Black Tide: Qual o objetivo da banda com este lançamento?

Resenha - Post Mortem - Black Tide

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Por Junior Frascá
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Nota: 6

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O BLACK TIDE foi formado em Miami, Flórida, em 2004, por músicos muito jovens (e a maioria com descendência latina), e chamou muito a atenção do público com seu álbum de estréia, “Light From Above”, de 2008, que apresentava um hard/heavy metal, fortemente influenciado por thrash metal oitentista, como se fosse uma mistura entre IRON MAIDEN e METALLICA no começo de carreira. Ou seja, foi um grande lançamento, e criou grandes expectativas em relação a um novo álbum.
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Três anos se passaram, e agora a banda chega a seu segundo lançamento, e logo de cara podemos perceber mudanças em sua sonoridade. Não que a banda tenha abandonado de vez as características supra mencionadas, mas fica evidente que procuraram modernizar um pouco mais seu som, trazendo diversos experimentalismos e elementos de metalcore para este novo trabalho, certamente influenciados pelo sucesso fácil que o estilo conseguiu, principalmente nos EUA.

Para se ter uma idéia, o som atual da banda lembra bastante AVENGED SEVENFOLD, e os momentos mais metalcore do TRIVIUM, principalmente nos vocais, mas sem o brilho destas bandas.

E ai, meu amigo leitor, você irá me perguntar: mas o disco é ruim? Não. Mas também não é um item que irá se destacar em sua coleção, variando entre momentos horíveis e outros no máximo bons.

O disco abre com a pesada “Ashes”, com riffs bem legais, e vocalizações mais melódicas, lembrando bastante TRIVIUM (numa mistura entre os álbuns “Shogun” e “In Waves”), mas sem o mesmo brilho desta banda. Mas o refrão é cheio de “ooooh” e gritos estranhos, com forte apelo comercial, e há até umas pequenas incursões de vocais guturais. Enfim, é um faixa bem mediana. A faixa conta ainda com a participação de Matt Tuck do BULLET FOR MY VALENTINE

Na sequência, temos “Bury Me”, que apesar de ter um refrão mais pop, é uma boa composição, com riffs e solos bem legais, e uma melodia cativante e repleta de vocais limpos e guturais alternados. Já “Let it Out” é uma das piores do disco, sendo uma semi balada que quer ser progressiva, mas que na verdade apenas apresenta melodias muito simples e “manjadas”, repleta de gritinhos terríveis, e um refrão infantil. A única parte que salva mesmo é o solo, que apesar de curto, é bem construído e executado.

“Honest Eyes” já é uma faixa mais empolgante, com coros legais, riffs pesados e repletos de harmônicos, vocais mais agressivos e um refrão bem legal e grudento. Sem dúvida, a que mais lembra o trabalho anterior dos caras. “That Fire”, apesar de moderninha, é bem legal, com guitarras eletrizantes, linha de vozes interessante, e uma cozinha bem trabalhada, com destaque para o baterista Steven Spence. “Fight Til the Bitter End” é outra música horrível, com um timbre de bateria muito ruim, e melodias muito comerciais, sendo a mais pop do disco. Péssima.

“Take it Easy” segue a linha do AVENGED SEVENFOLD, mas sem a mesma competência, com riffs e batidas na linha “pula-pula”, e que não merece mais audições. “Lost in the Sound", com uma letra bem positiva, também não engrena, e literalmente faz você se sentir meio “perdido no som”, apesar de ter alguns riffs e solos bem interessantes.

Em “Walk Dead Man”, a banda quer mostrar que ainda é agressiva e “malvada”, com riffs pesados e vocais bastante agressivos. Mas ai chega o refrão e lá voltamos nós para as melodias fáceis e até ingênuas, com forte apelo comercial. Ou seja, de que adiantou o todo o peso e a quebradeira nos versos?

Encerrando o disco, temos a balada acústica “Into the Sky”, que até seria legal se estivéssemos resenhando um álbum do Bon Jovi ou do Bryan Adams. No final há uma tentativa (fracassada, diga-se) de tornar a faixa épica.

A produção do disco é toda excelente, com o som bastante limpo e cristalino. Já a arte gráfica é bem simples, com uma capa bizarra e sem criatividade.

Não sei qual foi o objetivo da banda com este lançamento: se foi apenas adequar-se ao que tem feito sucesso no mercado americano e ganhar um pouco de grana, ou se será esta a tendência a ser por eles seguida (o que espero que não!).

Enfim, se você estava esperando um disco do BLACK TIDE na linha do anterior, como eu, não há como não se decepcionar. Mas se o que você procura é modernidade e experimentalismos, seguindo o metalcore, então irá curtir muito o álbum, pois em termos de qualidade, é bem superior à média do estilo.

Segue o clipe de “Walking Dead Man”:

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Post-Mortem – Black Tide
(2011 – DGC/Interscope Records - Importado)

Formação:

Gabriel "Weeman" Garcia - Vocals, Guitar
Austin Diaz - Guitar
Zachary "Zakk" Sandler - Bass
Steven Spence - Drums

Track List:

1. Ashes
2. Bury Me
3. Let It Out
4. Honest Eyes
5. That Fire
6. Fight Til the Bitter End
7. Take It Easy
8. Lost in the Sound
9. Walking Dead Man
10. Into the Sky

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Sobre Junior Frascá

Junior Frascá, casado, é advogado, e apaixonado por heavy metal em todas as suas vertentes (em especial thrash, stoner, doom e power metal) desde seus 15 anos. Também é fã de filmes de terror e séries americanas, faz parte da equipe da revista digital Hell Divine e do site My Guitar, e é guitarrista da banda de metal tradicional MUD LAKE.

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