Motörhead: Fôlego, tesão e talento estes caras têm de sobra

Resenha - Wörld is Yours - Motörhead

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Por Orlando Neto
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Com seis décadas e meia nas costas, o senhor Ian Frasier Kilmister pode olhar para trás e sentir orgulho de seu passado. Roadie de JIMI HENDRIX, membro do HAWKWIND (gigantes do Space Rock) e líder de uma das bandas mais cultuadas da história do Rock, Lemmy poderia usar seu currículo e seguir dois caminhos extremamente confortáveis. O primeiro seria sentar num bar e curtir sua aposentadoria, vivendo dos direitos de suas músicas e hipnotizando garotas voluptuosas com suas profanas histórias da estrada. O segundo seria lançar discos mornos, unicamente para agradar os fãs e descolar mais um trocado. Entretanto, o mítico vocalista/baixista não parece pensar em fazer as coisas por fazer ou muito menos em aposentadoria. Uma prova? "The Wörld is Yours", vigésimo álbum de seu MOTÖRHEAD e dedicado ao já saudoso RONNIE JAMES DIO.
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De alguns anos para cá, o MOTÖRHEAD vem apresentando uma regularidade impressionante para uma banda de sua duração. Pode cronometrar: exatamente de dois em dois anos, soltam um disco novo. E, insisto, não é o lançamento "piloto automático" que muitos "dinossauros" do Rock se apóiam desde que seus dias mais abundantes passaram. É, sim, a manifestação de gente que ainda esbanja vigor no que faz. Quem olha para o MOTÖRHEAD hoje, não pode ver apenas um grupo clássico vivendo de passado glorioso. É inegável a importância de clássicos como "Overkill" e "Ace of Spades" na discografia dos ingleses, mas me arrisco a dizer: o MOTÖRHEAD atual vive seu auge. Desde 1996, o trio emenda uma sequência regularíssima de ótimos discos. "Overnight Sensation" (1996), "We Are Motörhead" (2000), "Hammerhead" (2002), "Inferno" (2004), "Kiss of Death" (2006), "Motörizer" (2008) e, agora, "The Wörld is Yours". A exceção talvez fique por conta do apenas mediano "Snake Bite Love", de 1998. Mesmo assim, é um feito louvável. A formação Lemmy/Phil Campbell/Mikkey Dee funciona perfeitamente, soando como três garotos selvagens de 25 anos, empolgados por tocarem em sua primeira banda.

O feedback favorável que a banda vem colhendo também é gigante, seja do público ou da crítica: shows lotados, ótimas vendas (num mercado que definha, como o do CD) e reviews elogiosos de todos os lados. Claro, o MOTÖRHEAD sempre foi uma banda de peso e influente, mas que mesmo com o status de "clássica", ainda cresce. Hoje, o grupo atingiu um estágio cult que, dos que ainda estão na ativa, talvez só AC/DC e THE ROLLING STONES também alcançaram: o de ser querido e influente por gente dos mais diversos segmentos e gerações, pouco importando se o sujeito faz parte de uma banda de Thrash Metal, Rock Alternativo ou Punk. A prova disso é ver gente como James Hetfield (METALLICA), Scott Ian (ANTHRAX), OZZY OSBOURNE, SLASH, ALICE COOPER, Mick Jones (THE CLASH), Henry Rollins (BLACK FLAG), Peter Hook (JOY DIVISION/NEW ORDER), Dave Grohl (NIRVANA/FOO FIGHTERS) e Josh Homme (QUEENS OF THE STONE AGE), nomes tão grandes quanto distintos, prestando reverência a Lemmy e sua obra.

Com todo esse background, não resta muito para se falar sobre o novo álbum. Há um contraponto interessante entre os sons mais rápidos (ora dialogando com o Metal, ora com o Punk/Hardcore) e aqueles com pegada mais "rocker" que Lemmy tanto gosta. E não se trata de estagnação criativa, mas sim a consolidação de um modo de se fazer música que a própria banda criou e, por mais que tentem, ninguém é capaz de copiar com destreza.

A nós, resta a torcida para que Lemmy e seus comparsas tenham saúde pra manterem a peteca da banda em alta por muitos e muito anos. Porque fôlego, tesão e talento, estes caras têm de sobra.

1. "Born to Lose" 4:01
2. "I Know How to Die" 3:19
3. "Get Back In Line" 3:35
4. "Devils In My Head" 4:21
5. "Rock 'n' Roll Music" 4:25
6. "Waiting for the Snake" 3:41
7. "Brotherhood of Man" 5:15
8. "Outlaw" 3:30
9. "I Know What You Need" 2:58
10. "Bye Bye Bitch Bye Bye" 4:04

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