Aerosmith: Os 35 anos de "Draw The Line"

Resenha - Draw The Line - Aerosmith

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Por Igor Miranda, Fonte: Van do Halen
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O Aerosmith construía seu caminho para se tornar uma das maiores bandas da América. Toys In The Attic, de 1975, já havia surpreendido por sua qualidade acima da média. O sucessor Rocks, de 1976, serviu apenas para reafirmar de forma ainda mais genial. São os dois trabalhos fundamentais do grupo nos anos 1970, diga-se de passagem.

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Mas o sucesso também trouxe consequências negativas ao Aerosmith. Os músicos, especialmente, Steven Tyler e Joe Perry, estavam se afundando cada vez mais em drogas. Houve também um enorme desgaste com as incessantes turnês. Esses fatores passaram a influenciar no processo criativo da banda – ainda mais se considerar que os principais compositores eram os que estavam passando por problemas mais notáveis.

Nessa conjuntura, nasceu Draw The Line, que foi lançado há exatos 35 anos. O álbum foi gravado em um convento abandonado nas proximidades da cidade de Nova Iorque, provavelmente para inspirar os músicos. A influência de Blues pipoca de várias formas nesse trabalho.

A faixa título abre os trabalhos chutando o balde. Hardão com um pé no Blues, riff conduzido por guitarra com slide, instrumental bem tocado e boa apresentação de Steven Tyler. Mais cadenciada, “I Wanna Know Why” é Rock n’ Roll puro, com direito a um piano safado trabalha em plano de fundo na canção. “Critical Mass” é totalmente Bluesy – solos de gaita, riffs de guitarra e cozinha completamente feijão-com-arroz, com alguns momentos de destaque para o baixo de Tom Hamilton.

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“Get It Up” tem a essência Aerosmith. Tyler tem boa performance vocal aqui. “Bright Light Fright”, cantada por Joe Perry, parece ter tido uma produção sonora pior que as outras – mas ainda assim é uma boa música, com batida rápida e a voz rasgada do guitarrista. “Kings And Queens” é a mais melódica do trabalho. Um dos destaques, diga-se de passagem. O solo de guitarra simplesmente épico de Brad Whitford merece uma menção honrosa.

“The Hand That Feeds” é divertida e sorrateira. Recupera o clima Bluesy das faixas anteriores. Completamente Rock n’ Roll, “Sight For Sore Eyes” também se destaca bastante. Ótima canção. A incrível releitura para o clássico de Kokomo Arnold, “Milk Cow Blues”, encerra o registro com classe.

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Draw The Line não se destacou em suas vendas – foi considerado uma decepção se comparado aos antecessores Toys In The Attic e Rocks. E há uma justificativa relevante: todas as músicas são boas, mas nenhuma além da faixa título é realmente marcante.

A falta de inspiração em alguns momentos levou a banda a apostar na influência do Blues, por ser uma espécie de “lugar comum” ou “tiro certo”. Mas exagerou em alguns pontos. Mesmo assim, Draw The Line está acima da média e é um bom trabalho. Completa 35 anos de pouca atenção por parte dos fãs e da crítica. Talvez por ser neutro demais: não agradar demais, nem desagradar de fato.

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Aerosmith – Draw The Line
Lançado em 1° de dezembro de 1977

Steven Tyler (vocal, gaita)
Joe Perry (guitarra, vocal em 5)
Brad Whitford (guitarra)
Tom Hamilton (baixo)
Joey Kramer (bateria)

Músicos adicionais:
Stan Bronstein (saxofone)
Scott Cushnie (piano)
Jack Douglas (mandolin)
Karen Lawrence (teclados)
Paul Prestopino (banjo)

01. Draw The Line
02. I Wanna Know Why
03. Critical Mass
04. Get It Up
05. Bright Light Fright
06. Kings And Queens
07. The Hand That Feeds
08. Sight For Sore Eyes
09. Milk Cow Blues

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013 – apesar de ainda manter por lá uma coluna semanal, chamada Cabeçote.

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