Evergrey: Para fãs de música pesada e sombria
Resenha - Dark Discovery - Evergrey
Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
Postado em 15 de novembro de 2013
Foi em 1998 que o Evergrey lançou seu primeiro álbum, The Dark Discovery para somar seu qualificado power-thrash-prog metal à crescente cena metálica de Gotenburgo, Suécia. A mais marcante característica da banda é o vocal de Tom Englund, que possui voz rouca e sempre soa melódica e potente. Englund também é o guitarrista principal, letrista, compositor e líder do quinteto.
Junto do vocal, as guitarras são os instrumentos de maior destaque na composição, sempre assumindo timbres muito pesados que remetem ao thrash metal da mesma cena de Gotenburgo. O diferencial é a sombria ambientação feita com camadas de teclado que está presente em todas as faixas do álbum e que evocam os sentimentos mais gélidos.
Para complementar essa ambientação austral, encontramos ao longo do álbum diversas narrações com vozes perturbadoras, coros catedráticos, pitorescos efeitos climáticos e a sempre emotiva interpretação do próprio Englund, que faz até as mais tolas baladas tornarem-se cativantes. Como exemplo a belíssima For Ever Tears That Falls , balada em piano e dueto de Tom Englund e a voz da carismática Carina Kjellberg, sua esposa.
Obviamente são os petardos que mais devem atrair os fãs de metal. As duas faixas de abertura Blackened Dawn e December 26th são espetaculares, com os melhores riffs do álbum, de pegada sólida e vocais agressivos. É onde os efeitos das narrações e coros surtem os melhores resultados, destacando-as das demais faixas do álbum. As outras faixas rápidas seguem a mesma linha, pecando justamente por soar repetitivas demais, algumas vezes sem direção ou propósito. Exemplo disso são as patéticas passagens instrumentais de quase todas as músicas, incluindo a própria Blackened Dawn, onde após o segundo refrão temos cerca de 1 minuto do mesmo riff sem sequer brotar um solo de guitarra ou qualquer outra coisa para livrar-nos de tamanho tédio. A ausência de solos até que é justificada, já que ao ouvir todos os solos de guitarra deste álbum, não encontra-se um solo melhor que medíocre. Parece que toda a genialidade da banda em criar versos e refrãos se evaporou na hora que a voz de Englund sai de cena.
Outras duas faixas que merecem destaque são as que apresentam os guitarristas convidados. Em Closed Eyes temos a participação notória de Andy LaRocque, guitarrista veterano que fez carreira no King Diamond e que tocou no endiabrado Individual Thought Patterns do Death (EUA), portanto, não é de se admirar que a faixa possua os riffs mais complexos do álbum. Daniel Nojd tenta roubar a cena com uma maldosa linha de contrabaixo, acrescentando uma incrível pegada durante os versos cadenciados.
O outro guitarrista convidado é Mattias IA Eklundh, que contribuiu na boa faixa When the River Calls e toca o melhor solo do álbum, o que não quer dizer grande coisa. Quem tem destaque especial nesta faixa é o baterista Patrick Carlsson, mostrando uma excelente batida quebrada e ótimos efeitos com os pratos. De forma geral, Carlsson me pareceu bastante discreto ao longo do álbum, evitando utilizar pedal duplo e tendo o som de sua bateria bastante abafado na mixagem. Aliás, o álbum todo soa abafado, mas isso não é algo necessariamente negativo já que a proposta sombria da banda talvez não combinasse com uma sonoridade mais polida e cristalina.
The Dark Discovery representa um começo promissor para esta banda que luta para conseguir seu espaço na prolífica cena metálica sueca. A proposta sonora é bem definida, demonstrando que a banda tem identidade e personalidade forte. Os integrantes abraçaram o projeto e fizeram boa execução das ideias nele contido, mas fica claro que ainda há muito que aprimorar em termos individuais e coletivos. Recomendado para fãs de música pesada e sombria, mas que não abrem mão de belas melodias e alguma inventividade.
Evergrey
The Dark Discovery, 1998
Prog Power Metal (EUA)
Lista de músicas:
Blackened Dawn (3:52)
December 26th (5:05)
Dark Discovery (3:35)
As Light Is Our Darkness (1:59)
Beyond Salvation (4:03)
Closed Eyes (6:39)
Trust And Betrayal (4:18)
Shadowed (3:52)
When The River Calls (4:28)
For Every Tear That Falls (4:14)
To Hope Is To Fear (5:39)
Tempo total: 47:52
Músicos:
Tom Englund / vocal, guitarra
Dan Bronell / guitarra
Daniel Nojd / contrabaixo
Patrick Carlsson / bateria
Will Chandra / Teclado
Músicos Convidados:
Carina Kjellberg / vocal feminino
Andy LaRocque / guitarra (faixa 6)
Mattias IA Eklundh / guitarra (faixa 9)
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