Kinks: uma das mais sublimes óperas rock já gravadas

Resenha - Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire) - Kinks

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Por Elias Rodigues Emidio
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O ano de 1969 foi bastante produtivo para o grupo inglês The Kinks. Neste ano o grupo havia lançado o clássico disco “The Village Green Preservation Society”, considerado por muitos o melhor de sua carreira, recheado com composições belíssimas de Ray Davis, vocalista principal, acompanhadas de melodia igualmente belas como a faixa homônima que dá titulo ao álbum e “Starstruck”, entre outras.
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Aproveitando a boa fase de sua carreira no final do mesmo ano os Kinks lançam aquela que seria considerado por muitos como a melhor Ópera Rock já feita na história da música “Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire)”. E com absoluta razão. Este trabalho é magistral em todos os sentidos.

Ray Davis estava em sua melhor fase como compositor e acabou criando uma verdadeira epopeia em apenas 12 faixas, ao narrar a aventura de um personagem que se muda do Reino Unido para a Austrália. A narrativa tem como cenário de fundo a decadência do Antigo Império Britânico, Reino Unido que no inicio do século XX era a maior potencia econômica e militar do planeta e que após o período das grandes Guerras(1914-1918, 1939-1945) foi perdendo gradativamente status no contexto mundial. Nas letras das canções podem ser percebidas ferrenhas críticas ao estilo de vida britânico; por causa disso, na época de seu lançamento o disco foi fortemente censurado pelo governo inglês que proibiu a sua execução nas rádios ao redor do país.

Também é importante salientar o papel dos demais membros da banda: o baixista John Dalton, que substituiu de forma brilhante o baixista Peter Quaife; Dave Davis, sempre criando uma série de riffs e solos fantásticos, sem dúvida um dos grandes gênios da guitarra; e o sempre criativo baterista Mick Avory. Juntos criaram linhas melódicas inspiradíssimas, únicas na história da musica, com quebras de ritmo e andamentos ainda impressionantes durante a n-ésima audição deste álbum, tamanha a perfeição alcançada, e que combinam perfeitamente com as composições de Ray Davis, que de modo desafiador carrega uma elevada dose de sarcasmo nos vocais principais ao longo do disco.

Não quero aqui salientar um ou outro aspecto de determinada música, nem ao menos dar destaque a uma ou outra canção, por acreditar que cada uma carrega em si uma particularidade no contexto do álbum que transcende qualquer afirmação deste gênero. Além disto, as músicas deste álbum se completam de uma maneira simplesmente fantástica e quando ouvidas em sequência possuem uma força incrível raríssimas vezes experimentada na história da música.

Na época de seu lançamento “Arthur” passou um pouco despercebido ao grande público, devido ao recém-lançamento da ópera Rock “Tommy” que invadiria as paradas de sucesso naquele período, encabeçada pelo hit “Pinball Wizard”. Este trabalho só teria o seu merecido reconhecimento vários anos após o seu lançamento e nos dias de hoje é aclamado pela crítica especializada como uma das mais sublimes (e possivelmente, a melhor) Óperas Rock já realizada na história do Rock.

Em 1970 a banda lançaria outro clássico absoluto do Rock o disco “Lola Vs Powerman And The Moneygoround Part One”, uma fábula sobre travestis. Uma das canções que dá nome ao álbum “Lola” até hoje é uma das mais emblemáticas da banda. A fase áurea da banda atingiria o fim em 1971 com o lançamento do mediano “Muswell Hillbillies”. Depois a banda se aventuraria por Óperas Rock pouco inspiradas antes de seu trágico final.

Os Kinks, legítimos representantes da British Invasion, sempre foram uma das bandas mais injustiçadas da história da música durante sua existência, tendo sua importância reconhecidas somente anos após o seu fim, apesar de ter brindado os amantes do rock com vários momentos agradabilíssimos.

Em resumo, mais um disco que merece ser ouvido por todo bom apreciador do bom e velho Rock & Roll, que dia 13 de julho (data em que esta resenha foi escrita) comemora mais um ano de existência.

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