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Alice Cooper: Consolidando seu retorno com um álbum vigoroso

Resenha - Raise Your Fist And Yell - Alice Cooper

Por Neimar Secco
Postado em 22 de junho de 2014

Depois de emplacar a música tema de SEXTA-FEIRA 13 parte VI, e de um ótimo show, com produção de primeira, o mais elaborado em alguns anos, na tour de CONSTRICTOR (THE NIGHTMARE RETURNS TOUR), Alice Cooper consolida seu retorno com um álbum vigoroso.

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O ouvinte desavisado, que só conhecia Alice Cooper de seus hits mais conhecidos: School’s Out (1972), No More Mr. Nice Guy, Billion Dollar Babies e Elected (de 1973) descontando as baladas de 1975 a 1978, pode não ter estranhado nada ao ouvir RAISE YOUR FIST AND YELL, na época do seu lançamento - 1987 - (no Brasil, 1988) bem como CONSTRICTOR, de 1986, cujo LP nunca teve lançamento por aqui. Mas o fato é que a música de Alice Cooper sempre foi muito mais versátil que o heavy metal padrão dessa dupla de álbuns que marcou seu retorno ao cenário dos shows de rock e das paradas. E que não se tome ‘padrão‘ como uma crítica, pois não é.

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Dito isso, ‘RAISE YOUR FIST AND YELL’ tem todas as características de um bom disco de heavy metal: um instrumental vigoroso, capitaneado pela guitarra de Kane Roberts e ‘enriquecido’ com o baixo de Kip Winger, a bateria de Ken K. Mary e os teclados de Paul Horowitz. Alice Cooper, que também trouxe para esse trabalho seus temas mais frequentes e/ou familiares (rebeldia adolescente, ironia política, – lembram-se de "Elected"? --, maníacos, neste caso, representados por um serial killer em "Time To Kill") está em plena forma vocal nesse disco. "Freedom", "Lock Me Up", "Give The Radio Back", "Step On You", "Prince Of Darkness", "Gail" e "Roses On White Lace" são as faixas em que Alice canta com mais vigor e nas quais mais empenha suas marcas: ironia, vigor, ‘raiva’.

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"Freedom" é o ótimo ‘cartão de visitas, que abre com a vigorosa bateria de Ken K. Mary, um riff marcante de Kane Roberts e Alice, com muita energia, citando as palavras iniciais da constituição americana: "We the people of the United States, in order to form a more perfect union".

A segunda faixa, "Lock Me Up", que abre com um potente solo de bateria, mantém o clima contestatório e rebelde. Os primeiros versos da letra:

Juiz "Alice Cooper, you have been accused of mass mental cruelty. How do you plead?" (Alice Cooper, você tem sido acusado de crueldade mental em massa. O que tem a declarar?)
Alice: "Guilty!" (Culpado!)

Esta música é uma ode à convicção e à manutenção daquilo em que se acredita, custe o que custar. Não ceder a pressões, sejam psicológicas ou políticas. Para muitos, pura teimosia, para outros, porém, dignidade. Diz a letra: "You can take my head and cut it off / but you ain’t gonna change my mind" (Você pode pegar minha cabeça e cortá-la, mas você não vai me fazer mudar de ideia)

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"Give The Radio Back" é uma crítica metafórica à censura musical, tão em voga na época, principalmente sobre as bandas de heavy metal. A entidade PMRC (Parents Music Resource Center) via as bandas de heavy metal como a primeira e última causa de atitudes polêmicas e/ou impensadas por parte dos adolescentes na época e seu selo 'antológico'.

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Era uma presença indigesta, porém constante nas capas de discos naquele final da década de 1980. Aliás foi (também) por exigência dessa entidade moralista que alguns álbuns de bandas as mais diversas, incluindo os três últimos lançamentos de Alice Cooper: DADA, CONSTRICTOR e RAISE YOUR FIST AND YELL, o álbum aqui analisado, traziam as letras das músicas impressas na contracapa, a fim de que ficassem à vista dos pais ainda nas prateleiras das lojas...

"Step On You" é a faixa com vocal mais ‘ofensivo’ do álbum. A letra exala revanche e intolerância. Seria uma resposta mais clara à atitude intolerante da tal PMRC? Talvez.

