Alter Bridge: em 2007. finalmente saindo da sombra do Creed
Resenha - Blackbird - Alter Bridge
Por Gleison Stievano
Postado em 18 de abril de 2010
Nota: 9 ![]()
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Após sua estréia com "One Day Remains" o ALTER BRIDGE lança seu segundo álbum em meados de 2007 com uma mudança significativa no som. Incorporando influencias do Metal Progressivo e do Metal Clássico e uma tonalidade mais obscura. Não há mais nenhuma semelhança com a banda anterior de Mark Tremonti, Brian Marshall e Scott Phillips, o CREED. Principalmente porquê Myles Kennedy participa muito mais nas composições como um todo, com letras, melodias e solos. O resultado disso é uma banda que finalmente alcança seu potencial e encontra sua real identidade.
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A impressão que eu tive quando ouvi o primeiro CD do ALTER BRIDGE era que tratava-se de uma banda com músicos maravilhosos mas que, apesar de ter composições de qualidade, havia um vazio não preenchido. Nota–se claras influencias do Metal e Hard Rock, mas nada muito original. Sem contar que muitas das composições tinham a sombra do CREED.
Mas depois de um tempo de maturação, a banda retorna e grava o álbum "Blackbird". Muito maduro e consistente. Apresenta algumas influencias que já apareceram no primeiro álbum, só que desenvolvidas. Mas o ponto chave deste álbum são as novas influências incorporadas: Metal Clássico e o Progressivo, num tom mais obscuro, melancólico e pesado. Com esses elementos o ALTER BRIDGE se distancia de vez do som apresentado em "One Day Remains" e atinge todo o seu potencial.
Talvez o fator mais importante para essa mudança foi a maior participação do vocalista Myles Kennedy nas composições. Ele toca guitarra desde muito jovem (inclusive, ganhou vários concursos de guitarra durante a adolescência). A adição de uma guitarra a mais para fazer solos, bases e licks abre um novo leque de possibilidades para as canções. E Myles prova ser um exímio guitarrista e conhecedor de teoria musical, com extremo feeling. Muitos fans até acreditam que ele chega a ultrapassar, em técnica, Mark Tremonti.
O disco abre com um Thrash Metal dos bons: "Ties That Bind". Rápida e Pesada, passagens de guitarras duplicadas e um riff maravilhoso. Com um refrão de melodia animal. Uma das melhores do CD, sem dúvida.
Logo depois nos deparamos com uma peça do bom Heavy Metal: "Come To Life". Mais cadenciado, dando enfoque ao peso e melodia da canção. Atributos facilitados pelo riff insano. Perfeito para "banguear". Destaque vão para o solo e para o refrão muito pegajoso.
Após isso, vêm "Brand New Start", "Buried Alive" e "Coming Home". A primeira é uma power ballad bem feita e com um bom refrão. A segunda é mais um bom Metal. Nela, Mark Tremonti abusa dos harmônicos artificiais. A Terceira tem um belo riff pesado. Destaque para os vocais de Myles Kennedy. Que se mostra, com o passar das músicas, um dos melhores vocalistas de Hard Rock/Metal que surgiram nos últimos anos.
"Before Tomorrow Comes" vem a seguir. Mais uma Power Ballad bem feita. Mas não se destaca tanto no meio das outras músicas do CD.
Agora vem o ponto alto do álbum. As duas músicas a seguir são as obras primas que tantas bandas buscam em sua carreira. Desde o início fica claro que, após uma abertura com duas músicas de grande impacto e intensidade, percebe-se uma gradual ascendência em cada música até este ponto: "Rise Today" e "Blackbird"
"Rise Today" inicia-se com um riff de violão afinado baixo. Com perfeita entonação do vocalista Myles Kennedy. Após seu refrão forte (e muito simples de cantar, o que torna extremamente empolgante para aqueles que gostam de cantar junto), o verso retorna com a guitarra pegando fogo. Myles Kennedy eleva o tom com a voz e mais uma vez mostra sua técnica vocal superior. A música termina com um solo raivoso e forte de Mark Tremonti.
"Blackbird" então começa. A letra foi inteiramente composta por Myles Kennedy em homenagem a um amigo seu que sofria de uma grave doença e só queria descansar. Durante as gravações desse álbum, Myles Kennedy recebeu a notícia que seu amigo finalmente havia – se ido. Aumentando ainda mais a significação da música, não só para o trabalho em si, mas também pessoalmente.
O riff é um dedilhado soturno e obscuro. Mas incrivelmente belo. Depois do início da letra ser cantado inicia-se um tremendo riff lento de guitarra pesadíssimo! O refrão, assim como toda a música, é extremamente comovente. Essa música tem diversas viradas de guitarra e dois solos magníficos. Sendo que o primeiro é executado e composto por ninguém menos que o próprio Myles Kennedy. Cheio de feeling e comoção. O Segundo é feito por Mark Tremonti, com mais rapidez e extrema beleza. A música tem 8 minutos. Para mim, é a grande obra prima da banda, um divisor de águas no álbum. Uma das músicas mais bonitas e comoventes que eu já escutei.
Então vem mais uma porrada na orelha com "One By One". Pesadíssima. Instrumental incrível.
"Watch Over You" é a baladinha melosa que estava faltando. Com intenso apelo comercial, o que não tira a qualidade sobre a música. Foi um dos Singles (junto com "Rise today" e "Ties That Bind"). Destaque para o solo extremamente melódico com guitarras duplicadas e a extrema capacidade técnica da voz de Myles Kennedy.
"Break Me Down" é a música mais fraca do CD. Mas nada que manche a grande experiência de escutá-lo. Não é de se jogar fora, contudo. Mas é muito fraquinha, principalmente se for comparada com a próxima: "White Knuckles". Outra peça do bom Heavy/Thrash Metal. Myles canta com extrema agressividade nesta faixa. Aliás, a música em si é extremamente agressiva, não só os riffs, o solo também é uma loucura. Muito empolgante.
"Wayward One" vem a seguir. Há quem goste dessa música. Mas, sinceramente, para mim não significa muita coisa. Música feita só para encher CD. Uma pena, pois deveriam ter pensado num melhor encerramento para um trabalho tão incrível.
No geral, Blackbird é um grande trabalho do Metal Alternativo atual. Mostra que o ALTER BRIDGE vai dar muito que falar ainda. Respeito eles já têm. Os músicos são muito competentes. A "cozinha" (Brian Marshall e Scott Phillips) tem uma sintonia perfeita e não peca em nenhuma faixa. O que torna ainda melhor toda a execução do álbum.
Agora, é esperar o terceiro trabalho da Banda. O provisoriamente chamado "Alter Bridge III" já está gravado e será lançado no segundo semestre de 2010. A expectativa é grande.
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