresariado por Bill Aucoin, um diretor de televisão que era novato no mundo da música, e contratado pelo selo Casablanca Records, do executivo Neil Bogart - reconhecido por tornar famosos alguns cantores adolescentes na década de 1970 -, o grupo não sabia muito bem o que fazer.

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Por sorte, conseguiram experimentar o bastante para que explodissem com "Alive!", em 1975. Mas até lá, o caminho foi difícil. Não só pela falta de oportunidades e recursos, mas também por escolhas erradas. "Hotter Than Hell", segundo da discografia dos mascarados, comprova ainda mais o talento dos envolvidos justamente porque conseguiram brilhar sem a menor condição de obter-se um bom resultado.

Para começar, os nomes responsáveis pela terrível produção do disco de estreia, autointitulado, foram repetidos aqui: Kenny Kerner e Richie Wise. Sabe-se lá como, a dupla conseguiu emular um som ainda pior com timbres fracos, pouco ganho e sensação de abafamento sonoro. Por acaso, "Hotter Than Hell" tem um conteúdo mais pesado e a sonoridade de baixa qualidade parece ajudar em alguns momentos. Mercadologicamente, todavia, foi um tiro no pé.

A banda se mudou de Nova Iorque para Los Angeles só para trabalhar com a dupla de produtores (parece inacreditável, mas rolou isso mesmo). Em diversas entrevistas e no livro "Nothin' To Lose", que relata os anos iniciais do grupo, os músicos afirmaram que a nova cidade atrapalhou muito no processo de gravação - a começar pela guitarra de Paul Stanley, roubada no primeiro dia na cidade.

Como se tudo isso não bastasse, ainda tem a capa de péssimo gosto, com escritos em japonês sendo que a banda jamais havia tocado por lá. Era uma tentativa de impressionar o público norte-americano ("oh, eles já fazem sucesso no Japão"). Não deu muito certo: "Hotter Than Hell" entrou em 100° lugar nas paradas de discos dos Estados Unidos e fracassou comercialmente.

Apesar disso, é fácil reconhecer que "Hotter Than Hell" é um clássico do rock. As composições são muito boas, as performances surpreendem, a visceralidade atrai e a maturidade com a qual uma banda com um ano de história encarou esse desafio é, até hoje, louvável. Várias músicas da tracklist sobreviveram ao teste do tempo e fizeram parte dos repertórios de shows do KISS ao longo dos últimos 40 anos. Metade do álbum foi parar, obviamente em versão ao vivo, no "Alive!". O resto é história.

Logo no início do KISS, a relação entre o lado "bonzinho" (Paul Stanley e Gene Simmons) e a parte "chapada e malvada" (Ace Frehley e Peter Criss), no maniqueísmo que Stanley e Simmons sempre pregaram, começou a ficar conflituosa. Justamente os vícios de Frehley e Criss davam início a uma série de problemas que o grupo viveria nos anos seguintes. Mas a fome pela fama era ainda maior. E, mesmo que indiretamente, "Hotter Than Hell" é parte importante do estômago satisfeito dos quatro rockstars.

Leia o faixa-a-faixa completo no link:
http://www.igormiranda.com.br/2014/10/os-40-anos-de-hotter-t...

KISS: "Hotter Than Hell"
Lançado em 22 de outubro de 1974

Paul Stanley (vocal, guitarra)
Gene Simmons (vocal, baixo)
Ace Frehley (guitarra, baixo em 3, 9 e 10)
Peter Criss (vocal, bateria)

01. Got To Choose
02. Parasite
03. Goin' Blind
04. Hotter Than Hell
05. Let Me Go, Rock N' Roll
06. All The Way
07. Watchin' You
08. Mainline
09. Comin' Home
10. Strange Ways


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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013.

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