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You push too far (Você empurra (força) até longe demais)
You talk too loud (Você fala alto demais)
You stay too long (Fica tempo demais)
You're in my song but you ain't in my crowd (Está na minha música mas não é ‘dos meus’)
I'm gonna step on you (Vou pisar em você)

"Not That Kind Of Love" é sobre um cara que quer levar uma garota ao motel. O som é puro anos 80 e, para mim, os backing vocals nessa música lembram muito alguma coisa não específica do KISS.

"Prince Of Darkness" é outro destaque. Tanto instrumentalmente quanto no vocal é uma bela faixa. É a mais longa do álbum. A princípio não tem nada a ver com o filme de John Carpenter, de mesmo título, que, no Brasil, recebeu o título de "Príncipe das Sombras", do qual, aliás, Alice participa como ator.

"Time To Kill" aparentemente antecede a trilogia de canções que fecha o álbum. Retrata a convicção e a ‘paixão’ de um serial killer, que não vê a hora de voltar a ‘atuar’.

"Chop Chop Chop" talvez tenha como inspiração a história de Jack, o Estripador, conhecido por assassinar prostitutas. No final da música, Alice ‘anuncia’ a faixa seguinte, ‘berrando’ GAIL, GAIL, GAIL, GAIL...

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"Gail" é uma faixa curta, mas muito climática. A base instrumental é um som de cravo, que chega a dar calafrios, tão insinuante é a atmosfera dessa música que trata da prostituta encontrada morta, a mesma que o serial killer de "Time To Kill" e "Chop, Chop, Chop" prenunciam nessas duas faixas anteriores. O ápice chega quando entra a guitarra de Kane Roberts na parte final dessa música.

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Mas o melhor ainda estava por vir. A faixa de encerramento do álbum, "Roses On White Lace" é simplesmente sensacional. O clímax de um trabalho, como já foi dito antes, vigoroso. O serial killer chega ao ponto de matar e mutilar a prostituta que havia chegado ao dia de seu casamento. Vingança por não ter sido ele, o matador sem nome, o seu eleito para o altar? Não se sabe. Assim termina RAISE YOUR FIST AND YELL.

Alice Cooper, em sua forma mais sombria e pesada, estava definitivamente, de volta.

NOTAS:
LANÇAMENTO: Outubro de 1987
FAIXAS:
01 Freedom (Cooper, Roberts) [4:10]
02 Lock Me Up (Cooper, Roberts) [3:25]
03 Give The Radio Back (Cooper, Roberts) [3:34]
04 Step On You (Cooper, Roberts) [3:39]
05 Not That Kind Of Love (Cooper, Roberts) [3:15]
06 Prince Of Darkness (Cooper, Roberts) [5:10]
07 Time To Kill (Cooper, Roberts) [3:38]
08 Chop, Chop, Chop (Cooper, Roberts) [3:07]
09 Gail (Cooper, Robert, Winger) [2:30]
10 Roses On White Lace (Cooper, Roberts) [4:28]

Músicos:
Kane Roberts - Guitars, Vocals
Kip Winger - Bass, Vocals, Keyboards on 'Gail'
Ken K. Mary – Drums
Paul Horrowitz – Keyboards:

CRÉDITOS e CURIOSIDADES:
Produced. recorded and Mixed by Michael Wagener
Front cover illustration: Jim Warren
Alice skull (caveira) illustration: Airic Brumitt
Um título pensado para o album foi 'Summer Blood'.
`GAIL` é o nome do meio da esposa de Alice: Sheryl Gail Goddard Cooper

A tour de "RYFAY", "Live In The Flesh, incluiu um show como atração principal no famoso READING Festival da Inglaterra na noite de encerramento, 30 de agosto de 1987.

A fala "Alice Cooper, You have been accused of mass mental cruelty. How do you plead" em 'Lock Me Up' é dita pelo ator que interpreta Freddie Krueger em d'Nightmare On Elm Street', Robert Englund.

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Sobre Neimar Secco

Welcome to my nightmare. Sou professor de inglês e de português e também tradutor eventual. Rock sempre foi e continua sendo a minha trilha sonora de todas as horas. Minhas preferências são hard rock, progressivo e classic rock em geral (anos 60, 70 e 80). Bandas favoritas: Alice Cooper, Led Zeppelin, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Pink Floyd, Beatles, Creedence, The Doors, Dire Straits, entre muitas outras.
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