Blaze Bayley: "Tenth Dimension" é um álbum mediano
Resenha - Tenth Dimension - Blaze Bayley
Por Ricardo Mazzo
Postado em 09 de julho de 2013
Depois do muito bem criticado "Silicon Messiah" de 2000, o BLAZE BAYLEY levou apenas dois anos para lançar um novo trabalho. Além de contar com os mesmos integrantes de seu irmão mais velho, "Tenth Dimension" possui também o mesmo número de composições, 12. Acho um número um pouco alto e o risco de se deixar o álbum repetitivo e sem tanta criatividade aumenta consideravelmente. No entanto, o segundo CD do Messiah tem 7 minutos a menos que o debutante, o que me agrada. Sinal de músicas mais curtas e diretas ao ponto. Será?
Se eu levar minha afirmação acima ao pé da letra, eu já teria que criticar a primeira "faixa". "Forgotten Future" dura pouco mais de um minuto e não passa de sons estranhos e barulhos industrializados. O mais bizarro, para mim, é colocar nome nessas "músicas". Para compensar, Blaze Bayley capricha na composição que realmente abre o trabalho e manda mais uma para a lista das melhores de sua carreira. "Kill And Destroy" além de ter um riff muito pesado e bangueável, também conta com um refrão bastante comercial e que fica na cabeça por um bom tempo.
"End Dream" é mais um exemplo de música mal composta. Lenta quase o tempo todo, acelera algumas vezes, mas nada demais. O refrão tenta, mas não consegue. Poderia ter ficado de fora, abaixaria o número de músicas para 11 e o trabalho ainda teria menos de 50 minutos. Na seqüência, a faixa-título. Pesada e rápida como todas devem ser, foi executada no show de 2011 em São Paulo e agradou bastante, apesar de ter sido reconhecida apenas pelos fãs mais fiéis. Contrastando com a música anterior, esta acerta em cheio nas partes lentas e nas voltas bate-cabeça.
"Nothing Will Stop Me" chega cometendo o pecado que Blaze Bayley parece não perceber cometer em suas composições. Durante bom tempo, apenas guitarra e voz. Não, Blaze! No meio da música, para variar, aquela acelerada básica, mas que não recupera o tempo perdido. Mas tudo bem, logo a esquecemos, já que "Leap Of Faith" e seus 3 minutos e 38 segundos chegam e vão sem escalas para o top 5 da banda. Porrada do começo ao fim, me agrada mais ainda por acelerar no refrão, o que não é muito usual em suas composições. Essa era a música para ser tocada ao vivo e deixar os headbangers trocarem cotoveladas na pista sem moderação.
"The Truth Revealed" é desnecessária. Quase dois minutos de balada sem sentido. Por essa e outras, o álbum já deixava claro que não passaria de mediano, apesar de uma ou outra exceção. "Meant To Be", a oitava do trabalho, confirma minha teoria. Para mim, a voz de Blaze Bayley não é boa para cantar baladas e ponto final. Por mais complexa e bem composta que seja a música, simplesmente não combina. Esse tipo de música é para Klaus Maine, David Coverdale e cia. Fora que é totalmente fora de contexto o final meio EPICA.
"Land Of The Blind", por ter menos de quatro minutos de duração, já me agradou de saída. No entanto, ao começar, vi que não era nada do que eu esperava. Tenta ser pesada, mas não é tanto. Tenta ser rápida, mas deixa a desejar. O instrumental parece uma dessas bandas de Nu Metal, ou seja, ruim e fraco. "Stealing Time" é um pouco mais pesada, mas não tem a pegada necessária. A salvação poderia ser um refrão mais porrada, mas também não aconteceu. Como podem ver, o trabalho já se mostrava tão mediano quanto eu achava ao ter ouvido pouco mais da metade do mesmo. Uma pena...
O nome "Speed Of Light" indica que, no mínimo, velocidade vem pela frente. E foi aí que identifiquei uma coisa que não me agrada no estilo da banda. Os solos (que muitas vezes funcionam como riffs) são lentos demais, não tem aquela força Power Metal que faz o som ficar muito mais interessante. Mesmo assim, a música é boa e se destaca nessa segunda metade do trabalho. Para fechar esse muito longo "Tenth Dimension", temos "Stranger To The Light". Pouco agrega, muito irrita. É longa e sem peso. Mais uma para a lista das desnecessárias da carreira do Messiah.
Aparentemente, Blaze Bayley gastou grande parte de suas fichas em seu primeiro trabalho solo. As composições eram bem mais interessantes e prendiam os ouvintes até o final. Já aqui a coisa mudou de figura. Um álbum mediano, sem muitas novidades, Blaze Bayley cantando igual e sem muitos desafios. Até 2002, Blaze já tinha lançado 24 músicas, das quais 25% eram diferenciadas. Para ser sincero, um percentual muito bom para quem não tinha nome nenhum do ramo de composições. Vida longa ao Messiah!
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