Neil Young: "Harvest", sereno, acústico, bucólico, tenso...
Resenha - Harvest - Neil Young
Por Elias Rodigues Emidio
Postado em 19 de dezembro de 2010
No começo dos anos 70 e fim dos 60 a carreira do canadense Neil Young estava em alta. Em 1969, convidado pelo ex-companheiro no Buffalo Springfield Stephen Stills, ele passa a integrar o supergrupo Crosby, Stills & Nash (agora rebatizado Crosby, Stills, Nash & Young), e em 1970 é lançado "Déjà-vu" que inclui grandes clássicos do Rock como "Carry On", "Woodstock", "Ohio", entre outros. Com o fim do grupo em 71 é lançado o duplo ao vivo "4 Way Street" um dos melhores registros ao vivo da história do Rock (já resenhado aqui no Whiplash).
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Young também vinha em franca ascensão em sua carreira solo e após o irregular debute "Neil Young" (em que se sobressaia um dos grandes clássicos de sua carreira "The Loner"), o cantor apresenta ao mundo o excepcional "Everybody Knows This Is Nowhere" com grandes clássicos de sua vasta discografia como as épicas "Cowgirl In The Sand" e "Down By The River" e a antológica "Cinnamon Girl", onde pela primeira vez ele é acompanhado pela sua eterna banda de apoio a Crazy Horse. Já em 1970 viria o indispensável "After Gold Rush", um belíssimo trabalho quase acústico não fosse a violenta canção de protesto "Southern Man" e a pesadíssima "When You Dance You Can Really Love".
Em 1972 viria outra obra prima "Harvest", no qual o cantor mostra uma faceta mais sensível, onde se percebe que ele estava profundamente abalado pela perda recente do companheiro e guitarrista original da Crazy Horse Danny Whiten. Em "Harvest", de fato, Neil Young não imprime o mesmo peso de seus lançamentos anteriores, mas a verdade é que quando ele escreveu as canções que entrariam no disco ele estava com inspiração de sobra e nos apresentou temas belíssimos que certamente encantam o apreciador do bom e velho Rock & Roll.
"Harvest" se inicia com um interessante Country Rock "Out On The Weekend", onde a banda de apoio que tocou com Mr. Young no disco, a Stray Gators, mostra-se uma alternativa a altura da já tradicional Crazy Horse.
Dando sequencia ao disco temos a excelente faixa titulo com um clima Folk, em que se sobressai a triste composição de Mr. Young que retrata bem a difícil fase vivida pelo cantor durante o período da gravação do disco.
"A Man Needs A Maid" é até hoje uma das faixas mais polêmicas de Young, com uma letra considerada um tanto quanto machista, e é brilhantemente conduzida ao piano e conta com a colaboração da London Symphony Orchestra, que realiza um magnífico trabalho nas cordas.
"Heart Of Gold" é, sem sombras de dúvidas, uma das melhores canções de Neil, apesar de parecer apenas uma singela poesia adaptada ao formato pop. Nesta faixa pode-se perceber um cantor extremamente desiludido com o mundo a sua volta. "Heart Of Gold" foi o único single em toda carreira do artista a atingir o topo das paradas de sucesso.
"Are You Ready For The Country?" é a mais ensolarada declaração de amor à música Folk dos EUA e exalta as belezas de uma vida simples no campo. Já a espetacular "Old Man" é a mais bela declaração de amor feita por algum cantor para seu pai e até hoje foi um dos singles de maior sucesso da carreira de Neil Young.
"There’s A World" novamente reflete o descontentamento de Young com o mundo e com a perda de valores na sociedade moderna, demonstrando desejo de mudanças, uma nova ordem, um "novo mundo". O destaque da canção fica por conta da interessante colaboração da London Symphony Orchestra.
O Country Rock de "Alabama" traz um clima mais tenso, fazendo criticas ferozes a questão do racismo no sul dos EUA. Já "The Needle And The Damage Done" é um lamento aberto de Young que sentiu profundamente a perda do amigo e companheiro da Crazy Horse Danny Whiten devido a uma overdose com heroína.
Para encerrar um disco tão brilhante foi escolhida a épica "Words (Between The lines Of Age)" novamente com uma interessantíssima participação da Stray Gators, conferindo maior peso a canção, que possui uma letra de um lirismo impressionante. Novamente sugerindo um conceito de mudanças, reflexo da difícil fase vivenciada por Neil Young nesta fase de sua vida.
Sereno, acústico, bucólico, tenso, sensível e triste assim é "Harvest", outro disco mais que obrigatório para quem quiser se conhecer melhor a obra deste grande artista.
Como certo site afirmou, Neil Young é um cantor que jamais entra em estúdio se não tiver nada a dizer. E sem dúvida deve figurar entre os grandes gênios da música mundial, pois sua obra até hoje é muito influente não apenas no Rock, mas também em outros estilos, por exemplo, a atual música Folk dos EUA onde 9 entre 10 bandas citam Neil como sua maior fonte de inspiração.
Disco fundamental para quem quiser compreender melhor a história do rock.
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