Prisioneiros do Passado: melhor do blues em trilha sonora

Resenha - Trilha Sonora - Prisioneiros do Passado

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Por Paulo Severo da Costa
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em papos de boteco mais desavisados, o blues parece ser sempre ter uma cara única: basta falar a respeito, que alguns já começam a brincar com algo do tipo " ta-ran-tan-tan", limitando o ritmo a algum estereótipo de boates de strip nos filmes de Hollywood. Muito mais do que um estilo musical limitado a guetos ou plantações de algodão, o blues, como qualquer gênero, foi sofrendo alterações com o tempo, incorporando novos elementos e alternado sua dinâmica. Dividido em estilos tão diversos quanto Delta blues, Texas blues, Chicago blues e vários outros, conserva sua essência rústica e sentimentalista enquanto recebe novas nuances em suas sonoridade.

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Em 1996 foi lançado "Prisioneiros do Passado", cujo título original lembra um título de blues da Decca- "Heaven Prisoner". Estrelado por ALEC BALDWIN e KELLY LINCH, o filme é ok, mostrando a história de um policial alcoólatra em investigação a um acidente aéreo. Mas o grande trunfo do filme se encontra em sua trilha sonora: misturando o blues dos anos 50 a 80 em um caldeirão de clássicos, o filme é um "random" pelos último meio século em torno do ritmo mais sofrido da história.

Dividido entre clássicos, a trilha transita fluida por entre a crueza da versão de "Red House" segundo BUDDY GUY e a angústia incontida de ARETHA FRANKLIN em "I Never Loved a Man (The Way I Love You). O vozeirão moldado em bourbon de JOHN LEE HOOKER está lá, na irrepreensível em "I Ain't Gonna Suffer No More" que junto a safadeza de JUNIOR WELLS EM "Good Morning little Scholl Girl" são a trilha perfeita para a sinuca do lado daquele neon de propaganda de cerveja no pub mais próximo.

Na linha do que se convencionou chamar de "swamp blues" um de seus representantes fazem bonito: enquanto o nativo de Louisiana C.C. ADCOCK faz uma versão quase surreal de "Bo's Bounc" carregada por uma bateria psicodélica em seu início, os igualmente "novatos" THE HOAX (banda britânica liderada pelo excelente ROBIN DAVEY) e KENNY NEAL (filho de RUFS NEAL) dão show, respectivamente em "Twenty Ton Weight" (bem ao estilo despojado e houserocking de JEFF HEALEY nos anos 80) e a retrô "Baby Bee" no melhor estilo crossover entre MUDDY WATERS e ALBERT KING.

Com essa mistura entre standards e novidades, o álbum não seria completo se não apresentasse uma linha histórica : se de um lado a eternamente regravada "Born Under a Bad Sign" de ALBERT KING figura absoluta ao lado de "The Thrill is Gone" do velho B.B., o responsável o texano incendiário STEVE RAY VAUGHAN não poderia estar ausente- aqui em uma versão esmagadora de "The Things That I Used to do" de GUITAR SLIM. A questão é: com uma trilha sonora dessas, periga a gente esquecer de assistir o filme.

Track List:

Good Morning Little Schoolgirl
Born Under a Bad Sign
Red House
Baby Bee
I Never Loved a Man (the Way I Love You)
Thrill Is Gone
Bo's Bounce
Twenty Ton Weight
Things That I Used To Do
I Ain't Gonna Suffer No More
Don't Answer the Door, Pts. 1 & 2
Good Moanin' Blues
It Hurts to Love Someone




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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

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