UFO: influência, entre outros, do xerife Steve Harris
Resenha - Phenomenon - UFO
Por Rafael Correa
Postado em 18 de abril de 2010
O UFO é uma das maiores bandas de hard rock formadas na década de 70, capaz de influenciar uma parte densa de músicos de destaque, como é o caso do xerife Steve Harris, responsável pelas quatro cordas da Donzela de Ferro. Com "Phenomenon", um de seus álbuns de maior expressão, lançado originalmente em 1974, o UFO confirmou seu status de grupo relevante no cenário musical europeu, ganhando um público fiel ao redor do globo em pouquíssimo tempo.
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Feita a introdução, devemos passar à breve análise das canções que compõe o disco em pauta, dotado de energia e vibração que, no entanto, não fica isento de falhas. Isto porque o álbum, por vezes, soa demasiadamente pueril, fato este que o desabona sob alguns prismas.
É o caso das duas faixas que abrem o álbum, "Too Young To Know" e "Crystal Light", que não trazem em si grande novidades, soando "usuais" se comparadas às outras bandas da época influenciadas pelo hard rock.
No entanto, a partir de "Doctor Doctor", as coisas melhoram consideravelmente. Este talvez seja o hino máximo da banda. Seja pelo fato da canção abrir todo (sim, você leu todo) show do Iron Maiden, ou ainda pela sua qualidade e densidade insofismáveis. "Doctor Doctor" empolga até mesmo aquele que está a bambear na linha tênue que divide a vida da morte.
"Space Child", por seu turno, apresenta uma construção musical maravilhosa, dotada de uma sensibilidade incomum. Talvez seja a canção mais bem trabalhada deste disco.
Mas apesar de "Doctor Doctor" ser o single do disco, quem brilha mesmo é "Rock Bottom". Tratam-se de 06:31 minutos de bom e puro hard rock arquitetado de modo espontâneo, que acabou em resultar em um excelente pico de energia e exaltação. A música cavalga por subidas e descidas conduzidas pelo riff marcante do refrão e pelas linhas de baixo construídas por Pete Way.
Se em alguns momentos nos aparenta estar ouvindo o próprio Steve Harris, tal semelhança não é mera coincidência: Way sempre foi uma grande inspiração para o fundador do IRON MAIDEN. Talvez, se não fosse Pete Way e o UFO, Harris seria hoje jogador de futebol aposentado. Nem precisamos nos esforçar muito para percebermos os prejuízos de tal possibilidade.
Outro destaque é "Time On My Hands", onde a letra também leva créditos por sua beleza e sinceridade, acompanhadas por uma condução acústica combinada com a distorção e peso da banda. "Queen of The Deep" arremata o álbum com perfeição, apostando na receita utilizada em "Time On My Hands", combinando uma levada acústica à nuances vibrantes de guitarra. Trata-se de um excelente disco, que merece uma atenta audição para captar todas as suas variações e apreender sua densidade. Posto isto, "Phenomenon" seguramente se faz merecedor de nota 8.
Faixas:
1. Too Young to Know
2. Crystal Light
3. Doctor Doctor
4. Space Child
5. Rock Bottom
6. Oh My
7. Time On my Hands
8. Built for Confort
9. Lipstick Traces
10. Queen of the Deep
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