Offspring: O respeito gera expectativas exageradas
Resenha - Days Go By - Offspring
Por Lucas Matos
Postado em 27 de junho de 2012
Nota: 9 ![]()
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Se existe uma banda de punk rock que consegue ser respeitada por todas as tribos, não só pela atitude mas também pelos ótimos músicos que são, essa banda é o Offspring. A banda já tem mais de 20 anos de estrada e parece que nunca envelhece. Porém, tanto respeito gera muitas expectativas exageradas.
E esse justamente é o ponto negativo de ser uma banda extremamente respeitada: os fãs são conservadores. Exemplo disso é o Metallica, que é massacrado pelos seus lançamentos experimentais de 96 a 2004 (coinciência ou não, Bob Rock produziu esse disco). A cada lançamento, os fãs esperam escutar um novo Ignition, um novo Smash, um novo Americana. Porém, cá estamos em 2012, com os caras mais velhos e mais maduros musicalmente. O que nos leva a Days Go By, que desde o seu anúncio, vem causando uma polêmica.
O primeiro single lançado foi a faixa-título, que é uma música bem pop e estradeira, típica coisa que o Bon Jovi faz muito. E como já não bastasse os fãs soltarem fogos rede afora (a ponto de sair a maior tolice já escrita na internet, de que eles queriam imitar o Foo Fighters), o segundo single, 'Cruising California', flerta e satiriza com a música pop enlatada atual. Foi aí que o pau da barraca foi chutado e muita gente estava quase decretando o fim da banda. Até que o álbum saiu, e sinceramente, todos estavam errados.
Ao dar o play em Days Go By, ele já apresenta de cara a porradeira 'The Future is Now', um grande 'cale-a-boca' a todos os pseudo-críticos. Pegada rápida, grande refrão, fórmula que os caras sabem fazer muito bem.
'Secrets from the Underground' vem na sequência. Uma das melhores faixas do play com certeza. Bem inspirada em 'The Kids Aren't Alright', com mais um refrão pra cantar junto nos shows até ficar sem voz.
A terceira é a faixa-título, lançada como primeiro single. Vou ser sincero: me surpreendi quando essa faixa saiu, de uma maneira positiva. É uma música que mostra o quanto a banda evoluiu, criou versatilidade e pode encaixar seu som em qualquer estilo de música. Excelente música e letra (sim, prestem atenção).
'Turning Into You' flerta com algumas programações eletrônicas no início, mas leva o ouvinte em terras familiares logo em seguida, quando cai no punk rock já conhecido do grupo. 'Hurting As One' já é mais porrada, típica para 'mosh pit' nos shows.
Agora começa o que eu chamo de "trinca polêmica". Começando com o segundo single desse álbum 'Cruising California (Bumpin' In My Trunk)', o grande motivo da chacota. Parece alguma música da Katy Perry, só que disputando espaço com as guitarras e bateria, com direito a autotune na voz de Dexter e uma melodia que gruda mais que cola de sapateiro. Vou ser franco: eu gostei da música. Claro que não é nenhum clássico, mas quem conhece o Offspring sabe da tradição de flertar com estilos musicais alheios da moda. Não foi nenhum crime dos caras.
Já 'All I Have Left is You' não tem nada de engraçadinha, pelo contrário. Uma música bem mais calma, com direito a piano e batidas eletrônicas. É como se o Coldplay resolvesse botar um pouco mais de peso no seu som. Mesmo assim, é uma excelente música.
A zoação agora é explícita em 'OC Guns'. Se você sentia saudade das levadas mexicanas de Americana, elas voltam aqui, com direito até a palavrões em espanhol. É praticamente um 'reggae mariachi'.
O disco volta nos eixos com o remake de 'Dirty Magic', música gravada originalmente no álbum 'Ignition' (1992), que completa 20 anos esse ano. Não mudou muita coisa da versão original, mas ficou uma excelente versão.
'I Wanna Secret Family (With You)' é uma das faixas mais animadinhas do álbum. E pra fechar o tracklist, nada melhor que duas porradas, 'Dividing by Zero' e 'Slim Pickens'.
Days Go By cumpriu o seu papel no ano de 2012: trazer o que os fãs do Offspring gostam, mostrando uma banda crescida e madura, que ainda consegue fazer ótimas músicas e se encaixar em diversos estilos. Seja punk, pop, metal... A banda ainda tem muita lenha pra queimar.
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