Sepultura: Em 1989, nascia um clássico
Resenha - Beneath The Remains - Sepultura
Por Arysson Gonçalves de Lima
Postado em 17 de outubro de 2012
O ano era 1989, a cena Thrash Metal estava em alta, e não havia momento melhor para que os brasileiros do Sepultura se revelassem ao mundo. Eles já haviam feito certo sucesso no exterior com o LP Schizophrenia, de 1987, mas nada tão relevante. Mal sabiam os quatro garotos de BH que, após assinarem com a Roadrunner Records, iriam ser considerados uma das maiores bandas de metal do planeta, capaz de gerar vendas milionárias, e terem seus nomes conhecidos mundialmente. E tudo isso graças ao Beneath The Remains, o álbum que foi um marco para o metal nacional e quiçá mundial.
Beneath The Remains abre com a faixa título, uma pedrada no ouvido. Bastante rápida, define o som do Sepultura na época como um todo. Um refrão bastante empolgante e é de levar a loucura os solos de Andreas Kisser e as batidas frenéticas de Igor Cavalera, sem dúvidas um dos melhores bateristas da história.
O álbum mal começa e já entra em seu ponto mais alto, Inner Self. Uma composição incrível, com grande desempenho de todos os membros da banda. Aqui temos um dos Riffs mais bem feitos e marcantes da história da banda, uma linha de bateria perfeita e um baixo preciso. Além do inconfundível vocal de Max Cavalera, que completa o pacote. Escute essa música e vá a loucura. Inner Self é até hoje tocada ao vivo pela banda, sendo considerada um clássico pelos fãs. E é indiscutivelmente a melhor música desse álbum. Vale ressaltar que foi a primeira música da banda a ganhar um videoclipe.
Stronger Than Hate é outra paulada, uma das mais rápidas do disco. Temos outra grande performance de Igor Cavalera, e um refrão grudento, com direito a backing vocals de Kelly Shaefer (Atheist), John Tardy (Obituary), Scott Latour e Francis Howard (Incubus), gritando "Stronger Than Hate" com Max Cavalera. É uma excelente canção, mas infelizmente esquecida pela banda. É possível encontrá-la ao vivo em alguns Bootlegs da banda.
Mass Hypnosis é mais um clássico do Sepultura. Uma introdução matadora, Max Cavalera urrando como nunca e Andreas Kisser tendo seu melhor desempenho em todo o álbum. O solo desta música é, para mim, o melhor de toda a carreira do guitarrista, e os Riffs de Max Cavalera são no mínimo excelentes e marcantes. Igor e Paulo mais uma vez jogam para o time, executando de ótima maneira seus respectivos instrumentos.
Sarcastic Existence começa com uma simples entrada de bateria de Igor Cavalera, e vai crescendo aos poucos, se tornando um Thrash Metal de responsabilidade. Tem uma ótima letra e é uma grande música, mas que pode passar despercebida em meio a tantos clássicos.
Slaves Of Pain faz exatamente a proposta sonora do álbum inteiro, rápida, brutal e técnica. Destaque para todos os músicos, mas em especial Max Cavalera que canta de forma esplêndida e despeja riffs agressivos por todos os lados.
Lobomoty tem a melhor introdução do álbum, uma entrada rápida de Igor Cavalera e um riff matador. Max Cavalera mais uma vez se destaca entre todos, urrando feito um urso e tocando as bases de maneira excelente. Temos também mais um bom solo de Andreas Kisser. Não é uma música importante para a carreira da banda, mas não deixa de ser excelente.
Hungry se inicia com mais um Riff cortante de Max Cavalera, seguida da bateria extremamente veloz de Igor Cavalera. É a canção mais bem trabalhada do álbum, com destaque para todos os músicos, com cada um demonstrando o quanto evoluíram tecnicamente neste álbum. Também não é uma canção muito importante para a banda, mas eu gosto muito.
Primitive Future é a canção mais rápida, mais brutal e mais suja do álbum, quase Death Metal. Era a canção de abertura dos shows na turnê do álbum. O Riff de introdução é destruidor, e o bumbo duplo infernal de Igor Cavalera completa uma máquina de destruição em massa. Max Cavalera tem uma grande performance, com seus riffs poderosos e o vocal mais agressivo em todo o álbum. Andreas faz o que fez em todo o disco, tocar estupidamente bem. Paulo Jr. não é referência como baixista, mas tocou muito bem não só nessa música, mas em todo o álbum. Porém, como tudo que é bom dura pouco, esse clássico se encerra por aqui, deixando o pescoço de quem o ouviu inteiro com sérios problemas.
O álbum foi relançado em 1997 com faixas bonus, incluindo um ótimo cover para A Hora e a Vez do meu cabelo Nascer, dos Mutantes, e as linhas de bateria de Inner Self e Mass Hypnosis, que eu, como baterista, gostei bastante, mas duvido que vá interessar a quem toca outro instrumento.
Beneath The Remains foi um marco para o Metal Nacional e levou o Sepultura ao estrelato. Durante a turnê eles foram banda de abertura do Sodom, outra banda alemã de Thrash Metal. Segundo os próprios integrantes, os conflitos entre os membros de ambas as bandas eram constantes. Beneath The Remains foi um dos melhores lançamentos do ano e chegou a ser comparado com o clássico Reign In Blood, do Slayer. A turnê foi tão prolífera que levou a banda a tocar em grandes festivais, como o Rock In Rio 1991. E esse era só o início da ascensão da banda, que anos mais tarde seria realmente conhecida como um dos melhores grupos de Metal do planeta.
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